Geração renovável

Produção energética eólica e fotovoltaica cresce no País


Nos últimos anos, um mercado tão sustentável quanto o do alumínio vem abrindo oportunidades para o nosso setor: trata-se dos sistemas para geração de energia eólica (a partir dos ventos) e fotovoltaica — advinda da luz do Sol.

Como a preocupação em adotar fontes limpas e renováveis de eletricidade vem crescendo de forma expressiva no Brasil, o alumínio é um metal bastante utilizado nos equipamentos para o aproveitamento delas. Mas será que nossas empresas estão preparadas para atender a demanda desses segmentos? Como podemos nos aproximar deles para que ambas as partes possam crescer e se desenvolver lado a lado?

Fotovoltaica: alumínio em todas as partes
Segundo Rodrigo Sauaia, presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), apenas de 2016 para 2017, a base instalada desse tipo de energia saltou de 90 MW para 1.150 MW. Até o final deste ano, tudo indica que esse número mais que dobrará, atingindo a marca de 2.400 MW.

Tem-se assim um mercado bastante interessante para o setor do alumínio. Aponta Sauaia: “O alumínio está muito presente nos equipamentos e sistemas fotovoltaicos, desde as próprias células que convertem a luz solar em eletricidade até as molduras usadas nos módulos, nas estruturas de suporte para eles, no cabeamento elétrico e em componentes dos sistemas de rastreadores solares e de inversores”.

O presidente da Absolar também observa que, hoje, o Brasil já tem mais de quarenta fabricantes de produtos para o setor fotovoltaico — alguns dos quais fazem uso do alumínio produzido em território nacional. Uma dessas empresas é a Ibrap, fabricante de molduras e sistemas para fixação de painéis. Apesar disso, as companhias nacionais ainda enfrentam dificuldades para expandir os negócios. “Em função das altas cargas tributárias, é mais vantajoso para as multinacionais que se instalaram no País importar o painel fotovoltaico do que fabricá-lo nacionalmente”, lamenta Michel Birolo, diretor-administrativo da Ibrap. “Sem fiscalizações por parte dos agentes de crédito, o setor do alumínio sofre e perde oportunidades; menos de 1% dos painéis fotovoltaicos instalados no Brasil utiliza alumínio de empresas brasileiras”.

Nesse sentido, a Absolar vem buscando a atualização do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores e Displays (Padis), em prol da fabricação nacional de módulos e células fotovoltaicas, de forma a reduzir a carga tributária para a fabricação desses módulos no Brasil. “O apoio do setor de alumínio seria fundamental para alcançarmos esse objetivo”, informa Sauaia. Birolo concorda: “Temos know how e excelentes empresas para atender as diferentes demandas, mas é preciso haver uma revisão fiscal para aumentar a participação nacional.”

Eólica: espaço para crescimento
O Brasil tem hoje mais de 13,4 GW de capacidade instalada para geração de energia eólica, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). No ano passado, o crescimento de capacidade instalada foi de 18% em relação a 2016. “O potencial do Brasil é de cerca de 500 GW, muito mais do que o País consome atualmente”, explica Elbia Gannoum, presidente da associação.

Se a energia fotovoltaica encontra problemas para expandir sua fabricação nacional, a eólica tem panorama favorável: “80% de um aerogerador é produzido no Brasil”, conta Elbia.

A Aeris Energy produz pás para geradores eólicos. “Ainda que o crescimento da energia eólica tenha sido impactado pela falta de leilões em 2016 e 2017, ele continua se refletindo em uma maior procura pelos nossos produtos”, afirma o gerente-comercial da empresa, Igor Barreira. O alumínio é o metal utilizado em diferentes partes de um sistema eólico, como nas naceles (compartimentos acoplados às pás e rotores, nos quais a energia dos ventos é convertida em eletricidade) e nas torres que sustentam o conjunto de rotores e naceles na altura apropriada para o seu funcionamento. Em artigo publicado no portal InfraRoi em abril, Miguel Angelo de Carvalho, CEO da metalúrgica Elfer Alumínio, reforça as vantagens do metal para esses sistemas: o volume de alumínio utilizado em uma turbina pode chegar a 2 t; o fato de ser um material leve, com alto aproveitamento e custo acessível, torna-o muito mais vantajoso em relação ao aço e à fibra de vidro.

O grande desafio para o mercado eólico no Brasil é a ampliação das linhas de transmissão. Por falta de investimentos, muitas vezes a energia gerada fica represada nos próprios parques eólicos. Assim, é importante cobrar ações governamentais. Isso feito, as perspectivas são otimistas.


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