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Poços de Caldas, cidade das águas termais e do minério de bauxita

Região com características peculiares é fundamental para a cadeia produtiva do alumínio

Devido à formação geológica rica em minério de bauxita, a cidade de Poços de Caldas, localizada no Sudoeste de Minas Gerais, divisa com o Estado de São Paulo, ofereceu uma contribuição importante para o início da produção de alumínio primário no Brasil.

A região atraiu investimentos da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) há 80 anos e, em seguida, foi escolhida para a instalação da primeira unidade da multinacional de origem americana Alcoa no país. Atualmente, também abriga uma planta controlada pelo Grupo Prysmian, fabricante de cabos elétricos de alumínio.

Com perfil de interior, Poços possui 166 mil habitantes e chama atenção pela localização em uma área incomum: foi estabelecida sobre um planalto de formação vulcânica cercado pela Serra de São Domingos. Segundo historiadores, a área surgiu há pelo menos 80 milhões de anos.

Por causa dessa característica, o município teve sua história marcada pela presença de águas termais e sulfurosas, as quais, apesar do cheiro forte de enxofre, têm poder curativo e atrai milhares de turistas desde muito antes de 1872, data em que se comemora a sua fundação.

Um dos marcos do seu desenvolvimento, a inauguração do ramal da Ferrovia Mogiana de Estradas de Ferro, em 1886, contou com a presença de Dom Pedro II. O imperador se hospedou no Hotel da Empreza, localizado no primeiro balneário utilizado para tratamento de doenças cutâneas.

A região recebeu o nome inspirado na cidade portuguesa de Caldas da Rainha, referência em águas termais. A palavra ‘poços’ veio da utilização das fontes por animais. Vale destacar que o local também era propício à agricultura e à criação de gado leiteiro.

O núcleo urbano passou a contar, na década de 1930, com um conjunto arquitetônico composto pelo Palace Hotel, Palace Cassino e o Thermas Antônio Carlos. As grandes obras atraíram pessoas de todos os lugares, incluindo condes e barões, os quais construíram residências de veraneio e elevaram o status da então pequena estância hidrotermal.

O fechamento dos cassinos, em 1946, e a descoberta do antibiótico impactaram o turismo termal de elite. A economia se recuperou da crise por meio das mineradoras, chegada de indústrias e, principalmente, mudança de foco na área turística.

Operações da CBA

Unidade da CBA em Poços de Caldas

Uma das precursoras na produção de alumínio primário no Brasil, a CBA, fundada em 1941, iniciou operações para extração de bauxita em Poços de Caldas, apesar da unidade industrial localizar-se na cidade paulista de Alumínio. Hoje, a empresa pertencente à Votorantim, ainda opera no município.  

A busca pela mineração cada vez mais sustentável tem sido a premissa da CBA na região. Esse trabalho é desenvolvido por meio de diversos projetos que englobam educação ambiental, gestão de resíduos e recuperação de áreas mineradas.

A CBA atua em áreas de terceiros, mantendo um bom relacionamento com os produtores rurais. As reabilitações têm sido feitas com pastagens e plantio de eucalipto. No entanto, caso a vegetação anterior à mineração seja nativa, a restauração utiliza, necessariamente, espécies nativas.

A empresa já contou com apoio da Universidade Federal de Lavras no monitoramento das áreas. Atualmente, é usada como referência uma metodologia da Universidade Federal de Viçosa, instituição que realiza esse mesmo trabalho nas unidades da CBA na Zona da Mata Mineira.

Chegada da Alcoa

Planta da Alcoa em Poços de Caldas

Em 1960, a Alcoa contratou o geólogo americano Don Duane Williams para prospectar a bauxita na região e, em seguida, adquiriu as ações da CGM (Companhia Geral de Minas) em parceria com a Hanna Mining. Em 1965, foi assinada a ata de criação da Companhia Mineira de Alumínio (Alcominas) e iniciada a construção da Fábrica de Alumínio, que, posteriormente, mudou de nome para Alcoa Alumínio S.A.

Segundo Walmer Rocha, gerente de Operações da Alcoa, o início das obras revolucionou o município. A chegada de novos moradores e empresas fornecedoras ajudou a movimentar novamente a economia e ampliar os investimentos em infraestrutura.

Atualmente, a planta da Alcoa emprega 538 funcionários diretos e 680 indiretos, possui operações nas áreas de mineração de bauxita, refinaria, química e refusão, e fábrica de pó de alumínio. É ainda sede do escritório da companhia voltado a people services, financeiro e procurement, atendendo a região e unidades da empresa fora do país.

“Somos um centro formador de talentos. Nossa localização, próxima a centros educacionais e escola de negócios, facilita a formação de profissionais para a Alcoa. Muitos iniciaram aqui e estão em outras posições estratégicas importantes no mundo”, comenta Rocha.

Ao longo do tempo foram implementadas melhorias tecnológicas. Como a qualidade do minério vai diminuindo, em 2004 foi inaugurada uma unidade de espessamento com alta velocidade de sedimentação, o que permitiu continuar aproveitando a bauxita no processo produtivo.

Desde 1973, a Alcoa já direcionou mais de R$ 36 milhões na execução de projetos comunitários, programas de voluntariado e outras iniciativas na região. Os recursos são provenientes da Alcoa Foundation, Instituto Alcoa e da própria unidade.

Entre os principais projetos da cidade que contaram com parceria da empresa estão o Parque Ambiental da Alcoa Poços de Caldas, inaugurado em 1993, localizado dentro da Reserva Particular do Patrimônio Natural Retiro Branco, e a Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas, que iniciou atividades em 2003.

Atuação do Grupo Prysmian

Fábrica do Grupo Prysmian em Poços de Caldas

Poços também abriga uma unidade do Grupo Prysmian, produtor de cabos de alumínio (nu e isolado) para instalações elétricas de média tensão. A planta, de 524 mil m2, foi construída pela TermoCanada, em 1975, mas já pertenceu à Alcoa, Phelps Dodge e General Cable.

A fábrica abriga aproximadamente 300 funcionários e tem como diferencial a transformação de lingotes de alumínio em vergalhões, configurando uma grande vantagem de verticalização na produção.

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