Alumínio e gastronomia: receita que dá certo!

Chef Alex Atala aposta no alumínio para oferecer serviço de marmitas

O alumínio está presente em embalagens de diversos produtos do setor de alimentos e bebidas. A lista é extensa e variada. Além das tradicionais latinhas, ele é usado em embalagens nos formatos bisnaga (tubos laminados), stand-up pouch (sachê para embalagens de alimentos, higiene e limpeza) e stick pack (sachês de porções individuais). Também é empregado nas embalagens longa vida (cartonadas assépticas) para leites e derivados e em lacres de tampas de iogurtes, águas minerais e manteigas. Há ainda as screw caps (tampas de rosca de alumínio), que substituem as rolhas de cortiça nas garrafas de vinho e também servem para azeites, aguardentes etc. Cresce também o número de restaurantes e outros estabelecimentos do segmento que vêem adotando as embalagens de alumínio para acomodar os pratos e produtos vendidos via delivery ou retirados na hora pelos clientes.

Um bom exemplo é o caso do Mercadinho Dalva e Dito, empório anexo ao restaurante homônimo, do renomado chef Alex Atala, localizado na capital paulista, que inaugurou o seu serviço de marmitas em março deste ano. De segunda a sexta-feira, os clientes podem comprar refeições preparadas na cozinha do restaurante e disponíveis em dois formatos: individual, com 400 g, e, para duas pessoas, com 800 g. São adquiridas, em média, 450 unidades de embalagens por mês. Com a tampa e a bandeja de alumínio, os modelos fazem alusão àquelas marmitas preparadas em casa e levadas para o local de trabalho, prática muito comum há algumas décadas no Brasil. “Escolhemos as embalagens de alumínio não só pelo lado nostálgico, mas, principalmente, pelo caráter sustentável do material, já que ele pode ser reaproveitado e reciclado inúmeras vezes”, destaca Luciana Silva, diretora de Operações do Grupo D.O.M, de Alex Atala.

Para estimular o reaproveitamento e o descarte consciente, os clientes têm a opção de devolver a marmita — desde que esteja em bom estado — e ganhar um desconto na compra da próxima refeição. As embalagens devolvidas passam por uma triagem. Se aprovadas, são esterilizadas e novamente utilizadas. Segundo Luciana, em torno de 50% dos clientes já aderiram à iniciativa e levam as marmitas quando retornam ao empório.

Resistência e praticidade para o varejo alimentar

No fim de 2016, a fabricante de embalagens Wyda lançou a linha food service, com opções que atendem restaurantes, rotisseries, padarias e butiques de carne, entre outros. De acordo com Antônio Cândido de Mello Carvalho, gerente nacional de Vendas e Marketing da marca, os produtos da linha unem a qualidade e a praticidade das bandejas de alumínio à funcionalidade das tampas PET, transparentes e produzidas com vincos especiais que lhe conferem alta resistência, facilitando a impressão de logomarcas.

Em 2017, o portfólio da Wyda foi mais uma vez ampliado. “Fomos pioneiros ao trazer para o mercado brasileiro as bandejas smoothwall, já bastante utilizadas em outros países pelo chamado varejo alimentar”, relata Carvalho. As bandejas atendem o nicho conhecido como ready to cook (pronto para cozinhar, na tradução em português), pois são ainda mais resistentes e têm design arrojado, podendo ser levadas ao forno (convencional e micro-ondas) e, na sequência, diretamente à mesa.

A Wyda fabrica quatro modelos smoothwall, vendidos em caixas com 25 bandejas de alumínio e 25 tampas PET. As embalagens são comercializadas a distribuidores especializados, mas a empresa já atende diretamente alguns clientes finais. “Em São Paulo, fornecemos, por exemplo, para o Grupo Bloomin’ Brands, dono de marcas como Outback e Flemings, e para o restaurante Adega Santiago, especializado em culinária ibérica”, complementa Carvalho.

Por que o alumínio?
A pedido de Alumínio, Cláudio Leite, gerente-comercial da Novelis, e Nataly Yoshino, gerente de Contas Estratégicas de Embalagens da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), elencaram as principais vantagens do alumínio para o segmento alimentício e de bebidas quando comparado a outros materiais, como o isopor. A Novelis fabrica chapas e folhas de alumínio para latas de bebidas e de alimentos e embalagens descartáveis, entre outros itens. A CBA, por sua vez, atua no ciclo completo de produção do alumínio, desde o início, com a extração da bauxita, até a fabricação de produtos transformados, como as folhas de alumínio de 6 microns e 220 microns usadas como tampas de bebidas.

Como explica o gerente-comercial da Novelis, o alumínio é extremamente flexível, o que possibilita o desenvolvimento de embalagens modernas e personalizadas. Nataly, da CBA, acrescenta: “Há flexibilidade geométrica, ou seja, o alumínio pode ser moldado nos mais diversos formatos”. Leite também comenta sobre a cor natural do alumínio como um elemento de diferenciação. “Sua cor natural confere um aspecto premium às embalagens, agregando valor às marcas e aos restaurantes e outros estabelecimentos do setor que as utilizam”.

Outras vantagens apontadas pelos especialistas dizem respeito à segurança. De acordo com a profissional da CBA, o alumínio atua como barreira contra a luz, o oxigênio e a umidade. “Ele protege as propriedades naturais dos produtos embalados, como o aroma, o sabor e a coloração originais, evitando o uso de conservantes, garantindo a vida útil dos produtos e diminuindo o desperdício”. Leite ainda pontua: “As embalagens de alumínio com sistemas de abertura easy open e peel off são muito mais suaves e aumentam a
segurança do manuseio para o usuário final”.

Ambos relembram que o alumínio é infinitamente reciclável e sua reutilização é possível sem que haja qualquer perda da qualidade material. “As embalagens flexíveis de alumínio trazem ótimas perpectivas em função do custo-benefício associado à sustenbilidade e ao cuidado com o meio ambiente”, enfatiza Nataly. O impacto ambiental positivo do alumínio chega também à etapa de distribuição dos produtos. “Como o alumínio é leve e resistente, há redução dos custos de transporte e a consequente diminuição da pegada de carbono do produto, ou seja, as emissões de gases de efeito estufa (GEE) direta ou indiretamente relacionadas a ele”, ressalta Leite.

Reciclagem do alumínio: indo além das latinhas

A produção de café expresso caiu no gosto dos brasileiros e é cada vez mais encontrada em residências e estabelecimentos comerciais distintos. Isso porque há várias empresas atuando nesse segmento no País, fornecendo máquinas específicas e café moído e envasado em cápsulas de alumínio. A mais nova marca a ingressar nesse nicho é a Pilão, que lançou sua primeira linha de cápsulas de café, certificadas pelo UTZ, programa internacional de certificação do setor cafeeiro. A escolha do alumínio é estratégica – além do alto potencial de reciclabilidade, o material garante a melhor extração do café e a conservação dos aromas.

Outra marca presente no Brasil é a Nespresso, da Nestlé. Desde 2011, a empresa mantém um programa de reciclagem no País que funciona graças a uma estratégia combinada de coleta. Como conta Cláudia Leite, gerente de Cafés e Sustentabilidade da empresa, para os clientes corporativos de São Paulo e do Rio de Janeiro, há a opção de entrega e coleta programadas. “A Nespresso faz a entrega do pedido e aproveita para recolher as cápsulas usadas. Já alcançamos cerca de 150 clientes corporativos – restaurantes da alta  gastronomia, grandes redes hoteleiras e escritórios de empresas de vários setores. Mantemos ainda a rota dedicada de reciclagem, cuja coleta acontece em dias específicos em mais de oitenta clientes corporativos, sem nenhum custo adicional”, explica. Até o fim de 2018, o serviço de reciclagem para clientes corporativos será expandido para Brasília e Belo Horizonte.

Todo o material coletado, incluindo as cápsulas devolvidas por consumidores nos postos de coleta da empresa, é encaminhado para o centro de reciclagem da Nespresso, em Barueri (SP).

Após ser separado do pó de café residual, o alumínio é encaminhado à empresa parceira Suzaquim, em Suzano (SP), que o transforma e garante outras aplicabilidades ao material. A Nespresso tem o compromisso global de assegurar a possibilidade de reciclagem para 100% dos clientes até 2020. Em Portugal, a taxa de reciclagem das cápsulas de alumínio aumentou em 50% nos últimos dois anos. Para Cláudia, no caso específico do Brasil, o maior desafio está na viabilização da operação logística, tendo em vista as dimensões continentais do País. De 2016 a 2017, a reciclagem das cápsulas Nespresso vendidas no mercado brasileiro passou de 8,6% para 13,3%. “A tendência observada nas últimas medições é que esse número continue crescendo. Temos intensificado o diálogo com nossos consumidores e sabemos que a maior parte dos clientes da nossa linha profissional compartilha dos mesmos valores da Nespresso e compreende a relevância do tema.”

Visita ao Centro de Reciclagem
Em maio, a Nespresso iniciou o programa de visitas ao seu centro de reciclagem, localizado em Barueri (SP). As visitas fazem parte da campanha de criação de valor compartilhado da empresa. Com duração de noventa minutos, o trajeto inclui a visitação da área que realiza a separação do pó de café e do alumínio dentro de um maquinário de desenvolvimento próprio. As inscrições podem ser feitas em: www.nespresso.com/nec/curso/tour-centro-de-reciclagem.


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