Descolado do PIB, consumo de alumínio cresce no primeiro semestre

Expectativa do setor é retornar ao patamar de 2013, quando houve pico de consumo com 1.513 mil t


A pesquisa sobre o desempenho do consumo doméstico de produtos transformados de alumínio no primeiro semestre, consolidada pela Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), revelou um crescimento de 7,5% – com volume de 731,8 mil t –, quando comparado ao mesmo período de 2018. Segundo o levantamento, o consumo de produtos de origem nacional foi de 626,1 mil t (alta de 7%), contra 105,7 mil t de produtos importados (alta de 10,4%).

Historicamente, o consumo de alumínio apresenta um crescimento até duas vezes maior que o Produto Interno Bruto (PIB), mas segue em ritmo forte em 2019 – mesmo com a previsão de crescimento revista de 10% a 12% para 9% neste ano.

A perspectiva também é boa quando comparada a mercados concorrentes, como o aço, por exemplo, cujo consumo de igual modo reavaliado para baixo deve crescer 4,1% em relação a 2018. Já o setor de plástico, que teve desempenho abaixo do esperado no ano passado, tem previsão de alta de 5% na demanda de produtos transformados.

“Essa previsão de 9% para 2019 pode parecer boa, mas iniciamos o ano achando que o mercado cresceria dois dígitos. Ao longo do ano, as nossas expectativas foram diminuindo. No entanto, se alcançarmos esse valores, chegaremos aos mesmos patamares de 2013, que foi recorde para o mercado de alumínio brasileiro”, destaca o presidente-executivo da ABAL, Milton Rego.

Alta do 1º semestre foi impulsionada principalmente pelas chapas, cujo consumo cresceu 16%, refletindo o comportamento do segmento de embalagens, principal consumidor do metal no Brasil (Imagem: navintar/stock.adobe.com)

De acordo com a pesquisa da ABAL, a alta no primeiro semestre foi impulsionada principalmente pelas chapas, cujo consumo cresceu 16%, refletindo o comportamento do segmento de embalagens, principal consumidor do metal no Brasil, que também apresentou aumento de 11%. Nesse contexto, o mercado de latas de alumínio segue aquecido e ganhou market share de outros materiais como vidro e até o PET (polietileno tereftalato).

Na visão do vice-presidente comercial da Novelis América do Sul, Augusto Nogueira, o crescimento específico do setor de embalagens reforça a aderência e aceitação do público pelo alumínio, que apresenta uma solução prática e sustentável. “A escolha por embalagens sustentáveis em diversos segmentos como bebidas, alimentos, produtos de higiene e beleza, tem sido fundamental para manter o mercado aquecido”, afirma.

Segundo ele, o consumo de latas, especialmente para cerveja, tem crescido acima do consumo geral no segmento de bebidas. “Isso também tem contribuído para esse mercado, influenciado por fatores como lançamentos de novas marcas e o próprio comportamento do consumidor, preferindo a lata em detrimento de outras embalagens”, reforça.

Também colaborou positivamente para esse cenário o segmento de transportes. Ele utilizou 4,8% mais alumínio em comparação ao mesmo semestre de 2018. Isso se deve, principalmente, ao aumento da produção de autoveículos, que cresceu 2,8% no período, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A produção de implementos rodoviários também segue com grande boom neste ano com aumento de 45% do consumo de alumínio no período.

Até mesmo o segmento de construção, que está reprimido, registrou acréscimo de 7% no consumo de alumínio no primeiro semestre, em comparação ao mesmo período de 2018.

Na opinião do gerente de Estratégia Comercial e de Marketing da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), Fernando Wongtschowski, em relação ao segmento de transportes, impulsionado pela forte performance dos setores de implementos rodoviários, ônibus urbanos, rodoviários e o segmento automotivo, a ampliação refletiu positivamente na demanda de produtos transformados, como chapas, folhas e produtos extrudados de alumínio no mercado brasileiro. “Além disso, percebemos, de forma mais tímida, o crescimento da demanda nos setores de embalagens flexíveis e assépticas, movido por leve aumento no consumo das famílias e performance favorável do mercado de Leite UHT”, acrescenta.

Wongtschowski conta que, em 2018, a CBA apresentou o melhor resultado nos últimos três anos, alavancado pelas exportações de produtos transformados e mais vendas a clientes estratégicos. Foram produzidas 102 mil t de produtos transformados, o que representou ampliação de 7% em relação a 2017.

Para 2019, na visão dele, há previsão de economia para o Brasil abaixo do esperado e, ao mesmo tempo, aumento expressivo da entrada de produtos importados da China, inclusive com especificações fora da norma em alguns mercados, que impactam negativamente a competitividade da indústria nacional. “Apesar desse cenário, estamos investindo na melhoria dos serviços e soluções em alumínio, além da qualidade de nossos produtos, fazendo com que as projeções de produção sejam equivalentes às do ano anterior”, diz.

Fios e cabos
De acordo com a pesquisa da ABAL, em relação a fios e cabos, houve uma queda (-1,2%) no primeiro semestre se comparado ao mesmo período do ano anterior, puxada pela redução (-50,8%) no consumo de produtos importados. Já o consumo de produtos nacionais subiu 17,5%. Para 2019, a previsão para esse mercado é de alta de 18,9%.

Segundo o diretor-comercial da Alubar, Giuseppe Bellezza, o consumo de cabos de alumínio maior que o aumento do PIB se deu em função de projetos represados em passado recente, aliado aos grandes projetos dos três últimos leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para investimentos em linhas de transmissão, bem como ao aumento de consumo de cabos de distribuição, devido à privatização de algumas concessionárias. “Esse aumento corrobora com os estudos anteriormente feitos internamente que nos levaram à expansão de nossa fábrica”, comenta.

Ainda de acordo com Bellezza, além da retomada de projetos parados de leilões mais antigos de energia, como da Abengoa, as novas políticas de regulação enérgica adotadas nos últimos dois anos tornaram o mercado mais atrativo para os investidores, culminando com grande sucesso dos novos projetos dos últimos três leilões da Aneel. “Vemos isso como um forte motivo que corrobora muito para o atual cenário, em que esse ritmo deverá se manter até o final do ano. Temos boas expectativas para o ano que vem também, visto que investimos acreditando nessa demanda adicional de mercado que já se confirmou”, diz.

Fios e cabos: consumo de produtos nacionais subiu 17,5%. Para 2019, a previsão é de alta de 18,9% (Imagem: iStock)

Perspectiva para 2019
A nova previsão de consumo doméstico de produtos de alumínio para 2019 indica crescimento de 9% – com volume de 1.495,8 mil toneladas – quando comparado ao ano de 2018. A expectativa é que as vendas de origem nacional cresçam 10,2% e que as importações reduzam o ritmo, com alta de 1,4%. Com isso, o consumo retornaria ao patamar de 2013, quando atingiu o pico de 1.513 mil toneladas.

Considerando a série histórica, as maiores quedas no consumo de alumínio ocorreram entre 2014 e 2016, período de recessão da economia, e passou a registrar altas de 4% e 9%, entre 2017 e 2018, respectivamente. Para 2019, apenas o mercado de folhas indica queda no ano (-5,2%), sendo que os demais produtos devem apresentar recuperação.

Importações e exportações
As importações de produtos semimanufaturados e manufaturados de alumínio continuam a ser motivo de preocupação para o setor. Das 105,7 mil toneladas importadas no primeiro semestre, 55% foram provenientes da China.

Na avaliação do ex-secretário de Comércio Exterior do governo federal e consultor da BMJ Associados, Welber Barral, há perspectiva de redução do crescimento econômico nos Estados Unidos e China, o que diminui a demanda mundial por alumínio. Além disso, as medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos barraram as exportações chinesas para aquele mercado, levando à sobreoferta em outros mercados importadores, como o Brasil.

O grande dilema de toda a indústria brasileira, segundo Barral, é como aumentar a sua competitividade de forma a enfrentar a oferta crescente de produtos importados. “Para isso, não há soluções mágicas e são necessárias medidas governamentais que reduzam o custo de industrialização no Brasil, envolvendo iniciativas na área de logística, tributação, custo de energia e redução de burocracia”, defende.

Já as exportações de semimanufaturados e manufaturados de alumínio devem manter o mesmo nível de volume embarcado no ano de 2018, totalizando 157,6 mil toneladas em 2019; representando 53% desse total, destaque para as chapas de alumínio, com crescimento previsto de 8,1%.

Importações de semimanufaturados e manufaturados de alumínio: das 105,7 mil toneladas importadas no primeiro semestre, 55% foram provenientes da China (Imagem: stock.adobe.com)

Balança comercial
No primeiro semestre de 2019, a Balança Comercial da Indústria Brasileira do Alumínio manteve superávit – US$ 781 milhões FOB, com exportações de US$ 1,794 bilhão e importações de US$ 1,013 bilhão, permanecendo o destaque para as receitas provenientes das exportações de alumina.

Imagem de abertura: ©Hor/stock.adobe.com


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