Maior consumidor de alumínio no Brasil, setor de embalagens vai além das latas

Mercados de alimentos e bebidas impulsionam o uso do metal. Segmentos farmacêutico e de higiene e beleza ganham espaço


Quando o assunto é embalagem de alumínio, logo pensamos em latas de bebidas, certo? Mas o universo de aplicação é extenso, de flexíveis ou não flexíveis a laminadas, o segmento de Embalagem é o maior consumidor de alumínio no País, com viés de crescimento. É o que mostra a pesquisa consolidada pela Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) sobre o consumo doméstico de produtos transformados desse metal no primeiro semestre, com incremento de 11% — com um volume de 287,9 mil t — em comparação ao mesmo período do ano passado.

Fernando Wongtschowski, da CBA: crescimento do alumínio em embalagens reflete tendência de consumo em todo o mundo (Crédito: divulgação)

“O crescimento reflete uma tendência em relação aos hábitos de consumo em todo o mundo, como a busca por mais conveniência, saudabilidade e, sobretudo, redução dos impactos ambientais”, explica Fernando Wongtschowski, gerente de Estratégia Comercial e de Marketing da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA). “O resultado é o crescimento da utilização do alumínio, impulsionado, principalmente, pelo mercado de bebidas.”

Em entrevista recente ao portal Revista do Alumínio, Ana Paula Gilsogamo, especialista de Alimentos e Bebidas da Mintel, comentou que os brasileiros estão cada vez mais preocupados em consumir produtos cujas embalagens evidenciem a saudabilidade e sejam produzidas com materiais sustentáveis — tudo a ver com o alumínio!

Guilherme Superbia, gerente de Excelência Comercial e Marketing da Novelis, também concorda que um dos principais fatores que alavanca a indústria do alumínio é a alta demanda por latas para o segmento de bebidas, principalmente cervejas e refrigerantes. “A lata é a embalagem mais conveniente para o varejista e consumidor”, afirma. “É fácil de ser transportada e armazenada, pode ser levada a qualquer lugar, e é infinitamente reciclável. E por todos esses fatores, a expectativa é que esse segmento continue crescendo no Brasil.”

O alumínio mostra-se como uma das opções mais adequadas para atender a indústria de embalagens porque é:
– Leve
– Durável
– Resistente à oxidação
– Barreira excelente contra fatores externos
– Infinitamente reciclável

“A aplicação do alumínio nas embalagens reduz a necessidade do uso de conservantes, preserva o frescor dos ingredientes e prolonga o prazo de validade, além de aceitar a combinação com outros substratos flexíveis, permitindo a produção de laminados extremamente finos e eficazes”, explica Wongtschowski, da CBA.

Ainda de acordo com o gerente da CBA, entre os setores que mais consomem embalagens de alumínio, nos seus diversos formatos, estão Alimentos e de Bebidas; farmacêuticos; e higiene e beleza. Os principais produtos envasados são cervejas (em latas); refrigerantes e sucos; e produtos lácteos, como leite, leite condensado, achocolatado e creme de leite.

“As aplicações são inúmeras, como por exemplo, as embalagens flexíveis para café, chocolates e balas”, comenta Wongtschowski. Já os setores Farmacêutico e de Higiene e Beleza utilizam embalagens impactadas como bisnagas e tubos de alumínio para aerossol, e embalagens flexíveis — blisters e strips.

Embalagem do tipo ‘blister’: utilizada pela indústria farmacêutica, protege o medicamento de ações externas de contaminação e fraciona com segurança (Crédito: stock.adobe.com)

Possibilidade de estilização
Luciana Pellegrino, diretora-executiva da Associação Brasileira de Embalagem (Abre), destaca que a cerveja, em especial, apresentou crescimento importante neste ano. “As marcas realizaram várias campanhas promocionais, como a que faz alusão à NBA, liga de basquete norte-americana, e também à diversidade, envolvendo tanto as questões regionais como de gênero”, conta. “Isso mostra o dinamismo do setor e a capacidade de gestão flexível para investir em campanhas que fortalecem o vínculo com os consumidores”, complementa.

Embalagem do chá Tea 4u, da Danone: está entre as vencedoras na categoria “Design gráfico” do Prêmio Abre da Embalagem Brasileira 2019 (Crédito: Divulgação)

No segmento de Bebidas Não Alcoólicas, a diretora-executiva da Abre destaca um dos lançamentos recentes do mercado, a linha de chás da Danone – Tea 4u. A embalagem de alumínio está entre as vencedoras na categoria “Design gráfico” do Prêmio Abre da Embalagem Brasileira 2019. As opções de latas do produto apresentam ilustrações de diferentes personas com óculos divertidos, alusivos ao sabor, com cores vibrantes e traços bem-humorados. “Apesar de ainda ser uma tiragem pequena, é um lançamento importante para o mercado.”

Outras possibilidades
Superbia, da Novelis, também aponta como segmentos importantes os slugs, utilizados na fabricação de embalagens para desodorantes e pomadas; e embalagens semirrígidas, ideais para alimentos, mais conhecidas como marmitas de alumínio.

Bandejas smootwall, da Wyda: podem ser levadas ao forno e, depois, servidas à mesa (Crédito: Divulgação Wyda)

O segmento de Chapas para latas de bebidas demonstra um enorme potencial de crescimento, principalmente devido ao fator sustentabilidade. “Nos Estados Unidos, já observamos a lata de alumínio em embalagens de garrafas de água. Essa tendência de substituição do plástico está se tornando muito forte, e o alumínio mostra-se como a melhor alternativa do ponto de vista de sustentabilidade”, conta Superbia.

Embalagens de alumínio para água da Ever & Ever: vendidas nos Estados Unidos, são alternativas às garrafas plásticas (Crédito: Bloomberg)

Embalagens flexíveis
Para Antônio Parra, diretor Comercial e de Suprimentos da EFD – Embalagens Flexíveis Diadema, as vantagens das embalagens fabricadas com alumínio estão relacionadas principalmente à barreira, isto é, a capacidade de embalar os produtos com a garantia de que estarão totalmente íntegros e em condições de utilização dentro dos diversos prazos de validade exigidos por cada produto ou mercado. “Outra característica é a estética, o que inclui a possibilidade de impressão em diversas cores e com os mais variados efeitos”, destaca.

Ainda segundo Parra, as embalagens do tipo stand-up vêm se consolidando ano a ano como uma excelente substituta para as rígidas como latas, frascos de vidro ou mesmo materiais plásticos ou cartonados. Isso devido às características de excelente visualização nas gôndolas dos supermercados, conservação e também economia no transporte — por serem entregues em bobinas e não em embalagens unitárias.

O diretor da EFD conta que esse tipo de embalagem foi introduzido no Brasil em meados dos anos 1990, com baixa aceitação, inicialmente, em função de características do mercado na época, como o comportamento conservador do consumidor. “No entanto, as possibilidades de crescimento atualmente são enormes, principalmente nos mercados de Cosméticos, Personal Home Care, Pet Food e Alimentos, entre outras”, afirma.

O alumínio, visto como opção de “barreira universal”, sempre terá um destaque relevante no mercado de embalagens, flexíveis ou não, monomaterial ou laminadas. Parra diz que as novas necessidades associadas ao meio ambiente, possibilidades de reciclagem e economia circular devem ser consideradas no futuro próximo. No entanto, o profissional pondera: “Estimamos um crescimento anual superior a 5% nos próximos anos”.

 

Investimentos
Tanto a CBA como Novelis seguem investindo nos seus mercados de atuação, apesar das dificuldades enfrentadas no País atualmente. De acordo com o gerente da CBA, Wongtschowski,, a economia brasileira crescerá abaixo do esperado em 2019 e, ao mesmo tempo, há um aumento expressivo da entrada de produtos importados da China.

“Apesar desse cenário, estamos investindo na melhoria dos serviços e soluções com o alumínio, incluindo a qualidade de nossos produtos, fazendo com que as projeções de produção sejam equivalentes às do ano anterior”, diz.

Em 2018, a CBA apresentou o melhor resultado em relação aos três anos anteriores, proporcionado pelas exportações de produtos transformados e aumento das vendas a clientes estratégicos. Foram produzidas 102 mil toneladas de produtos transformados, o que representou ampliação de 7% em relação a 2017.

Já a Novelis acredita no potencial do País e segue investindo em sua maior operação na região, em Pindamonhangaba, interior de São Paulo. “Vamos acompanhar as movimentações do mercado e temos uma boa expectativa quanto ao crescimento do consumo nos segmentos em que atuamos em 2019 e 2020”, reforça Superbia. “Sabemos que o mercado brasileiro ainda passa por um momento de ajuste econômico, mas acreditamos na evolução e consolidação desse cenário.”

Vinícolas de olho no metal
Wongtschowski, gerente da CBA também acredita que o alumínio vem sendo empregado de forma inovadora em produtos que tradicionalmente são envasados em outros tipos de embalagem. “É o caso dos vinhos, que, na Argentina e Chile, já são vendidos em caixas assépticas e agora chegam também ao mercado brasileiro nesse tipo de embalagem.”

Outro caso emblemático é o da água. “Tradicionalmente vendida em embalagens PET — polietileno tereftalato—, o líquido começa a chegar ao mercado em latas e embalagens cartonadas de alumínio, produzidas por algumas marcas.”

 

 

 


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