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ABAL 50 anos: entidade evolui junto com a indústria do alumínio no País

Trajetória da associação é marcada por desenvolvimento sólido, inovação e sustentabilidade

A Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) completa 50 anos neste 15 de maio de 2020. A data chega em um dos períodos mais desafiadores da história mundial, mas não pode — e nem deve — deixar de ser celebrada.

A entidade tem a peculiaridade de representar uma cadeia produtiva longa, complexa e estratégica para o cenário econômico, com início na mineração de bauxita (o País possui a quarta maior reserva do mundo) e término nos produtos transformados, com soluções para os setores de construção civil, transportes, embalagens e energia, entre outros.

O início de tudo
Apesar de sua relevância, a indústria do alumínio é relativamente nova no Brasil, com começo de produção — ainda incipiente — na década de 1940, a partir do pioneirismo de empresas como a Eletro Química Brasileira (Elquisa), Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) e a Laminação de Metais Clemente.

Na década seguinte, a canadense Aluminium Limited, a Alcan, foi a primeira multinacional a atuar no mercado interno, quando adquiriu a Elquisa para a produção de alumínio primário e produtos transformados.

Já a Aluminium Company of America (Alcoa) ingressou no mercado brasileiro na década de 1960, com a compra da Companhia Geral de Minas, detentora de jazidas de bauxita em Poços de Caldas (MG). A empresa integrou a mineração, refino e a produção de alumínio primário.

Nesse período, a Alcan descobriu grandes reservas comerciais de bauxita na Amazônia, quando fundou a Mineração Rio do Norte (MRN), um dos primeiros projetos industriais de grande porte da região — depois, adquirida por outras empresas.

Nasce a ABAL
Foi logo após esse período de instalação das primeiras empresas que nasceu a ABAL, em 1970. A associação reunia seis empresas, entre produtores primários e transformadores de alumínio, as quais precisavam discutir os interesses comuns e ter uma representação junto ao governo e demais stakeholders.

Ayrton Filleti, presidente-emérito da entidade, conta que a ABAL acompanhou a evolução do setor em um período bastante promissor para o estabelecimento de empresas internacionais de mineração e de produção de alumínio primário, em razão do custo competitivo de energia elétrica.

“A ABAL teve um papel fundamental em conseguir aglutinar todas as empresas entrantes no território brasileiro, sendo sua porta-voz junto aos órgãos governamentais”, lembra.

Milton Rego, presidente-executivo da ABAL, comenta que os trabalhos com o alumínio tinham surgido na América do Norte, Europa e Japão, e começavam a apresentar potencial no País.

“Tivemos grandes investimentos até uma década atrás [na crise de 2009], quando poucos recursos foram destinados para a transformação e não mais para a produção de alumínio”, explica.

Energia no Norte do País
Ciente do potencial do metal, o governo brasileiro desejava ter um grande projeto para a bauxita ficar no País, sendo processada e agregando valorem terras brasileiras. Como a produção de alumínio está atrelada à disponibilidade de energia elétrica, essencial para a transformação de alumina em alumínio, viu-se também a possibilidade de construção da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, empreendimento que geraria energia mais barata para a região, abastecendo as indústrias e também a população. A obra ficou pronta em 1984.

“Antes, em Belém e Manaus, todo mundo utilizava motor gerador, uma energia caríssima. Era necessário ter uma fonte de energia mais barata e adequada”, lembra o engenheiro e historiador Victorio Siqueira.

Com isso, os governos brasileiro e japonês, com a participação da Vale do Rio Doce (CVRD), fecharam um acordo, em 1978, para estabelecer a Alunorte, em Barcarena (PA), companhia que só viria a operar em 1995, devido à crise no mercado.

Usina Hidrelétrica de Tucuruí, no Pará: criada em 1984, foi concebida para gerar energia para a população local e também para o setor de alumínio

Nesse meio tempo, em 1985, também teve início a operação da Albras, a partir de um consórcio entre Nippon Amazon Aluminium Co – NAAC e CVRD, com previsão para a construção da Usina de Tucuruí. Em 2011, a Hydro comprou ambos os negócios de alumínio da CVRD.

Desafio técnico
Na época da fundação da ABAL, não havia muitas informações sobre o alumínio disponíveis para o mercado ou no meio acadêmico.

“Justamente por ser um metal jovem, uma das grandes dificuldades que enfrentamos foi trazer o conhecimento técnico para as pessoas que trabalhavam no dia a dia, e também para a formação de mão de obra”, explica Milton Rego.

A entidade desempenhou papel importante nesse sentido e também na disseminação dos benefícios que o metal proporcionava para a sociedade.

“A divulgação das tecnologias de produção de ligas, processos de manufatura, nos mais variados aspectos para a obtenção de produtos que atendam importantes aplicações, são a marca registrada da atividade técnica da ABAL”, ressalta Filleti.

Soma-se a isso, a divulgação das características de reciclabilidade do alumínio e os aspectos técnicos na coleta e recuperação do metal descartado.

“Essa foi à força motriz para o marcante volume de material reciclado nos dias atuais”, reforça o presidente-emérito.

Novas tecnologias
À medida que a indústria brasileira de alumínio se desenvolvia, novas tecnologias foram sendo incorporadas, o que possibilitou atender, de forma gradativa, novos setores além da construção civil, tais como transportes, embalagens, energia e entre outros.

“Com a inauguração da fábrica da Alcan, em Pindamonhangaba (SP), em 1977, houve uma virada de tecnologia incrível. Com toda a modéstia, desenvolveram praticamente todas as tecnologias de alumínio no Brasil. Tudo que há hoje de alumínio foi feito com o suporte vindo do Canadá, que foi disseminado sem que a Alcan soubesse que isso fosse acontecer, sendo uma escola para outras empresas”, declara Filleti.

 

A ABAL reúne empresas associadas que representam 100% dos produtores de alumínio primário, além de transformadoras de alumínio, consumidoras de produtos de alumínio, fornecedores de insumos, prestadores de serviços, comerciantes e recicladores do metal

A ABAL hoje
Atualmente a ABAL atua por meio de 16 comitês Técnicos e de Mercado, com a participação aproximada de 200 integrantes, abordando os diferentes desafios relacionados à competitividade, energia, tributação, inovação e sustentabilidade.

Em 2018, a associação lançou a Rota Estratégica do Alumínio 2030Roadmap, a fim de promover a maior competitividade da indústria do metal no Brasil.

“A ABAL goza de uma reputação forte em todos os ambientes em que temos a oportunidade de transitar. O fato de representar toda a cadeia do alumínio traz uma força que dificilmente é vista em outras associações. Construímos um legado muito poderoso e isso tem sido reconhecido”, afirma Otávio Augusto Rezende Carvalheira, presidente do Conselho Diretor da ABAL e da Alcoa no Brasil.

Ao longo desses 50 anos, a entidade foi além das fronteiras do Brasil, representando a indústria nacional do alumínio no International Aluminium Institute (IAI), além de se filiar à Aluminium Stewardship Initiative (ASI), organização global que criou um programa com critérios e padrões para produção, uso e reciclagem de alumínio.

Recentemente, a ABAL foi convidada para integrar o Conselho Setorial de Mineração. Na avaliação de Milton Rego, essa reputação se formou com a participação efetivas das empresas associadas e dos profissionais que presidiram a associação.

“A entidade envolve um trabalho colaborativo. Até pouco tempo, os presidentes-executivos da ABAL eram os próprios dirigentes das empresas associadas. Todas essas pessoas entendiam que era importante a criação e manutenção de uma sociedade forte, firme e sustentável”, enaltece.

Pandemia
Durante sua trajetória no País, a indústria do alumínio já enfrentou muitos desafios, com diferentes planos econômicos e crises políticas. Agora o setor vive as incertezas da pandemia do novo coronavírus.

“É uma situação bem difícil, talvez a mais complicada que o Brasil já enfrentou. As empresas do setor estão se ajustando. É prematuro dizer como será no futuro e estamos trabalhando no sentido de dar suporte para as empresas e de ser o canal de discussão de problemas e soluções junto aos governos”, explica Milton Rego.

 Na visão de Carvalheira, o setor já vinha há mais de uma década enfrentando desafios, desde a crise financeira de 2008.

“A ABAL tem totais condições de suportar a indústria para sairmos dessa crise mais forte do que entramos. O momento exige redefinição de prioridades e nova forma de atuação para o crescimento sustentável do setor”.

Depoimentos dos associados:

“A ABAL tem tido um importante papel de articuladora para a inovação na indústria do alumínio, fomentando parcerias intersetoriais para a geração de valor tanto para os produtores, transformadores, pesquisadores como para a sociedade como um todo, posicionando o alumínio como o metal do futuro pelos seus atributos de resiliência, versatilidade e sustentabilidade, por ser infinitamente reciclável”.
Ricardo Carvalho
Diretor-presidente da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA)

“Ao manter-se atuante nessas cinco décadas em temas transversais que influenciam nos rumos da indústria de alumínio, a ABAL fortalece a cada ano sua presença institucional, com relevantes frentes de apoio para o setor nesse período, como por exemplo, a melhoria do ambiente regulatório e a ampliação de parcerias público-privadas com o propósito de modernizar a infraestrutura logística, contribuindo para fortalecer a competitividade dessa indústria”.
Vladimir Moreira
Diretor de Sustentabilidade da Mineração Rio do Norte (MRN)

Nos últimos 50 anos, pudemos acompanhar diversas mudanças políticas e econômicas no cenário nacional e global que ajudaram a transformar a sociedade e a desenvolver o mercado. Frente a essas mudanças extremamente desafiadoras, a atuação estratégica da ABAL foi fundamental para que o setor ganhasse destaque na representatividade junto ao governo, na vanguarda da inovação tecnológica e na promoção das vantagens da utilização do alumínio em uma ampla gama de produtos presentes em nosso dia a dia. A indústria de alumínio é uma referência em termos de sustentabilidade, com empresas que atuam alinhadas com o moderno conceito de economia circular. Com profissionais competentes, ao longo desses 50 anos, a ABAL vem buscando soluções e parcerias para alavancar o desenvolvimento e a competitividade do setor. A entidade foi e continua sendo essencial para fortalecer o posicionamento dessa indústria tão importante junto a diversos setores como de embalagens, automotivo, transporte e construção civil, entre outros. Para nós, da Novelis, é uma honra fazer parte dessa história de sucesso e esperamos continuar atuando lado a lado da ABAL para o crescimento do mercado de alumínio no Brasil. 
Francisco Pires
Presidente da Novelis na América do Sul

“A Hydro parabeniza a ABAL pelo seu 50º aniversário e por toda a contribuição da associação para o desenvolvimento da indústria do alumínio. O Brasil possui um dos pólos mais relevantes para a nossa indústria no mundo, sendo de vital importância para a cadeia produtiva global de alumínio. Uma associação representativa e ativa, como a ABAL, é essencial para que o setor tenha a relevância adequada, garantindo a participação nas principais discussões e a visibilidade das suas contribuições para o país. Ao mesmo tempo, uma associação forte gera conhecimento e inteligência para seus membros, fornecendo dados de estudos e estatísticas, além de promover o aprendizado e o desenvolvimento de capacidades. A ABAL evoluiu constantemente, agregando novos membros, integrando o setor, ganhando representatividade em diversas esferas e levando uma voz unificada nas decisões mais relevantes para a indústria. Especialmente em circunstâncias desafiadoras, como a pandemia da  Covid-19, a atuação da ABAL tem sido fundamental, fornecendo orientação e garantindo que a voz do setor seja ouvida. Estamos felizes em fazer parte da história da ABAL e queremos contribuir para um futuro brilhante e realizado!”
John Thuestad
Vice-presidente executivo da Hydro

Acesse o hotsite de 50 anos da ABAL.

 O Centro Cultural do Alumínio (CCAL) registrou, em vídeo, depoimentos de profissionais importantes para a história da ABAL, incluindo ex-presidentes. Confira!

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