Large number of aluminium drinks cans for recycling.

Como Termo assinado entre setor do alumínio e governo deve aprimorar a reciclagem de latinhas no Brasil?

Documento busca aperfeiçoar o já consolidado sistema de logística reversa da embalagem mais reaproveitada do País

A Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas) e o Ministério do Meio Ambiente (MMA) firmaram, no início de novembro, o Termo de Compromisso da Logística Reversa das Latas de Alumínio para Bebidas. Em cumprimento à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), o dispositivo traz diversas ações para melhorar o já consolidado sistema atual e manter o percentual histórico de reciclagem de latas no Brasil acima de 95%, que posiciona o País entre os líderes mundiais.

Como surgiu o instrumento?

ABAL e Abralatas integravam a Coalizão Embalagens, grupo estabelecido em 2012 que reúne organizações representativas de setores com atuação no segmento. Em 2015, o movimento assinou um acordo setorial federal para pôr em prática o Sistema de Logística Reversa de Embalagens em Geral de Produtos não Perigosos.

A coleta seletiva era um aspecto importante da atuação desse grupo, mas a prática ainda não está bem implementada no Brasil.

“A lata de alumínio tem uma posição muito diferente em relação aos outros materiais utilizados em embalagens, pois, por diversos motivos, nosso índice de reciclagem é alto há muitos anos”, destaca Milton Rego, presidente-executivo da ABAL.

Diante desse cenário, as entidades vinculadas ao metal optaram por se desligar da Coalizão Embalagens para criar um termo específico para as latas de alumínio, junto com o MMA, conforme responsabilidade prevista na PNRS. Assim teve origem o instrumento recém-celebrado.

Quais são os benefícios propostos?

O principal ganho proporcionado pela assinatura do documento está na possibilidade de um amplo aperfeiçoamento do sistema de logística reversa da lata. Entre as principais ações previstas está o fortalecimento das metas de reciclagem do setor acima de 95%. Vale destacar que o índice já ultrapassou os 97% em 2019.

“O resultado do ano passado significa a reciclagem de mais de 320 mil t de latas, ou 25 bilhões de unidades. Isso representa uma economia de energia de, aproximadamente, 5 mil GWh/ano e a geração de renda na ordem de R$ 5 bilhões por ano”, acrescenta Alfredo Veiga, diretor de Reciclagem da Novelis.

A partir desse documento, também haverá aumento na compra em volume de sucata de lata disponível no mercado doméstico, para que retorne ao ciclo da produção. Além disso, existe a expectativa de crescimento das vendas de bebidas em latas no próximo ano e, consequentemente, também da geração de sucata.

“O termo vem garantir que esse volume crescente da sucata seja, obrigatoriamente, reciclado pelas empresas participantes”, explica Veiga.

Nesse cenário, as cooperativas de catadores de materiais recicláveis e os centros de coleta serão ainda mais primordiais. Pelo novo dispositivo, as empresas se comprometem a remunerar a cadeia da coleta de sucata de acordo com o mercado, o que possibilita a equidade na distribuição de renda. Atualmente, existem mais de 800 mil pessoas e 1,1 mil cooperativas que separam 2,3 mil t de resíduos por dia no Brasil.

O documento prevê ainda investimentos em educação ambiental, a implementação do Programa Cada Lata Conta, a facilitação da chegada das latinhas aos centros de coleta e o desenvolvimento de ações tecnológicas para aumento da produtividade.

“Estaremos cada vez mais próximos do poder público e das cooperativas de catadores, promovendo ações de capacitação sobre economia circular e a importância da logística reversa e da reciclagem, na busca de um presente e futuro sustentáveis no nosso País”, comenta Estevão Braga, gerente de Sustentabilidade da Ball Embalagens para Bebidas América do Sul.

Por que o metal é referência dentro do PNRS?

O setor do alumínio é um case de sucesso para a PNRS. De acordo com Veiga, da Novelis, a indústria no Brasil se apoia em uma matriz energética limpa e renovável e em práticas de produção sustentáveis, o que faz com que o metal tenha uma das pegadas de carbono mais baixas do mundo.

A reciclagem de alumínio reduz em 95% a emissão de gases de efeito estufa e em 95% o consumo de energia.

“Esperamos que as indústrias que produzem outros tipos de embalagem sigam o exemplo da lata de alumínio”, ressalta o executivo da Novelis.

Cátilo Cândido, presidente-executivo da Abralatas, lembra que quando a lata de alumínio foi lançada há 31 anos no Brasil, não existia a cultura da reciclagem.

“Desde o início, nosso compromisso foi promover campanhas educacionais para a sociedade, garantindo um retorno social para cada unidade reciclada. Essa embalagem seguirá como modelo a ser seguido pelas demais quando se fala em sustentabilidade”, reforça.

 

Como o mercado tem se comportado na pandemia?

O isolamento social trouxe uma oportunidade para o mercado, já que a lata de alumínio se adequou ao delivery e ao consumo off trade. Na visão do gerente de Sustentabilidade da Ball América do Sul, por ser leve, gelar rapidamente e não se fragmentar ao cair, a embalagem oferece conveniência e segurança, o que garante a preferência de estabelecimentos comerciais e consumidores.

“Acreditamos que a tendência é de que a lata conquiste cada vez mais espaço no mercado de bebidas, uma vez que a embalagem está atraindo novas categorias, como vinho, hard seltzersdrinks prontos, água, entre outras. Além disso, deve-se considerar o novo perfil do consumidor, que é mais atento às escolhas de consumo que causem menos impacto ao meio ambiente.”

Na visão do presidente-executivo da Abralatas, o setor é resiliente.

“As latas de alumínio estão sendo mais utilizadas pelos consumidores em casa. As vendas cresceram nos mercados, “atacarejos” e distribuidoras de bebidas. Um bom exemplo é o fato de que, antes da pandemia, 55% do envase da cerveja no País era em lata. Atualmente, estamos trabalhando com 80%”, informa Cândido.

 

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