ABAL debate perspectivas políticas e econômicas para o Brasil

Evento contou com palestras de analista e economista, além de discussões setoriais


Publicado no dia 25 de abril de 2019, às 18h13

A Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) reuniu, no dia 24 de abril, dezenas de associados no Centro de Convenções Pullman, em São Paulo, para o ABAL Insights – Governo e Economia. Aproveitando o marco de cem dias do governo Jair Bolsonaro, completados neste mês, a entidade organizou o evento a fim de discutir as recentes questões políticas e perspectivas econômicas em curto prazo.

Para isso, convidou dois especialistas para ministrar palestras: o analista político Antônio Queiroz, diretor de Documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap); e o economista Fernando Sampaio, hoje na LCA Consultores e com artigos assinados na Folha de S. Paulo, Gazeta Mercantil e Jornal do Brasil.

Mudanças de paradigma
Para Queiroz, com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, houve alteração do paradigma ético-moral brasileiro, com a criação das leis de acesso à informação, transparência e ficha limpa, dentre outras. Isso mudou a relação do Estado com a sociedade e mercado: qualquer desvio das autoridades nesse sentido leva, automaticamente, ao prejuízo às suas imagens, seguido de responsabilização civil e penal.

Para o analista, dono de grande trânsito em Brasília, houve também mudança no paradigma liberal-fiscal: não há mais espaço, como nos últimos governos, para grandes intervenções do Estado na economia. Aos líderes do Executivo cabe, agora, garantir contratos e propriedades. Há ainda uma exigência muito maior por responsabilidade fiscal.

“Independentemente de quem for o governante, ele terá de se adequar”, afirma Queiroz. “Por outro lado, com menor interferência do Estado na livre-iniciativa, aumenta-se a responsabilidade das empresas, especialmente quanto ao meio ambiente e aos direitos humanos. O mercado terá de se autorregular, cumprindo as legislações para, lá na frente, não ter de reparar danos”, afirmou.

O especialista destacou ainda a necessidade que o governo tem de cumprir a agenda de reformas. Segundo ele, só assim o Brasil voltará à rota do crescimento. “O ambiente é muito favorável, mas dependerá muito da habilidade política do governo para calibrar os textos propostos, explicando à população a necessidade e urgência das mudanças, além de compor a unidade da base de apoio no Congresso”, resumiu.

Otimismo cauteloso
De acordo com o economista Fernando Sampaio, a retomada dos bons índices econômicos deve acontecer de maneira bastante lenta. “A inflação está sob controle, isso facilita, mas a incerteza política ainda emperra uma recuperação mais rápida”, disse.

Caso a relação do governo com o Congresso melhore e as reformas, mesmo que em versões menos ambiciosas do que as propostas, sejam encaminhadas, a expectativa é de que a atividade econômica, a partir do segundo trimestre, melhore. “O desempenho nesse começo de ano foi bastante decepcionante. Para o restante do ano, o que se espera é que haja um ritmo moderado, mas positivo. O otimismo cauteloso deve orientar as decisões de negócios das empresas dentro desse horizonte”, aconselhou.

Setor em pauta
Antes das palestras citadas, abriu-se espaço para uma breve discussão setorial. Falando em nome do Conselho-Diretor da ABAL, Ricardo Rodrigues de Carvalho, da CBA, comemorou o aumento no consumo de alumínio em 2018. Milton Rego, presidente-executivo da associação, repassou algumas das principais ações contidas na Rota Estratégica da Cadeia Brasileira do Alumínio 2030, o roadmap, lançado no ano passado, detalhando ações já executadas no sentido de cumpri-lo.

Como a ABAL quer focar em ações de saúde e segurança dentro do segmento do alumínio, Willian Matsuo, assessor técnico da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), apresentou um case de sucesso de sua associação na área, o Programa de Atuação Responsável.


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