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Indústria brasileira segue como referência mundial na reciclagem de alumínio

No Dia Nacional da Reciclagem do Alumínio, destacamos os diferenciais competitivos e socioambientais da atividade no país

Criado em 2003, o Dia Nacional da Reciclagem de Alumínio, celebrado em 28 de outubro, é uma homenagem à indústria brasileira e à estruturação de sua cadeia de reciclagem, que promove oportunidades de transição para uma economia circular com práticas sustentáveis e geração de empregos e renda para milhares de brasileiros.

O Brasil é referência para o mundo quando o assunto é reaproveitamento de alumínio. Um case de sucesso são as latinhas: o país se mantém entre os líderes globais nessa atividade, com índice de 97,4% de reciclagem em 2020, o que corresponde a 391.500 t ou 31 bilhões de unidades, conforme divulgado pela Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) e Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas).

Além disso, empresas com atuação no Brasil têm se empenhado para aumentar o percentual de metal reciclado — oriundo de latas ou outros usos — em seus produtos e têm lançado programas para o reaproveitamento do metal.

Uma das principais características do alumínio é sua alta reciclabilidade. Depois de muitos anos de vida útil, o material pode ser reaproveitado sem prejuízos quanto às características.

Se não bastasse, o processo de reciclagem utiliza apenas 5% da energia elétrica necessária para a geração do metal primário e, segundo o International Aluminium Institute (IAI), libera somente 5% das emissões de gás de efeito estufa quando comparado com a produção primária do alumínio.

Devido ao seu elevado valor residual, o processo diminui o volume de lixo gerado e incentiva a reciclagem de outros materiais. A sucata de alumínio pode ser empregada na fabricação de itens para vários segmentos, como os de embalagem, construção civil, indústria automotiva e bens de consumo. Serve, ainda, como matéria-prima para a indústria siderúrgica, na forma de desoxidante.

“O alumínio brasileiro tem baixa pegada de carbono e está estrategicamente posicionado para contribuir com o desenvolvimento de soluções para um futuro sustentável. Temos uma cadeia produtiva que atua com práticas ambientais, sociais e de governança corporativa que são referência nos sistemas de desempenho para o setor no mundo. A ABAL, como entidade que representa o setor de ponta a ponta, da mineração de bauxita à transformação e reciclagem do metal, tem a missão contínua de promover, disseminar e alavancar essas qualidades”, destaca Janaina Donas, presidente-executiva da ABAL.

Brasil reciclou 97,4% das latas de alumínio em 2020 (Foto: Juca Varella/JV IMAGENS)

Mudança de hábito incentiva reciclagem de latas
Apesar de a pandemia do coronavírus ter sido devastadora para diversos setores da economia, a mudança de comportamento fez com que consumidores comprassem mais produtos na lata de alumínio dentro dos seus lares, aumentando a circulação da embalagem no mercado.

“A quarentena trouxe novos hábitos para a população de forma geral e em relação ao consumo de bebidas. Dados de mercado mostram que a participação da lata no segmento de cerveja, por exemplo, chegou a 60%”, ressalta Eunice Lima, diretora de Comunicação e Relações Governamentais da Novelis, companhia que possui o maior complexo de laminação e reciclagem de alumínio da América do Sul, em Pindamonhangaba (SP).

A empresa responde por cerca de 64% das latinhas de alumínio recicladas no país, com mais de 19 bilhões de unidades.

“Em nenhum momento, durante a pandemia, interrompemos as operações de reciclagem e produção de chapas. Nossa prioridade sempre será abastecer nossos clientes, os quais são parte da cadeia de produtos essenciais que incluem alimentos, medicamentos e produtos de higiene, entre outros”, afirma Eunice.

A Novelis conseguiu manter o volume de compra de sucata, que gira em torno de 570 t/mês por unidade, por meio dos 14 centros de coleta, além de parceiros espalhados pelo Brasil. Esses locais continuaram operando de acordo com a legislação vigente, priorizando os protocolos que asseguram a segurança e o bem-estar dos trabalhadores.

Para garantir o índice histórico de reciclagem de latas no país, acima de 95% nos últimos 15 anos, foi lançado oficialmente a Recicla Latas, entidade gestora prevista no Termo de Compromisso da Logística Reversa das Latas de Alumínio para Bebidas, documento firmado em 2020 entre a ABAL, Abralatas e o Ministério do Meio Ambiente.

Desempenho positivo
Mário Fernandes, CEO do Grupo Recicla BR, que atua na reciclagem de metais não ferrosos, comenta que após um ano de desafios, a indústria de embalagens, principal consumidora de alumínio, tem tido um desempenho positivo em 2021, quando comparada a outros setores da economia.

“É um comportamento descolado da crise, com crescimento acima do Produto Interno Bruto (PIB), gerando demanda para o setor de reciclagem que contribui diretamente com a matriz de fornecimento da indústria de embalagens”, comenta o executivo.

Neste ano, o grupo Recicla BR promoveu investimentos internos nos centros de reciclagem, estruturando melhor as operações para atender à crescente utilização da sucata como opção de fornecimento de ligas secundárias de alumínio para os mais diversos setores.

“Compramos hoje cerca de 215 mil t de todos os tipos de sucata de alumínio. Neste volume, está incluído tanto a sucata de obsolescência quanto a sucata industrial. Nossa expectativa é de um aumento de volume na ordem entre 10% e 15% para o ano de 2022”, afirma o CEO do Grupo Recicla BR.

Cápsulas
Ao longo de 10 anos de atuação, a Nespresso já reciclou milhares de toneladas de cápsulas no país e tem a meta de chegar a 20% de reciclagem efetiva até o fim de 2021 e 50% até 2025.

Todas as cápsulas são encaminhadas ao centro de reciclagem da empresa, localizado em Osasco, Região Metropolitana de São Paulo, onde se separa a borra de café do alumínio sem a utilização de água.

Por meio do programa Hortas, criado em 2020, a empresa fornece o pó de café decorrente da reciclagem como alternativa de adubo para cultivo de alimentos orgânicos para agricultores ligados à Cooperativa Agroecológica de Produtores Rurais e de Água Limpa da Região Sul de São Paulo (Cooperapas), no bairro de Parelheiros. Já o alumínio destinado à indústria siderúrgica retorna para o seu ciclo de vida em formas variadas, como peças de esquadrias e materiais elétricos.

Para comunicar a reciclabilidade da matéria-prima da cápsula com formadores de opinião e clientes, a Nespresso também firma parcerias com diversas empresas, entre elas a Victorinox, Caran d’Ache e Vélosophy, para produção de canivetes, canetas e bicicletas, respectivamente.

Nespresso tem a meta de chegar a 20% de reciclagem efetiva de cápsulas até o fim de 2021 50% até 2025 (Foto: Divulgação Nespresso)

Mais reciclagem na linha produtiva
Em 2020, a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) anunciou o investimento de R$ 150 milhões em reciclagem. Na planta da Metalex, instalada em Araçariguama (SP), há um projeto de expansão cuja primeira fase consiste na instalação de um forno Sidewell para ampliar a capacidade de produção de tarugos de 75 mil para 90 mil toneladas/ano. 

Na segunda fase, haverá a implantação de uma nova linha de reciclagem visando maximizar o consumo atual de sucata no mix de produção de tarugos: dos 60% utilizados, deve alcançar até 80%.

“A reciclagem está intrinsicamente ligada à agenda ESG (Enviromental, Social and Governance) da CBA, que orienta e estrutura as ações e projetos para melhorar sua competitividade e perenidade”, comenta Rogério Minatel, gerente geral da Fundição CBA e da Metalex.

O investimento também será direcionado a outros projetos. A CBA prevê ampliar para 50% o volume de reciclagem de alumínio com sucata industrial e de obsolescência na produção de tarugos na fábrica de Alumínio (SP). Além disso, está investindo na melhoria dos fornos de fusão e de espera nesta unidade, o que deve aumentar o volume de sucata no mix de alguns de seus produtos fundidos.

A companhia anunciou recentemente, ainda, o desenvolvimento do Real, projeto que trará tecnologia inovadora para fazer a reciclagem de embalagens de multimateriais pós-consumo, com a recuperação do polialumínio – polímero e aluminato que retornam para o processo produtivo.

Projeto Real, da CBA: fará a reciclagem de embalagens de multimateriais pós-consumo, com a recuperação do polialumínio (Foto: AdobeStock.com)
 
Na Alcoa, o alumínio reciclado tem sido cada vez mais usado e o crescimento é fruto do empenho da empresa em desenvolver produtos sustentáveis, que reduzam o impacto no meio ambiente. Somente na unidade produtiva de Poços de Caldas (MG) o uso da sucata de alumínio na produção de tarugos praticamente triplicou entre 2015 e 2019.

Novos materiais no processo
A Novelis está diversificando, para além das latinhas para bebidas, o tipo de sucata de alumínio que usa na fábrica de Pindamonhangaba (SP).

“Estamos desenvolvendo um sistema de limpeza e processamento de sucatas alternativas, em especial a chaparia mista. Com esse projeto, fora o benefício do aumento do conteúdo reciclado dos produtos, vamos aumentar nosso portfólio de reciclagem”, conta a executiva Eunice Lima.

Ao longo dos últimos 10 anos, a Novelis tem aumentado o conteúdo reciclado utilizado na produção das chapas: em 2010 eram 46% e, em 2020, atingiu 72,5%.

“Precisamos reforçar ainda mais nosso compromisso com a reciclagem, principal drive para a redução da pegada de carbono. Para atingirmos a nossa meta, é preciso avançar em 4% o conteúdo reciclado”, afirma Eunice.

Desde 2019, a empresa investiu R$ 131 milhões no setor, sendo R$ 122 milhões em ampliação da capacidade de reciclagem, R$ 8 milhões nos centros de coleta e R$ 1 milhão para o projeto social Gestão de Cooperativas.

Com a entrega oficial da expansão da fábrica neste ano, a empresa aumentou a capacidade total para cerca de 680 mil t/ano na produção de chapas e 490 mil t/ano de reciclagem – um acréscimo de 100 mil t/ano em cada segmento.

“Isso nos permite buscar mais sucata para ser reciclada. Já temos planos de abrir centros de coleta fora do Brasil, a fim de melhorar a coleta seletiva nesses países e reciclar cada vez mais alumínio”, conta a diretora a Novelis. 

Planta da Novelis, em Pindamonhangaba (SP): capacidade para produzir cerca de 680 mil t/ano de chapas e 490 mil t/ano de reciclagem (Foto: Ivan Pagliarani)

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