Demanda por sustentabilidade é oportunidade

Os canudinhos de plástico são os vilões da vez, mas leis e preferência do consumidor por materiais ecofriendly abrem portas para o alumínio


Desenvolver um modelo de negócio de impacto sustentável, transparente, que gere valor à sociedade e ao meio ambiente e que seja focado numa atuação em rede, como defendem alguns especialistas, tem sido o desafio do século para as empresas.

O bottom line da sustentabilidade prevê, justamente, que as organizações passem a olhar para questões econômicas, sociais e ambientais não meramente como um tema de compliance e cumprimento de leis e políticas, mas como uma virada de chave na forma de conduzir os negócios.

É praticamente um caminho sem volta: as empresas se adaptam a essas tendências, seja por modelo de negócio, por pressão dos consumidores ou devido à legislação. Um exemplo que elucida isso é a recente aprovação da primeira lei no Brasil que proíbe o uso de canudos plásticos em bares, restaurantes, quiosques e similares, implementada no Rio de Janeiro. O estabelecimento que descumprir a lei pode pagar multa de R$ 3 mil e, em casos de reincidência, R$ 6 mil. Como alternativa, a lei estabelece que sejam utilizados canudos produzidos com materiais recicláveis ou biodegradáveis. Outras cidades, como São Paulo e Ilhabela (SP), também querem instituir regras do tipo.

O movimento pelo fim da utilização de canudos plásticos tem adeptos por todo o mundo e, de acordo com a ONG Meu Rio, dez países já os aboliram. Seattle (EUA) passou a proibir, desde julho, o uso de utensílios feitos proveniente de petróleo em restaurantes, cafés e lojas de alimentação. Na natureza, seu tempo de decomposição pode demorar até duzentos anos para apenas poucos minutos de uso. Escócia e Reino Unido também pretendem banir o uso de canudos plásticos e outros itens feitos com o material.

Prefeitura do Rio de Janeiro sancionou lei que proíbe a distribuição de canudos plásticos em bares e restaurantes: regulamentações parecidas são discutidas em cidades como São Paulo e Ilhabela (SP)

Consumidores e ambientalistas têm condenado também a onda de plásticos descartáveis que, de modo geral, vai parar nos oceanos. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente estima que cerca de 8 milhões de t do material sejam despejados no mar todos os anos — o equivalente a um caminhão de lixo por minuto.

Acompanhando esse movimento, o Starbucks anunciou recentemente o fim do uso de canudos plásticos em todas as suas 28 mil unidades espalhadas pelo mundo até 2020. “A mudança no padrão de produção e, consequentemente, de consumo é fundamental para reduzir o problema que a gente tem com o lixo”, comenta Fernanda Daltro, gerente de Campanhas da ONU Meio Ambiente no Brasil.

Essa preocupação com o meio ambiente pode gerar oportunidades ao setor do alumínio — material que passa a ser uma das alternativas ao canudo de plástico. “O metal tem a maleabilidade de ser reciclado indefinidamente. A regulamentação força um movimento de que as empresas vão precisar se adaptar mais rapidamente a determinadas coisas”, avalia Fernanda.

Tendências nos próximos anos em embalagens
Em uma pesquisa da empresa de inteligência de mercado Mintel, que apresenta tendências para o setor de embalagens, critérios como preservação, automação, estética, sustentabilidade e confiança estão no topo das preocupações nos próximos anos.

Os pacotes têm o desafio de conseguir estender, cada vez mais, o frescor dos alimentos, além de preservar nutrientes e garantir uma entrega segura, informando ao consumidor os benefícios que a embalagem proporciona ao alimento. De acordo com a pesquisa, 50% dos compradores norte-americanos concordam que a embalagem certa pode ajudar a reduzir o desperdício de alimentos. No Brasil, são 56%. Ao ano, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês) estima que 1,3 bilhão de t de comida são desperdiçados no mundo anualmente.

Com relação à sustentabilidade, 36% dos australianos preferem produtos que são vendidos em pacotes ecofriendly. A pesquisa aponta que preocupações sobre eliminação segura de embalagens estarão cada vez mais presentes nas decisões de compra do consumidor.

Toda essa demanda de mercado favorece o segmento de alumínio, que, quando utilizado como embalagem de alimentos e bebidas, constitui uma barreira segura contra bactérias e contaminação, além de preservar as propriedades e proteger da luz solar, do oxigênio e da umidade. “A eficiência no uso do metal é muito melhor do que outros materiais, pelo fato de ter mais receptividade. Além disso, é possível fazer embalagens com design diferenciado”, afirma Carlos Morais, diretor de Reciclagem da Novelis.

No ramo lácteo, por exemplo, Luciana Pellegrino, diretora-executiva da Associação Brasileira de Embalagem (Abre), conta que, recentemente, o mercado de alumínio trouxe uma inovação ao criar uma embalagem que aumenta a vida útil do iogurte, preservando o seu frescor, mesmo sem refrigeração por algumas horas. “Feita de alumínio flexível laminado, essa solução reúne mais possibilidade de consumo e é ideal para lanche escolar ou passeios”, comenta.

Segundo a executiva da Abre, os consumidores estão cada vez mais exigentes e o desafio do setor está justamente em ouvir as demandas e criar projetos inovadores. Eventos como o Alufoil Trophy — organizado há trinta anos pela Associação Europeia para Folhas de Alumínio — incentivam isso. A primeira edição do prêmio na América Latina aconteceu durante o 8° Congresso Internacional do Alumínio e a solução láctea (imagem ao lado) foi uma das vencedoras.

Nas cervejarias artesanais, uma nova tendência que vem ganhando força é o crowler, sistema de envasamento que enlata o chope na hora em uma lata de alumínio e que tem a capacidade de manter a vida útil da bebida, sob refrigeração, por cerca de vinte dias. Marcelo Barbosa, sócio-proprietário da Growlers2Go, no Rio de Janeiro, tem começado a usar o crowler em seu negócio e os ganhos são dos dois lados: do estabelecimento, em competitividade e logística (por ser mais fácil de armazenar), e do cliente, em termos de praticidade e qualidade do produto. “O alumínio mantém o frescor e as propriedades da cerveja. É ideal para os clientes que experimentam nossa bebida nas torneiras e querem levar para casa ou presentear alguém”, comenta.


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