Brasil é o país que mais recicla lata de alumínio. Entenda como funciona o ciclo


Um dos grandes cases de sucesso da indústria nacional é o alto índice que temos de reciclagem de latas de alumínio para bebidas. Dados divulgados no dia 5 de dezembro pela Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) e Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas) apontam que, em 2017, foram reaproveitados 97,3% das latas produzidas no País. Ou seja, das 303.900 t de latas de alumínio para bebidas colocadas no mercado em 2017, 295.800 t foram recolhidas e recicladas.

Em 2016, esse número foi ainda maior: 97,7%. Mas a ligeira oscilação em 2017 não reduz em nada esse feito da nossa indústria. Para se ter ideia, a média mundial de reaproveitamento do item é de 69%, e nem mercados considerados mais desenvolvidos conseguem alcançar a marca brasileira, fruto de um grande trabalho de conscientização de toda a cadeia.

Recentemente, nossa reportagem participou de uma viagem para jornalistas promovida pela ABAL, Ball, Grupo Recicla BR e Novelis a fim de apresentar todo o ciclo percorrido pelas latinhas durante os processos de reciclagem e fabricação. Embarque conosco nessa jornada!

Coleta
A viagem teve início em Pindamonhangaba (SP), cidade fincada no Vale do Paraíba a 146 km de São Paulo. Fomos a um dos 24 centros de coleta que a Latasa, empresa do Grupo Recicla BR, mantém no Brasil — a empresa deve abrir mais 15 em 2019. O local recebe sucata de alumínio de toda a região do Vale do Paraíba, Litoral Norte paulista e região de Campos de Jordão (SP) e tem setenta cooperativas de catadores cadastradas em seu sistema.

Lá, as latas passam por uma máquina que recusa as que têm impurezas (como líquido ou pedras): as vazias, ou seja, puras, sobem quando recebem um sopro de ar que vem da parte inferior do equipamento, sendo separadas das outras. Depois, são compactadas e enviadas para a segunda fase do processo.

 

Fundição
Essa outra etapa nós também acompanhamos em uma unidade da Latasa em Pindamonhangaba, responsável por produzir o novo alumínio. Nessa planta, as latas compactadas no centro de coleta passam por um processo mais criterioso de limpeza e também de remoção de tinta. Depois, são enviadas ao forno, onde são fundidas e ganham a forma de alumínio líquido ou sólido — no formato de deox, lingote, placas ou vergalhões.

 

 

Laminação
Permanecemos em Pindamonhangaba, agora na planta da Novelis, maior centro de reciclagem de alumínio e laminação da América Latina. A empresa, líder mundial em laminados de alumínio, é a maior recicladora do metal no mundo. Ali, o metal líquido, fruto da reciclagem, por meio de um processo térmico, é transformado em grandes barras sólidas, retangulares e espessas.

Mais tarde, ao passar diversas vezes por cilindros de aço ou ferro fundido, essas barras vão tendo suas espessuras diminuídas até se tornarem laminadas, disponibilizadas ao mercado no formato de grandes bobinas. Para facilitar o entendimento, essa fase lembra o processo de afinamento de uma massa culinária por meio de um rolo de madeira — mas, no caso, os cilindros estão debaixo e sobre o alumínio.

Sobre a Novelis, a empresa explica que, no mais recente ano fiscal — de abril de 2017 a março de 2018 —, ela produziu 523 mil t de alumínio laminado, sendo que 66% desse total foi gerado a partir da reciclagem.

Enfim, a latinha
Nosso último ponto de parada foi a fábrica de latas da multinacional Ball, de origem americana. Na unidade, erguida em Jacareí (a cerca de 70 km de Pindamonhangaba e 80 de São Paulo), são feitas impressionantes 7 milhões de latas por dia, produzidas a partir dos laminados de alumínio.

Nessa planta, as chapas são introduzidas continuamente numa máquina de prensagem que corta milhares de discos por minuto e os transforma em copos rasos, que são trabalhados até se transformarem em latas. Vale ressaltar que toda a sobra dessa etapa é reciclada para a produção de novas chapas. O processo todo, do recorte das chapas até a lata produzida, incluindo impressão do rótulo, leva 25 minutos.

Extratos da reciclagem
Em 2017, a coleta de latas de alumínio para bebidas foi responsável por injetar R$ 1,2 bilhão na economia nacional, contribuindo com a geração de renda e de empregos para milhares de catadores de materiais recicláveis.

Outras curiosidades:
Em cerca de trinta dias, uma latinha pode ser comprada, usada, coletada, reciclada, virar latinha de novo e retornar à prateleira de um supermercado;
– O alumínio reciclado utiliza apenas 5% de toda energia elétrica necessária para a produção do alumínio primário;
– A fabricação do metal reciclado também emite 95% menos gases do efeito estufa;
– Cada quilo de latinha reciclada representa uma economia de cinco quilos de bauxita, que deixa de ser extraída para a produção de alumínio primário;
– O alumínio pode ser reciclado infinitamente, sem perder suas características.

“A cadeia de reciclagem de latas está consolidada no País, é um exemplo para os demais setores da nossa indústria e um case de economia circular”, afirma Milton Rego, presidente-executivo da ABAL.

 


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