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Nova presidente-executiva da ABAL: “Precisamos posicionar o alumínio como solução sustentável”

Para Janaina Donas, setor deve estar atento para identificar as oportunidades na resolução de problemas da sociedade

A Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) apresentou em agosto sua nova presidente-executiva, Janaina Donas. Apesar da bagagem acumulada nos quase sete anos em que atuou no setor — exerceu o cargo de diretora de Relações Governamentais e de Comunicação da Alcoa Brasil no período de 2012 a 2018 —, a profissional não economiza tempo na lição de casa.

Os primeiros dias na função têm sido de um verdadeiro mergulho nos temas que permeiam todos os elos da ampla cadeia produtiva do alumínio. Mas, ao ser indagada sobre a prioridade de sua gestão, a executiva é direta: é necessário fortalecer ainda mais as relações do setor com outras instituições — como o poder público, meio acadêmico e mercados consumidores — para promover as vantagens competitivas e diferenciais dos produtos de alumínio, bem como posicionar a indústria como parceira no fornecimento de soluções para a sociedade.

Neste processo, Janaina enfatiza a importância de uma comunicação assertiva, muito além da divulgação dos atributos do metal.

“Temos que escutar mais para entender como nossas empresas podem colaborar dentro do seu escopo de atuação e de seus negócios na identificação de oportunidades, que beneficiarão o setor e as comunidades onde estamos inseridos”, explica.

A nova dirigente, que é a primeira mulher a ocupar a presidência-executiva da ABAL desde sua fundação há 51 anos, também deixou um recado para as empresas associadas: a participação ativa nas ações e projetos da associação é de suma importância para alavancar a competitividade da indústria e colaborar com a recuperação da economia do país.

Leia a entrevista, exclusiva para o portal Revista Alumínio, a seguir:

Revista Alumínio – Você atuou no mercado do alumínio por quase sete anos como diretora de Relações Governamentais e Comunicação da Alcoa Brasil. Agora, retorna como presidente-executiva da ABAL. Qual é o sentimento?
Janaina Donas – Quando fiz a entrevista para ingressar na Alcoa Brasil foi amor à primeira vista. Foi um setor que eu quis trabalhar por ver o entusiasmo, o orgulho que todo mundo demonstra por estar aqui, por conta dos produtos e potenciais. Comecei em um período particularmente sensível para a indústria. O setor vinha perdendo competitividade por uma série de questões, como o aumento escalonado dos custos de energia e a forte concorrência externa, que acabaram gerando medidas de redução na produção. Mas o que acho interessante é que o segmento sempre mostrou resiliência, capacidade de se reinventar e investir em inovação, o que é prova do seu dinamismo. Isso é uma constância na nossa cadeia, independente dos desafios. Minha paixão vem disso tudo e voltar, agora representando o setor pela ABAL, é uma honra muito grande.

Naquele período, você participou de diversos Comitês e Conselhos da ABAL. Como esse conhecimento e vivência podem colaborar com a sua gestão?
Mesmo tendo uma familiaridade com o setor, ainda preciso me atualizar sobre a evolução de algumas questões no período em que estive fora e me aprofundar nos elos da cadeia produtiva nos quais não tive atuação direta. Mas o contato com as empresas associadas e com a própria equipe da ABAL, justamente por ter participado desses Comitês e Conselhos, facilita e reduz a curva de aprendizado, que normalmente é necessária na etapa inicial de transição. Ao mesmo tempo, trago uma referência e tenho a oportunidade de apresentar uma nova visão de como é possível fortalecer o setor, a atuação e o processo de defesa de interesse.

A ABAL representa toda a cadeia produtiva do alumínio, desde a mineração de bauxita até o produto acabado e reciclagem. Quais são os desafios de estar à frente de uma entidade com empresas tão heterogêneas?
O maior desafio é a construção de consenso e a convergência de posições em uma gama de temas, mas isso é inerente a qualquer instituição. A vantagem de trabalhar em uma entidade que congrega todos os elos da cadeia produtiva é o fato de conseguirmos ter uma visão integrada. Isso ajuda na busca de sinergias e na identificação dos desafios. A cooperação é a solução para o relacionamento com empresas de portes e perfis de amadurecimento de mercado diferentes, mas também é uma vantagem para o fortalecimento da indústria. O interessante desta heterogeneidade é a troca de experiências que pode haver entre as associadas.

Quais serão as suas prioridades no comando da ABAL?
Temos a Rota Estratégica da Cadeia Brasileira do Alumínio, Roadmap elaborado em 2018 pela ABAL e que inclui objetivos de médio e longo prazos. Mas, em primeiro lugar, darei continuidade ao trabalho que já vem sendo executado de maneira bastante consistente pela entidade, que completou 51 anos de atuação em maio. Trata-se de um trabalho muito interessante, sobretudo na geração de inteligência de mercado. E isso é extremamente valioso. E, outra questão, é fortalecer o nosso engajamento e cooperação enquanto cadeia produtiva com outras instituições, com o poder público, meio acadêmico e mercados consumidores, para promover não só as vantagens competitivas do metal, mas posicionar a indústria do alumínio como parceria no fornecimento de soluções sobre temas atuais da sociedade.

Um desses temas atuais é a sustentabilidade. O alumínio é um dos materiais que podem contribuir com soluções ecologicamente corretas para diversos mercados. Além disso, o metal brasileiro é produzido com baixa pegada de carbono e nossas indústrias adotam notórias práticas ambientais, sociais e de governança. Como explorar esse potencial?
Por meio da comunicação. Melhorar não apenas a divulgação das vantagens competitivas do alumínio, mas também educar diferentes audiências sobre as soluções que o metal pode oferecer, enaltecendo sua baixa pegada de carbono. Tem um outro lado da comunicação que é extremamente importante: temos que escutar mais para entender como nossas empresas podem colaborar dentro do seu escopo de atuação e de seus negócios na identificação de oportunidades que beneficiarão o setor e as comunidades onde estamos inseridos. Além disso, é importante refletir, sempre, sobre como produzir de maneira mais eficiente. Somos uma indústria que é referência global em processos produtivos, em práticas ambientais, responsabilidade social e governança corporativa. E essa expertise deve ser compartilhada.

Você chega à ABAL em meio às discussões da Reforma Tributária no Congresso Nacional. A Associação demonstrou preocupação — por meio de Manifesto enviado aos parlamentares — com a proposta de aumento da alíquota da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) incidente na mineração, conforme sugerido pelo relator do PL 2.337/2021. Como esse possível aumento pode prejudicar a cadeia brasileira do alumínio?
A ABAL está acompanhando o andamento das propostas que estão em discussão e análise no Congresso Nacional. É importante frisar que toda iniciativa para simplificar o sistema tributário é bem-vinda. Há pontos positivos e de atenção. Mas o que nos levou a nos posicionar é que o projeto substitutivo traz uma matéria estranha ao texto sobre imposto de renda, com a proposta de aumentar a alíquota da CFEM de alguns minérios, entre eles, a bauxita. O nosso Manifesto faz coro e junta esforços com outras entidades setoriais para tentar sensibilizar os parlamentares de que se trata de um tema complexo e que necessita de um debate amplo. Se aprovada, a atual proposta pode gerar um impacto muito grande para a cadeia produtiva, que ainda não está totalmente dimensionado, mas que resultaria, de imediato, na oneração em 50% da base da cadeia. É importante lembrar também que essa matéria já foi objeto de uma revisão recente do Código de Mineração, com pontos que ainda não foram regulamentados.

Você é a primeira mulher a assumir a presidência-executiva da ABAL desde a fundação da entidade em 1970. Muitas companhias do setor têm adotado em suas gestões ações em prol da equidade e diversidade. Como você enxerga esse movimento?
Vejo esse tipo de iniciativa de maneira positiva e encorajadora. Primeiramente é um reconhecimento do valor profissional. As ações de diversidade, sejam elas de qualquer natureza, são importantes. Depois, trata-se de uma conquista de espaço. Mas temos um caminho longo para perseguir e avançar. É preciso ir além, falar mais sobre o assunto e promover ações de capacitação, recrutamento e promover reflexões sobre o viés inconsciente. Sou a primeira nesta posição dentro da ABAL, mas tenho certeza de que não serei a última. Fico feliz de ver o tema em evidência e espero que exista uma consciência maior sobre essa temática. É uma agenda que certamente também quero promover.

Qual recado você deixa para os associados da ABAL e a indústria do alumínio?
A mensagem que deixo é sobre a necessidade de nos fortalecermos enquanto entidade. Gostaria de ressaltar a importância de todos continuarem participando ativamente das várias ações e projetos que executamos, porque buscamos justamente alavancar a competitividade da indústria. Essa colaboração é importante para gerar inteligência sobre o nosso setor produtivo e os seus valores, e como eles podem influenciar na recuperação da economia do país. Além disso, juntos, podemos trabalhar nesse processo de escuta que mencionei e repensar como contribuir em uma série de questões que beneficiarão o setor e a sociedade. Contamos com toda a cadeia nessa empreitada!



Janaina Donas | Perfil
É formada em Relações Internacionais, com MBA em Gestão de Negócios e larga experiência corporativa. Antes de assumir a presidência-executiva da ABAL, trabalhou no Peru e em Miami como diretora de Relações Externas e Novos Negócios para América Latina da Newmont Corporation, companhia que atua na mineração de ouro. Antes, Janaina foi diretora de Relações Governamentais e de Comunicação da Alcoa Brasil. Atuou também como Relações Governamentais da 3M do Brasil, e iniciou a carreira como consultora política, tendo sido sócia da Patri Políticas Públicas, onde atendeu empresas nacionais e multinacionais de diversos segmentos, como mineração, energia, bens de consumo, agroindustrial e farmacêutico.

 

 

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