Especial Mineração de Bauxita: empresas seguem as melhores práticas ambientais

Com iniciativas de desenvolvimento sustentável, as operações das mineradoras seguem padrões internacionais e vão além das obrigatoriedades das legislações ambientais


Após mostrarmos como funciona o processo de extração da bauxita e a importância da atividade para a economia do País, agora é hora de olhar para as boas práticas das mineradoras que atuam no Brasil – referências para todo o mundo.

No Pará e em Minas Gerais, estados com reservas de bauxita, é necessário obedecer a uma série de exigências previstas pela legislação brasileira. No entanto, as mineradoras vão muito além da necessidade de devolver as áreas em suas condições originais. As empresas do setor promovem, por exemplo, melhorias no solo, investem em pesquisa e novas tecnologias, cuidam da fauna e flora e mantém contato constante com as comunidades do entorno de seus empreendimentos, contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico das regiões e deixando um legado de longo prazo.

Em Juruti (PA)
Juruti é uma cidade do extremo Oeste do Pará, na divisa com o Amazonas, a 848 km de Belém. Há 10 anos a Alcoa iniciou a operação na região e, desde então, realiza um trabalho de engajamento com a sociedade. “Fizemos uma parceria com as comunidades extrativistas para a produção de mudas. Com o tempo, eles se organizaram em uma cooperativa e passaram a fazer o plantio também. Ao longo desses dez anos, já foram produzidas e plantadas 327 mil mudas, gerando para eles uma renda de R$ 868 mil”, conta Fábio Abdala, gerente de Sustentabilidade da Alcoa do Brasil.

Alcoa atua em várias frentes em Juruti (PA), inclusive em parceria com a comunidade local (Imagem: divulgação)

Segundo Abdala, a empresa incentivou a criação do tripé Juruti Sustentável, em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV) e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio). A iniciativa abrange o Instituto Juruti Sustentável (IJUS), que é composto por representantes da sociedade civil, o Conselho Juruti Sustentável (Conjus) e o Fundo Juruti Sustentável (Funjus).

O Funjus já implementou projetos de parceria e de financiamento de R$ 1,2 milhão no apoio a cerca de 53 projetos de sustentabilidade. “A empresa concordou em sair de um modelo de ‘ilha próspera’ para um modelo de maior conexão com as partes interessadas no desenvolvimento do território”, afirma Abdala.

Seguindo uma das exigências para a operação, a Alcoa Juruti realiza um inventário florestal para entender a qualidade da fauna e da flora. O documento serve como referência para a reabilitação da área. Depois da supressão vegetal, toda a madeira é encaminhada para as comunidades da região, que têm o direito desse material. O solo orgânico é guardado e, em seguida, uma faixa da terra é retirada para chegar até a bauxita. “Depois de extrair o minério, voltamos com o material estéril na área lavrada. Fazemos uma conformação do solo, usando a técnica de nucleação para iniciar a reabilitação”, explica.

O processo de reabilitação da Alcoa é dividido em três fases de cinco anos cada uma. A primeira envolve os cuidados com o solo. Só na terceira fase, se dá o início da maturidade da floresta, quando as copas das árvores atingem 25 m.

Em Oriximiná (PA)
Um pouco mais para cima de Juruti, na outra margem do Rio Amazonas, está o município de Oriximiná. Quem tem atividades lá é a Mineração Rio do Norte (MRN), que trabalha no método de recuperação contínua: a lavra e o preparo para o plantio de espécies nativas ocorrem simultaneamente nos platôs. O processo visa a atenuar os impactos causados pela mineração. Destacam-se no plantio espécies como seringueira, copaibeira e castanheira.

“A ideia é que, ao final de todo o processo de lavra, as áreas devolvidas aparentem o cenário natural o mais próximo possível”, explica Marcelo Thomy Menezes Dultra, gerente de Controle Ambiental e Relações Comunitárias da MRN.

De acordo com o profissional, a MRN reabilitou sete mil hectares nos últimos 40 anos, onde foram plantadas mais de 14,5 milhões de mudas de 450 espécies arbóreas nativas. Em 2018, o viveiro florestal da empresa produziu 941 mil mudas nativas de 74 espécies do bioma Amazônia, utilizando sementes adquiridas junto às comunidades tradicionais, ribeirinhas e quilombolas vizinhas. “Com isso, geramos renda e ainda contribuímos para a conservação das espécies vegetais locais”, explica.

Marcelo Dultra, da MRN: ao final de todo o processo de lavra, as áreas devolvidas aparentam o cenário natural (Crédito: divulgação)

Paralelamente a esse trabalho, como parte das condicionantes das minas atuais, a empresa desenvolve o Programa de Educação Socioambiental (PES), composto por 10 projetos que abrangem as áreas de saúde, educação, meio ambiente e geração de renda.

Paragominas (PA)
Ainda no Pará, agora ao Leste do Estado, perto da divisa com o Maranhão, a Mineração Paragominas, responsável pela lavra da mina de bauxita da Hydro, desenvolve o Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), ferramenta estabelecida pela legislação brasileira para restabelecer a vegetação por meio da reposição florestal. A empresa executa o processo de acordo com o Plano de Controle Ambiental (PCA) de ampliação da mina de bauxita no município.

A meta é atender a proporção de 1 para 1: a cada hectare disponibilizado no ano — área lavrada, menos a área utilizada para infraestrutura — um hectare é recuperado em até dois anos após a disponibilização.

Área lavrada em Paragominas (PA): a cada hectare disponibilizado no ano, outro é recuperado em até dois anos (Crédito: divulgação)

A empresa utiliza os métodos de plantio tradicional, regeneração natural e nucleação. De 2009 até 2017, um total de 206 espécies arbóreas foram utilizadas. Nesse mesmo período, a Hydro contabilizou uma área de 1.874 hectares em processo de recuperação.

As mudas utilizadas no processo de reflorestamento são provenientes de sementes coletadas na área florestal da Mineração Paragominas e seu entorno, e de viveiros registrados no Registro Nacional de Sementes e Mudas. Por ano, são produzidas, em média, entre 150 mil e 200 mil mudas de espécies nativas, porém, o viveiro pode produzir ainda mais, conforme o andamento do reflorestamento na região.

Por meio do Consórcio de Pesquisa de Biodiversidade Brasil-Noruega (BRC), um programa de pesquisa está conectado às operações de mineração da Hydro. Em 2017, os parceiros renovaram o acordo de colaboração por mais cinco anos. O BRC tem mais de 26 projetos aprovados e em andamento, com diversas linhas de pesquisa relacionadas à mineração.

Miraí (MG)
Seguindo a rota das boas práticas promovidas pelas mineradoras de bauxita, embarcamos agora para a pequena Miraí, com pouco mais de 14 mil habitantes, na Zona da Mata mineira. Lá, a Companhia Brasileira do Alumínio (CBA) desenvolve um método de lavra simples, rápido e sustentável. “Chamamos de lavra progressiva porque, como a bauxita é praticamente aflorante, ocorre em camadas superficiais, com uma média de 3 m de profundidade”, explica Christian Fonseca, gerente da Unidade de Mineração da empresa na região.

Área de mineração recuperada pela CBA em Miraí, Minas Gerais (Crédito: divulgação)

Segundo o profissional, é possível chegar à exaustão da mina em torno de três a seis meses. Um pouco antes disso, as atividades de reabilitação ambiental já são iniciadas, possibilitando o retorno da atividade rural entre três e cinco anos, dependendo da cultura, do tempo de lavra e utilização de acessos.

“A reabilitação ambiental (solo e vegetação) após a mineração é uma premissa da CBA. Ao final desse trabalho, os proprietários recebem o terreno de volta em condições iguais ou melhores do que antes da mineração”, explica.

O gerente conta que a qualidade da reabilitação das áreas mineradas, associada às tecnologias agrícolas aplicadas nos plantios, promove o aumento da produtividade nas propriedades rurais, entregando para a região uma paisagem melhor e mais bela em termos de conservação hídrica e do solo.

Desde 2008, em parceria com a Universidade Federal de Viçosa, a CBA também mantém três linhas de pesquisa e desenvolvimento, que visam melhorar os processos de reabilitação ambiental, restauração florestal e conservação hídrica. O programa contabiliza R$ 10 milhões em investimento direto, como a recuperação de 1,3 mil hectares em cinco municípios da Zona da Mata mineira.

A CBA ainda contribui para o desenvolvimento das regiões em que está inserida, por meio de ações estruturadas e do relacionamento com as comunidades, tendo como eixos prioritários de investimento projetos de educação, geração de renda e apoio à gestão pública. Ao longo dos últimos 11 anos, as unidades de mineração já apoiaram ou realizaram 53 iniciativas, que contemplaram 205 mil pessoas, com um investimento de R$ 13,6 milhões.

Créditos da imagem de abertura: www.world-aluminium.org/images/bauxite/ 


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