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Vacina contra o novo coronavírus utiliza o alumínio como adjuvante

Em conjunto com o vírus inativado, substância ajuda a acionar o sistema imunológico

No dia 22 de julho, a capital paulista recebeu 20 mil doses da vacina contra o vírus Sars-Cov-2, o novo coronavírus. Desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac Biotech, em parceria com o Instituto Butantan, ela se destina à 3ª fase de testes em voluntários da área da saúde.

Se a etapa for concluída com sucesso, o Brasil deve iniciar a produção de 120 milhões de doses a partir de 2021. A substância está entre as mais avançadas do mundo e tem o hidróxido de alumínio em sua composição, trabalhando como adjuvante.

O que são adjuvantes?
Adicionados a alguns tipos de vacina, os adjuvantes melhoram a resposta imunológica do paciente, estimulando a produção de anticorpos. Além disso, podem contribuir para que a reação ocorra com mais rapidez, diminuindo a quantidade de antígenos (vírus ou bactéria) na substância, reduzindo custos e viabilizando o acesso para a população.

O alumínio é utilizado como elemento auxiliador na forma de sal (hidróxido, fosfato e sulfato) devido ao seu perfil de segurança, facilidade de preparação, estabilidade e alta capacidade imunoestimulante.

Vacina da Sinovac/Butantan
Flávio Guimarães da Fonseca, virologista do Centro de Tecnologia de Vacinas e pesquisador do Departamento de Microbiologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que a Sinovac utiliza na composição um vírus morto ou inativado, assim como acontece na vacina da gripe. Por isso, precisa de um adjuvante — ao contrário das que contêm vírus vivos, em que a substância não é necessária.

“Quando a vacina com adjuvante é aplicada, o alumínio presente na formulação estimula determinados receptores do sistema imunológico. Este fica ativo e consegue responder com força a determinado vírus ou proteína”, comenta Fonseca.

Aplicação do adjuvante
Ariana Meirelles, gerente de Vendas do Segmento Farmacêutico da Croda Brasil, esclarece que os sais de alumínio são aplicados na forma de gel. O conteúdo permitido é de 1,25 mg na Europa e 0,85 nos Estados Unidos. Os limites se referem à forma metálica e não de sal.

“A produção de adjuvantes não é simples. É exigido um bom controle para minimizar resíduos. Os sais de alumínio devem ser criados em fábricas certificadas e a geração deve ocorrer de maneira asséptica, com envase em salas limpas e obedecendo a todas as normas sanitárias”, afirma Ariana.

Segurança comprovada
De acordo com o International Aluminium Institute (IAI), os sais de alumínio têm um longo registro de segurança como auxiliares vacinais. O hidróxido de alumínio tem mais de 80 anos de uso em substâncias desse tipo produzidas no Brasil e no exterior.

“O alumínio é o adjuvante mais estudado mundialmente, com mais de 310 publicações no pubmed.gov e 6.800 citações no Google Scholar [portal acadêmico]. Devido ao amplo histórico de pesquisa e uso, os sais de alumínio são considerados seguros para uso humano”, complementa a gerente da Croda.

Confira abaixo a lista das vacinas que contém sais de alumínio, segundo levantamento do Portal MD.Saúde:

  • DT (Tenivac) – Dupla bacteriana contra tétano e difteria;
  • DTaP (Daptacel, Infanrix, Adacel, Boostrix) – Tripla bacteriana contra tétano, difteria e coqueluche;
  • DTaP-IPV (Kinrix ou Quadracel) – Quádrupla contra tétano, difteria, coqueluche e poliomielite;
  • DTaP-HepB-IPV (Pediarix ou Pentacel) – Quíntupla contra tétano, difteria, coqueluche, poliomielite e hepatite B;
  • Hep A (Havrix ou Vaqta) – Contra hepatite A;
  • Hep B (Engerix-B ou Recombivax) – Contra hepatite B;
  • Hep A/Hep B (Twinrix) – Contra hepatite A e B;
  • HIB (PedvaxHIB) – Contra Haemophilus influenzaetipo b;
  • HPV (Gardasil 9 ou Cervarix) – Contra o papilomavírus humano (HPV);
  • MenB (Bexsero ou Trumenba) – Contra meningite B;
  • Pneumococcal (Prevnar 13) – Contra Streptococcus pneumoniae.

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