Sustentabilidade: economia circular e reciclagem no setor de alumínio

Painel realizado dentro do 8º Congresso Internacional do Alumínio discute o tema e aponta caminhos

Economia circular e reciclagem foram os temas que permearam os debates no Auditório C na tarde da segunda-feira (3), primeiro dia do 8º Congresso Internacional de Alumínio. Beatriz Luz, fundadora da Exchange 4Change Brasil – rede global de transferência de conhecimento –, ressaltou que a missão da consultoria no Brasil é impulsionar o país na transição para a economia circular no Brasil, que exclui o formato de economia linear, com a obsolescência programada dos produtos, e que possa migrar para um modelo que priorize todo o ciclo dos materiais, ressignificando a produção. “Nesse novo conceito, as empresas precisam reavaliar o seu processo produtivo, rever seus valores e relações e redefinir produtos e a forma de consumo”, salientou.

Para que a economia circular possa ser implementada, Tadzo Queiroz, gerente-adjunto da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), ressaltou a importância da inovação na evolução do mundo. Ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), a agência atua no fomento à ciência, tecnologia e inovações, financiando projetos e pesquisas, em parceria com empresas e universidades.

Com relação à reciclagem, Renault Castro, presidente executivo da Associação Brasileira do Alumínio (Abralatas), comentou que a entidade tem trabalhado pela criação de um foro de discussão sobre tributação verde na Câmara dos Deputados. Segundo ele, é uma forma eficaz de capturar lucro ambiental (de poluidores) ou aumentar a competitividade. A prática já é adotada por 49 países via incentivos ou ajuste de tributo – sem necessariamente aumentá-lo.  O preço de bens e serviços deve refletir os seus custos ambientais. Para isso, não é preciso criar um novo tributo, mas incentivar as empresas que priorizam a sustentabilidade ambiental em seu modo de produção“, frisou.

Já Ayrton Filleti, fundador da Intelectus Projetos Consultoria, chamou a atenção para dois aspectos ambientais que devem ser observados com muita cautela no processo de reciclagem: o despejo de resíduos sólidos e a geração de emissões atmosféricas. De acordo com ele, equipamentos modernos garantem técnicas seguras na reciclagem do metal.

 

Crescimento no uso do alumínio

No que depender da demanda de mercado, o uso de alumínio deve aumentar no país pelos próximos anos, conforme relatou Jairo Candido, gerente corporativo de qualidade da Recicla BR. De acordo com ele, a proposta da indústria automobilística é reduzir em 400 kg o peso do automóvel, e o País está passando por um processo de adequação de tecnologia para aderir a essa tendência. Hoje, são utilizados entre 97 e 100 kg de alumínio por automóvel, sendo que nos Estados Unidos esse número chega a 200 kg. Deve-se expandir, também, o consumo do metal, como lembrou o professor Marcelo Gonçalves, da Alpina Consultoria. No Brasil, cada pessoa consome entre 6 e 7 kg do metal por ano. Já em países desenvolvidos, esse índice sobe para 30 kg.

A produção de alumínio primário no país, no entanto, tem sofrido uma redução expressiva. De acordo com a Associação Brasileira de Alumínio (Abal), o Brasil atingiu 801,7 mil toneladas, registando um aumento de 1% sobre o ano anterior, porém esse volume é praticamente a metade da produção registrada em 2008 – quando foram produzidas 1.661 toneladas de alumínio primário. “O preço da energia elétrica é um dos grandes motivos dessa queda. A indústria tem sido ineficiente por usar muita energia no seu modo de produção. A reciclagem é uma saída para alavancar esse número, já que gasta, em média, apenas 5% de energia quando comparada a uma produção nova”, salientou Gonçalves.

A reutilização do metal pode resultar também na criação de acabamentos inovadores na construção civil, como apresentou João Inácio Graciolli, diretor técnico da Rometal Componentes. Segundo ele, a empresa, após realizar diversos testes, conseguiu fazer um tratamento de superfície adequado e produzir perfis de alumínio extrudado ao reciclar rejeitos de processos e sucata (tarugo das ligas da série 6000 da construção civil). Como resultados desse esforço, estão a anodização multicolor e a pintura com efeito madeira, acabamentos considerados altamente modernos e sofisticados no ramo.


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