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Boas práticas do setor de alumínio são destaques em evento sobre economia circular

Ações da Nespresso e Novelis ganharam destaque no Encontro Economia Circular e a Indústria do Futuro, realizado em São Paulo pela CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) realizou ontem, 24 de setembro, em São Paulo, o Encontro Economia Circular e a Indústria do Futuro. Além de contar com a presença do governador paulista, João Doria, o evento recebeu diversos players dos setores público e produtivo, academia, organizações não governamentais (ONGs) e demais stakeholders para discutir maneiras de aplicar o conceito de economia circular no Brasil. O modelo é baseado no reaproveitamento do que é produzido, se opondo a descartes na natureza e à exploração de recursos naturais sem contrapartidas de recuperação.

O evento teve discursos de autoridades e painéis sobre a importância de políticas públicas, possibilidades de financiamento, apresentação de modelos de negócios já implementados, além de uma palestra especial da canadense Lorraine Smith, escritora e consultora para indústrias na área de sustentabilidade.

Lorraine, que pesquisa como as empresas globais estão caminhando para modelos mais sustentáveis, explicou que, mais do que circular, a economia deve ser regenerativa, capturando mais carbono do que emite, restaurando a biodiversidade e os ecossistemas e gerando qualidade de vida para a população.

A profissional citou a Novelis como um case positivo de empresa que incluiu práticas verdes na cultura organizacional. De acordo com Lorraine, a fabricante de laminados de alumínio estabeleceu metas agressivas para o aumento do uso de metal reciclado como matéria-prima dos seus produtos.  Em entrevista ao portal Revista Alumínio, Eunice Lima, diretora de Comunicação e Relações Governamentais da empresa, afirmou que, em 2018, a companhia alcançou a média global de 57% de insumos provenientes de reciclagem.

Outro case envolvendo o metal e abordado no encontro foi o da Nespresso, marca de café expresso da Nestlé. Claudia Leite, gerente de Criação de Valor Compartilhado, explicou como a empresa trata o tema. As doses de café são comercializadas em cápsulas de alumínio, que após o uso podem ser recicladas — a própria Nespresso mantém um centro de reciclagem em Barueri (SP), além de ter um programa de reaproveitamento que estimula a participação dos clientes.

As ações não se limitam à reciclagem das capsulas e do pó (que é transformado em adubo orgânico). A empresa se preocupa, por exemplo, com a produção do alumínio primário (feito pela primeira vez sem adição de material reciclado) usado nos produtos: em parceria com a Rio Tinto, elaborou um programa para rastrear toda a produção do metal utilizado — garantindo que tenha sido feito de maneira sustentável. Segundo Claudia, o conceito de economia circular deve eliminar desperdícios — e é por isso que a Nespresso oferece café em medidas individuais — e mudar a maneira como as empresas pensam todos os aspectos dos negócios.

CNI apresenta pesquisa sobre o tema
A CNI aproveitou o evento para divulgar dados de uma pesquisa feita junto a industriais brasileiros sobre economia circular. Mais de 76% das empresas adotam alguma prática de economia circular no País, porém, 70% não sabem que as iniciativas se enquadram nesse conceito. De toda forma, como a pesquisa teve caráter esclarecedor, ao fim do questionário, 88% avaliam a prática como importante ou muito importante para o setor nacional.

O estudo também mostra que as companhias já têm avançado em práticas como reúso de água, reciclagem de materiais e logística reversa (que contribuem para o uso mais eficiente de recursos), redução de custos e sustentabilidade do meio ambiente e da atividade produtiva.

“Esse é o caminho para a inserção do Brasil na economia de baixo carbono. Para isso, é imprescindível a ação articulada entre iniciativa privada, governo, academia e sociedade no sentido de criar novas formas de produzir e consumir”, afirma o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

O alumínio, vale ressaltar, é um material em linha com o modelo circular. Além de ser 100% reciclável, usando apenas 5% da energia elétrica necessária para a geração do metal primário, sua cadeia é comprometida com causas verdes. Na mineração, por exemplo, a terra é usada de maneira provisória e é devolvida recuperada, com a utilização de técnicas de manejo, essenciais para o solo após a lavra. Além disso, a cadeia de valor do alumínio brasileiro — da mineração à reciclagem — coloca no mercado produtos com pegada de carbono menor que a metade da média mundial.

Políticas públicas
O deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), que discursou na abertura do evento, afirmou que o Congresso Nacional está comprometido com a competitividade da indústria nacional, que precisa estar alinhada com o conceito circular.

Jardim preside a Frente Parlamentar pela Criação de Estímulos Econômicos para a Preservação do Meio Ambiente, que defende a implementação da chamada Tributação Verde, com estímulos tributários atrelados a práticas de sustentabilidade. A proposta inclui também o aperfeiçoamento da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em vigor desde 2010.

Crédito da imagem: Ivan Pagliarani

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