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Por que o alumínio é fundamental no combate ao novo coronavírus?

Com ampla utilização, metal está presente desde a estrutura de hospitais de campanha até na produção de vacinas

Com a chegada do novo coronavírus, causador da Covid-19, o Brasil entrou em estado de alerta. Os governos estaduais instituíram a quarentena para segurar o pico da pandemia, permitindo apenas a manutenção dos serviços considerados essenciais. Porém, dentro desse contexto, a indústria do alumínio também não pode parar.

Para garantir segurança jurídica e abastecimento à população, a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) apresentou às autoridades o documento Essencialidade da Indústria do Alumínio, texto que identifica os produtos e serviços que utilizam o metal e cuja produção e funcionamento são indispensáveis neste momento.

A cadeia produtiva do alumínio é complexa: tem início na mineração de bauxita e término nos produtos transformados para diversos setores da economia. Dentro da área médico-hospitalar, a participação do metal contempla desde os materiais de construção de hospitais de campanha, fabricação de insumos médicos e embalagens para medicamentos até a produção de vacinas.

O tratamento de água, essencial no atual cenário pela importância da constante higienização, também requer hidróxido de alumínio, utilizado na produção de coagulantes para esse fim. Além disso, as indústrias do setor fabricam fios e cabos de alumínio utilizados na transmissão de energia elétrica pelo País.

Montagem rápida e eficiente
O alumínio tem sido aliado na construção de hospitais de campanha para o combate à Covid-19. Empresas do setor de extrusão fornecem os perfis tubulares para a montagem, em curto prazo de tempo, dessas estruturas temporárias, em campos de futebol, ginásios e pavilhões de exposição. Os perfis também são úteis nas áreas internas, pois servem de base para as paredes divisórias dos leitos.

“Por ser um material leve, o alumínio não necessita de equipamentos pesados de içamento – normalmente são feitos em módulos que os trabalhadores conseguem erguer em duplas –, aumentando a produtividade no canteiro de obras”, acrescenta Erivam Boff, diretor da unidade de Negócios Extrudados & Metais da Prolind.

Hospital de campanha montado no estádio do Pacaembu: empresas de extrusão fornecem perfis tubulares para a montagem, em curto prazo de tempo, de estruturas temporárias (Prefeitura de São Paulo)

Insumos médico-hospitalares
Leve e durável, o alumínio possui ainda elevada resistência à corrosão, além de permitir flexibilidade, sendo fundamental na produção de materiais e equipamentos utilizados na área da saúde.

Conheça alguns usos:

  • Em sistemas de oxigênio hospitalar, por meio de tubos aletados de alumínio;
  • Na produção de ventiladores, camas hospitalares, recipientes, bandejas e kits de testes, em carrinhos de gás medicinal, em cilindros de gases e em parte da fabricação de equipamentos de ressonância magnética;
  • Em equipamentos ortopédicos, endoscópicos e craniomaxilofaciais, para a coluna e traumas, além de instrumentos cirúrgicos.

Embalagens para medicamentos
O alumínio também está presente na fabricação de embalagens para a indústria farmacêutica, principalmente blisters, strips, sachês, stand up pouches e bisnagas. O metal protege e preserva as características químicas e físicas dos medicamentos, do armazenamento até o consumo, sejam comprimidos, pós, líquidos e cremes.

Recentemente, para atender a demanda do governo federal em relação ao aumento da produção de cloroquina no Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército (LQFEX), a indústria de embalagens do Grupo Prati-Donaduzzi, Centralpack, desenvolveu, em apenas um dia, a fita de alumínio que será utilizada nas embalagens do medicamento.

Segundo o International Aluminium Institute, a folha de alumínio utilizada na produção dessas embalagens é completamente estéril — isso, graças a um processo de recozimento em alta temperatura. Por esse motivo, não abriga e nem promove o crescimento de bactérias. Além disso, suas propriedades higiênicas fornecem uma barreira contra fatores externos, como calor, umidade e odores.

“O alumínio é um material leve, durável e de menor impacto ambiental, por ser infinitamente reciclável sem nenhuma perda de qualidade para reutilização. O metal possui ainda acabamento compatível com todas as tecnologias de impressão de alta resolução”, comenta Fernando Wongtschowki, gerente de Estratégia Comercial e Marketing da CBA, fornecedora de folhas finas e médias para blisters e strips.

A Novelis, outra gigante da indústria do alumínio, também atende esse segmento.

“Nosso processo de vazamento não contínuo nos permite remover impurezas nas placas, garantindo um metal mais puro e limpo até o fim do processo. Com isso, conseguimos atender as exigências de qualidade da indústria farmacêutica e fornecer folhas para embalagens de comprimidos com controle e garantia de microfuros”, explica Daniela Diaz, coordenadora de Vendas e Mercado Externo da empresa.

Blisters
Dentro desse segmento, o blister é a embalagem mais comum utilizada no Brasil, sendo composto por duas camadas à base de alumínio (blister Alu-Alu) ou uma camada de alumínio e outra de plástico (blister PVC ou PVDC). Durante a fabricação, o material escolhido é moldado com cavidades, para a inserção dos comprimidos, e selado com o laminado.

Entre as vantagens na produção do blister está a economia de material em comparação a outros tipos de embalagem, como frascos de vidro. Além disso, ajuda a economizar espaço nas gôndolas das farmácias e a reduzir os custos com armazenamento e transporte. Para os consumidores, facilita a visualização da quantidade de comprimidos a ser tomada.

A folha de alumínio também permite a impressão de instruções de dosagem do medicamento, além de outras informações como a data de validade e o lote do produto, reduzindo o risco de violação.

O setor de embalagens é o maior consumidor de alumínio do Brasil: o metal protege os produtos da umidade, oxigênio e raios UV (adobe.stock.com)

Produção de vacinas e medicamentos
O alumínio faz parte da produção de alguns tipos de vacina como adjuvante,  substância que garante maior eficiência. Segundo o International Aluminium Institute, especialistas e instituições médicas concluem que os adjuvantes feitos a partir do metal são componentes seguros e eficazes em vacinas que protegem indivíduos e populações de doenças graves. Esses compostos são usados para tal finalidade há 70 anos.

Na área de medicamentos, o consultor Ayrton Filleti, presidente emérito da ABAL, lembra que o hidróxido de alumínio também é utilizado  como um antiácido famoso para o tratamento de azia ou queimação.

Vantagem das superfícies de alumínio
Por conta da pandemia, pesquisadores da Universidade de Medicina de Greifswald, na Alemanha, revisaram 22 estudos técnicos para verificar a persistência em 13 superfícies diferentes dos coronavírus humanos já conhecidos, como o Sars-CoV, Mers-CoV e HCoV.

Dentre cinco superfícies submetidas ao HCoV – 229E (um tipo de coronavírus que infecta os seres humanos), a uma temperatura de 21 °C, o alumínio foi o material em que ele apresentou menor tempo de vida. Veja abaixo:

  • Alumínio – 2 a 8 horas
  • Aço – 5 dias
  • Vidro – 5 dias
  • PVC – 5 dias
  • Cerâmica – 5 dias

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