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Conheça a história de profissionais negras que atuam no setor do alumínio

Rompendo barreiras na vida, elas conquistaram espaço na carreira

As pessoas pretas e pardas ainda sofrem com a discriminação racial no mercado de trabalho brasileiro e apresentam o maior índice de desemprego e a menor remuneração na comparação com os brancos.

Apesar da necessidade urgente de mudança desse cenário, o aumento de conscientização das empresas tem possibilitado aumentar aos poucos a representação dessa parcela da população dentro das organizações.

Diante desse contexto, algumas profissionais negras relataram suas histórias, desafios e como chegaram até a posição atual no setor do alumínio, área em que também atuam no debate sobre a questão étnico-racial.

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Rompendo barreiras
Áurea Sena, 28 anos, formada em Ciências Contábeis, é atualmente assistente de Contabilidade da Mineração Rio do Norte (MRN), produtora de bauxita localizada no Oeste do Pará.

Foi durante a infância, quando navegava pelo rio Trombetas em uma pequena embarcação movida pela força dos braços de seus pais, que ela enxergou que poderia fazer mais pelo mundo.

Áurea Sena, da MRN: criar conexões na busca pela igualdade é fundamental (Foto: Juraci Vale)

Naquele momento, Áurea, natural do quilombo Boa Vista, em Oriximiná, decidiu que romperia as barreiras ainda existentes na sociedade para pessoas pretas, indígenas e ribeirinhas.

“Houve uma época que pensar em trabalhar em uma grande empresa como a MRN era um sonho distante. Mas eu quis honrar todo o esforço de meus pais que se dedicaram a me criar. Eu sou uma jovem preta, nascida em terra quilombola, e vejo que o mundo está mudando. Mas é um trabalho de formiguinha”, testemunha.

Na visão dessa profissional, o trabalho conjunto é fundamental. Criar conexões com as pessoas é um grande desafio e, por isso, não pode ser feito de forma isolada. Nesse sentido, Áurea é parte do time que compõe o Programa de Diversidade de Inclusão da MRN.

“A empresa possui atuação muito próxima com as comunidades e povos tradicionais. Com certeza, ela entende a importância de não apenas se posicionar, mas de promover ações que ajudem a transformar nosso mundo. Por isso aceitei o convite e posso levar minha experiência de vida a mais pessoas e fazer com que possam ter oportunidades”, declara Áurea.

Todos engajados pela diversidade
Formada em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Rafaela Barboza, 24 anos, ingressou na Novelis em 2018. Inscreveu-se para o processo seletivo de estágio, mas acabou sendo contratada como assistente-jurídica. Hoje é advogada-júnior na sede da companhia, em São Paulo.

Rafaela lidera o Grupo de Afinidade, iniciativa que conta com 12 pessoas, negras em sua maioria e busca abordar os temas relacionados à diversidade de forma mais leve para todos os funcionários.

Rafaela Barboza: lidera o Grupo de Afinidade da Novelis

Segundo a advogada-júnior, a Novelis é um lugar seguro para todos e no ambiente de trabalho não ocorrem situações constrangedoras para pessoas de sua raça.

“Os estagiários me procuram bastante, pois entendem que podem ser pessoas respeitadas, escutadas, com voz no ambiente corporativo. Houve um exemplo de uma estagiária preta que queria usar tranças no cabelo e eu a aconselhei a ser como ela é, pois aqui não há preconceito”, conta.

O assunto diversidade está sendo aprendido entre todas as pessoas, salienta Rafaela. Na Novelis, há abertura inclusive para relatar aos executivos algum comentário ou comportamento que não sejam adequados dentro desse tema.

“As pessoas aqui estão abertas a aprender o ano todo. A participação das lideranças no engajamento dessa causa tem sido fundamental para que a gente promova uma mudança coletiva de consciência”, afirma.

Viviane Alves, 43 anos, é formada em Engenharia Sanitária Ambiental pela Universidade Federal de Santa Catarina. Há mais de 10 anos, ela trabalha na fábrica de Pindamonhangaba (SP) da Novelis como engenheira EHS (saúde, segurança e meio ambiente).

A profissional não se recorda de ser submetida a episódios violentos ao longo de sua vida, mas afirma que sempre houve questões subjetivas devido à sua raça e gênero.

“Já geri equipes operacionais em outras empresas e sentia que era muito difícil para alguns aceitar uma mulher mais nova e negra definindo os processos de trabalho. Se fosse um homem falando, não haveria questionamentos sobre a veracidade e competência”, diz.

Quanto à vida pessoal, Viviane se recorda de momentos em que as pessoas a confundiam com a empregada doméstica da própria casa em que morava. Pediam para falar com a dona da casa ou com a patroa.

Viviane Alves, da Novelis: pessoas estão mais atentas a temas ligados a igualdade racial

Na Novelis, a engenheira também participa do Grupo de Afinidade, na parte de censo e definição de população, que permeia algumas questões comparativas, além das campanhas propostas pela iniciativa.

Segundo Viviane, nenhuma das empresas pelas quais passou tinha um olhar especial para a questão de raças, mas reconhece que a mudança é mais recente. Para ela o aprendizado das pessoas tem melhorado muito conforme vão sendo educadas a eliminar vieses inconscientes: esse mérito é do trabalho do Grupo de Afinidade, acatado pelo alto escalão da companhia.

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