Um novo estudo do Boston Consulting Group (BCG) mostra que o Brasil pode ser um “precursor global em direção a um futuro mais verde”, atraindo de US$ 2 trilhões a US$ 3 trilhões em investimentos até 2050. Esse cenário promissor é impulsionado, em grande parte, pelo potencial do País na produção de alumínio de baixo carbono, aproveitando suas vastas reservas de bauxita e sua matriz energética que, atualmente, é predominantemente renovável.
O relatório Aproveitando o potencial do Brasil como um centro global para produtos industriais verdes – Cúpula do Clima do Brasil: um estudo de caso sobre aço e alumínio foi apresentado a representantes da indústria, investidores e especialistas internacionais no Brazil Climate Summit Europe, realizado em maio deste ano, em Paris. O evento também debateu o papel estratégico do Brasil na transição climática global, com foco especial na preparação para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá no mês de novembro, em Belém.
Alumínio brasileiro
O Brasil ocupa atualmente a 5ª posição no ranking mundial de reservas de bauxita, com 9% do total, e a 4ª posição na mineração, respondendo por 7% da produção global. No entanto, quando se trata de alumínio primário, a participação do País cai para apenas 1% do volume mundial — cerca de 5,5 t. E está aí, segundo o BCG, a grande oportunidade: expandir o processamento de alumínio primário no Brasil para os mesmos 9% que o País detém em suas matérias-primas.
Com matriz energética predominantemente renovável e vastas reservas de bauxita — como já dissemos —, o País desponta como fornecedor de alumínio com menor intensidade de carbono. Por esse motivo, o estudo mostra que, ao ampliar sua participação no processamento do alumínio primário, o Brasil pode contribuir bem mais para a redução das emissões globais da cadeia de valor do metal. A projeção é de que, se atingisse 9% do processamento global de alumínio primário, por exemplo, as emissões poderiam cair de 10% a 13%, o que representa 40 milhões a 50 milhões de t de CO₂e por ano.
Além disso, com intensidades de carbono inferiores às da China, especialmente quando considerado o Escopo 2 (energia elétrica), o alumínio brasileiro também tem potencial para se beneficiar das regras do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) da União Europeia. Mesmo que o CBAM atualmente considere apenas emissões do Escopo 1, a inclusão futura de outras etapas da cadeia aumentaria a atratividade do metal brasileiro para o mercado europeu. Isso significa que, substituindo fornecedores mais emissores, o alumínio brasileiro ajudaria as empresas europeias a cumprir metas de descarbonização.
Vantagens
De acordo com o relatório do BCG, entre os destaques do Brasil para se tornar um centro mundial de produtos industriais verdes estão a abundância de matérias-primas como a bauxita, o protagonismo em energias renováveis (hidrelétrica, solar e eólica), a liderança em práticas de agricultura regenerativa e o potencial para se tornar um hub de hidrogênio verde, com expectativa de capturar até 15% das exportações globais após 2030.
Além disso, iniciativas públicas como a Plataforma de Investimentos do Brasil (BIP) e o programa Eco Invest Brasil estão mobilizando bilhões de dólares em capital nacional e estrangeiro para acelerar a descarbonização industrial.
Apenas o BIP, lançado em 2024, e liderado pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), já destinou US$ 21,5 bilhões de dólares a treze projetos-piloto, entre eles, uma planta de hidrogênio verde da Fortescue (3,5 bilhões de dólares) e hubs de produção de H₂ e HBI (ferro briquetado a quente) da Vale (2,5 bilhões de dólares).
O Eco Invest Brasil, por sua vez, tem como objetivo atrair investimentos privados internacionais por meio da estratégia de Finanças Combinadas (Blended Finance), com um potencial superior a 7 bilhões de dólares. A iniciativa conta com aportes de 6,2 bilhões de dólares de grandes bancos, como HSBC, Itaú e Santander, além de 1,1 bilhão de dólares do governo brasileiro — sendo 1 bilhão de dólares oriundo do Fundo Clima e mais de 500 milhões de dólares de capital privado.
Como acelerar o avanço
Com o intuito de realizar esse potencial como um centro global para produtos industriais verdes, o Brasil precisa atuar em quatro frentes principais:
1 – Descarbonizar a produção com rotas baseadas em sucata e alternativas de baixo carbono, como carvão vegetal de biomassa, biometano e hidrogênio verde;
2 – Atrair financiamento adequado, com mecanismos como o BIP e o Eco Invest Brasil;
3 – Precificar as emissões de carbono, criando um campo competitivo nivelado;
4 – Reduzir a incerteza da demanda por meio de compras públicas e contratos de longo prazo.
Imagem: reprodução capa do estudo




