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Meio ambiente: entenda como a indústria brasileira do alumínio pode cooperar com as metas traçadas na COP-26

Companhias assumem objetivos globais de redução de emissão de gases e mergulham em projetos cada vez mais sustentáveis

Após intensas negociações, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-26) foi concluída em novembro, em Glasgow, Escócia, com a esperança de impedir que o aquecimento global ultrapasse 1,5 °C, conforme o Acordo de Paris de 2015.

No entanto, a meta só será alcançada se cada país entregar o que foi prometido, com redução do uso de energia a carvão, reversão do desmatamento, aceleração da mudança para veículos elétricos e a diminuição das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE).

Durante o evento, a delegação brasileira assumiu o compromisso de reduzir as emissões de CO2 na atmosfera em 50% até 2030 e neutralizá-las até 2050. Além disso, anunciou estas medidas:

  • Alcançar a participação de 45% a 50% das energias renováveis na composição da matriz energética até 2030;
  • Recuperar 30 milhões de ha de pastagens degradadas;
  • Reduzir 75% das emissões de gases poluentes do transporte de carga e incentivar a ampliação da malha ferroviária; 
  • Restaurar e reflorestar 18 milhões de ha de florestas até 2030;
  • Zerar o desmatamento ilegal até 2028.

Nesse contexto, a cadeia produtiva do alumínio no Brasil — da mineração à reciclagem — pode contribuir com as metas traçadas pelo país, pois está alinhada com a descarbonização da eletricidade, diminuição das emissões diretas e eficiência de recursos, principais caminhos para atingir os objetivos climáticos globais, conforme relatório divulgado pelo International Aluminium Institute (IAI) na própria COP-26.

Ações integradas em prol da sustentabilidade
A Companhia Brasileira do Alumínio (CBA) assumiu o compromisso de reduzir as emissões de GEE em 40% até 2030 — na média dos produtos fundidos, considerando desde a mineração —, tendo como ano-base 2019.

“A empresa está entre as produtoras de alumínio primário com menor emissão de GEE do mundo, na etapa de eletrólise, com 2,66 tCO2e/t de alumínio líquido produzido, enquanto a média global é de 12 tCO2e/t, de acordo com dados do IAI”, informa Leandro Faria, gerente-geral de Sustentabilidade da CBA.  

A refinaria de alumina, em Alumínio, interior de São Paulo, é uma das primeiras do mundo a ter 100% de capacidade de produção de vapor originado por biomassa, em substituição a duas caldeiras que funcionavam a partir da queima de óleo e gás natural. O projeto foi divulgado como case de sucesso na COP-26.

A companhia vai modernizar a tecnologia das Salas Fornos investindo R$ 900 milhões de 2021 a 2025. O projeto permitirá a redução das emissões e aumentará a eficiência e a segurança da operação, além de gerar ganhos em produtividade e redução de custos.

Recentemente, a empresa também concluiu a contratação de uma linha de crédito rotativo (Revolving Credit Facility – RCF) no valor de US$ 100 milhões. A nova operação tem prazo de cinco anos e foi realizada junto a oito instituições internacionais financeiras. A operação reforça o compromisso com a redução de GEE, à medida que o KPI (key performance indicator) atrelado ao crédito prevê reduções anuais das emissões até 2025.

Geração de energia limpa
Em relação à descarbonização elétrica, a CBA possui 21 hidrelétricas próprias com capacidade de geração de 100% de energia elétrica de fonte renovável para abastecer as atividades da fábrica instalada em Alumínio.  Neste ano, a companhia anunciou a criação de uma unidade de negócio específica para gerir seus ativos de autogeração de energia, o que fortalece a estratégia de incremento da produção de alumínio sustentável.

Entre as iniciativas que contribuem para a maior eficiência, destaca-se a diversificação da matriz energética. Em 2020, a CBA se comprometeu com investimento em energia eólica em parceria com a Votorantim Energia e a Votorantim Cimentos.

Crédito de carbono
A CBA também está desenvolvendo um projeto de geração de crédito de carbono cujas ações de benefício serão realizadas no Legado Verdes do Cerrado (LVC), uma reserva particular de desenvolvimento sustentável, em Niquelândia, no Norte de Goiás, gerida pela Reservas Votorantim. 

A certificação do projeto sair até o primeiro bimestre de 2022 e a primeira emissão está estimada em 350 mil créditos de carbono. O programa terá duração de 30 anos.

“Os recursos arrecadados serão investidos prioritariamente no Legado Verdes do Cerrado, nas frentes de manutenção e conservação da biodiversidade, pesquisas científicas e programas de incentivos à nova economia, dentre outros”, reforça Faria.  

 Projetos nacionais ajudam no cumprimento da meta global
A multinacional de origem norueguesa Hydro apresentou a meta de redução de emissões de CO2 na ordem de 30% na totalidade de suas operações pelo mundo. No Brasil, a mudança da matriz energética da Alunorte, uma das principais iniciativas nesse sentido, considera critérios socioambientais de rentabilidade e de sazonalidade.

“Atualmente, produzimos alumina a 0,7 tCO2e/t do produto, enquanto a média da indústria é de 1,2 tCO2e/t. Seguimos comprometidos em liderar a sustentabilidade no setor e buscamos um portfólio consistente e diversificado para impulsionar a matriz energética da refinaria rumo a uma energia mais limpa”, detalha Domingos Campos, diretor de Sustentabilidade da companhia.

A Alunorte vai adaptar o processo de calcinação e parte da geração de vapor da refinaria para passar do óleo combustível ao gás natural. A substituição representará a redução de 700 mil t nas emissões de CO2. Espera-se que a conversão seja concluída até o final do primeiro trimestre de 2023. Nesse sentido, a empresa assinou em setembro de 2021 um contrato de 15 anos com a New Fortress Energy para o fornecimento de GNL.

A companhia também vai realizar uma pesquisa, em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), sobre o uso de placas solares na mina de bauxita em Paragominas (PA). Um dos objetivos é possibilitar a redução da evaporação da água dos reservatórios da planta, além de oferecer nova fonte de energia capaz de atender parte do consumo da mina. 

Para viabilizar o reaproveitamento dos rejeitos e resíduos de bauxita, a empresa firmou parcerias com instituições como a UFPA, Universidade de São Paulo (USP) e Instituto Senai de Inovação em Tecnologias Minerais (ISI-TM). Com isso, busca utilizar cerca de 500 mil t de resíduo anuais para a geração de novos produtos até 2030.

A Hydro ainda investe na recuperação das áreas mineradas que estão em constante aperfeiçoamento e conta com o suporte de projetos de pesquisas, visando à melhoria contínua das técnicas aplicadas, desenvolvidos pelo Consórcio de Pesquisa de Biodiversidade Brasil-Noruega.

“Acreditamos que existe uma maneira de conduzir a operação de modo responsável, sustentável e seguro, ou seja, que esteja combinado às ações de conservação da fauna e da flora, assim como à melhoria da qualidade de vida das comunidades nos territórios em que atuamos”, afirma o diretor de Sustentabilidade.

Modelo de negócio circular
A Novelis, companhia que atua nas áreas de laminação e reciclagem de alumínio, por meio do seu Grupo de Eficiência Energética estuda novos projetos de energia renovável, não só para melhorar a qualidade do fornecimento, mas também para colaborar com o meio ambiente.

Recentemente, a empresa também anunciou o compromisso global de sustentabilidade de longo prazo. O objetivo é tornar-se empresa neutra em emissões de carbono até 2050. Veja as metas:

  • Neutralidade de carbono até 2050;
  • 30% de redução na emissão de CO2 até 2026;
  • 20% de redução de resíduos para aterros até 2026;
  • 10% de redução na intensidade de energia até 2026;
  • Redução de 10% no consumo de água até 2026.

Segundo Eunice Lima, diretora de Comunicação e Relações Governamentais da Novelis América do Sul, a companhia tem o modelo de negócio baseado na economia circular, o que significa que as chapas de alumínio possuem conteúdo reciclado na manufatura.

“O total de conteúdo reciclado de todas as chapas produzidas é de 72,5%. Com a entrega de expansão da planta de Pindamonhangaba (SP), a capacidade de produção de laminados atinge cerca de 680 mil t/ano de produção de laminados e 490 mil t/ano de reciclagem”, declara a diretora.

Atualmente, a cadeia de reciclagem do alumínio é uma referência no Brasil e no mundo e também foi apresentada como de sucesso na COP-26. Alguns fatores de sucesso incluem:

  • Estruturação da reciclagem de alumínio como negócio;
  • Investimento industrial em capacidade de reciclagem;
  • Indústrias que absorvem todo o material coletado;
  • Valor agregado da sucata;
  • Logística reversa organizada;
  • Valor compartilhado por todos os elos da cadeia.

“É preciso pensar sobre o ciclo de vida de um produto desde a sua criação. A responsabilidade das empresas não termina quando elas vendem o produto. Sabemos que a responsabilidade da reciclagem deve ser compartilhada entre poder público, indústria e sociedade. A questão para reflexão é que se as partes não assumem a responsabilidade que cabe a elas, o custo será da sociedade. Ou seja, nesse caso quem pagará a conta será, infelizmente, o próprio planeta”, alerta a executiva.


Crédito da imagem de abertura: br.freepik.com

 

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