Industry 4.0 of oil and gas refining process of refinery plant, Double exposure of engineer working, Industrial energy system network icons concept.

Cadeia do alumínio avança rumo à transformação digital

Indústrias do setor desenvolvem projetos para implementar novas tecnologias

A avaliação da Maturidade 4.0 da cadeia produtiva do alumínio, realizada em parceria pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), trouxe resultados positivos, apesar de a jornada digital ainda demandar muitos anos de trabalho.

Conforme o diagnóstico, as empresas afiliadas à ABAL avançaram em termos de cultura, conhecimento e implementação de tecnologias da Indústria 4.0, em comparação com outros segmentos industriais no País. E isso se deve a uma série de iniciativas que vêm sendo realizadas pelas empresas.

Na CBA, a pandemia acelerou o processo
Na Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), a inovação está intrinsecamente ligada à estratégia de negócios. O programa 4.0 foi criado para preparar a empresa para as tecnologias emergentes, tendências de mercado e para acompanhar o processo de fortalecimento e evolução da cultura digital. Apenas em 2019, foram investidos cerca de R$ 38 milhões em inovação e tecnologia.

Luís Carlos Maldaner, gerente de Tecnologia da Informação da CBA, comenta que a jornada abrange toda a organização, incluindo as pessoas. O objetivo é que todos possam repensar como o trabalho é realizado e contribuam para mudanças. Isso configura novos comportamentos humanos e o desenvolvimento do mindset digital interno.

“A pandemia acelerou o processo ao evidenciar o valor da adoção das tecnologias digitais. As mudanças necessárias para que os negócios se adaptassem a esse período trouxeram alterações no modo de pensar e trabalhar. Tarefas antes executadas de forma tradicional estão sendo realizadas com sucesso remotamente”, alega.

O programa 4.0 da CBA tem o foco em iniciativas de automatização, inteligência artificial (IA), business intelligence e conectividade, bem como um pipeline de projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, os quais devem ampliar a sustentabilidade de processos e produtos. Além disso, tem acelerado ações disruptivas junto a clientes e especificadores por meio de projetos de cocriação e coengenharia.

Hydro: dados se tornam matéria-prima
A multinacional de origem norueguesa Hydro está estruturada globalmente para apoiar as unidades de negócios por meio de áreas e processos definidos com foco em inovação e na Indústria 4.0.

“Buscamos ser referência de pioneirismo e inovação na cadeia do alumínio e na mineração”, destaca Leôncio Bitar, gerente sênior de Transformação Digital da companhia.

No Brasil, esse movimento teve início na unidade de Bauxita e Alumina em fevereiro de 2018, a partir da criação da área de Transformação Digital que visa atuar com soluções inovadoras em conjunto com as demais operações da Hydro no País.

“Diversas ações estruturantes de tecnologias vêm sendo adotadas, com foco em ganhos operacionais, assim como iniciativas que habilitam novos projetos de inovação a serem executados. É importante ressaltar que o sucesso dessa jornada só é possível, dentre outros fatores, graças ao trabalho estruturado e em sinergia com as operações”, informa o gerente sênior da empresa.

Na Hydro, os dados passaram a ser considerados como a nova matéria-prima a ser explorada. Nesse contexto, alguns projetos em andamento envolvem tecnologias como analytics, IA, machine learning e digital twin, entre outras.

“Para nós, o termo ‘digital’ significa tecnologia, enquanto a palavra ‘transformação’ refere-se a pessoas. Por essa razão, a transformação digital se aplica à construção do que será o nosso modelo de operação e de negócio nos próximos anos”, explica Bitar.

A companhia conta ainda com o Minera Startup. O programa executado em parceria com a Associação de Tecnologia e Inovação de startups do Estado do Pará (Açaí Valley), faz parte da jornada de transformação digital da Hydro e tem como objetivo trazer soluções com o uso de tecnologias, alavancar o ecossistema empreendedor e acelerar startups da Região Norte.

Tecnologia otimiza uso de gás natural na Novelis
A Novelis tem investido de maneira estratégica na Indústria 4.0 desde 2018: tem uma estrutura permanente em um centro de excelência em Atlanta, nos Estados Unidos, e aplica recursos em suas principais plantas.

Na América do Sul, possui dez projetos – entre finalizados e em execução – e dez em fase de planejamento. Entre as iniciativas estão a otimização de posicionamento de bobinas e a predição de falhas no laminador a quente Hot Tandem Mill. Além disso, criou um grupo de profissionais dedicados à implementação digital.

Roberta Soares, vice-presidente de Operações da companhia, explica que um dos primeiros projetos foi elaborado para a redução de consumo de gás natural no processo de refusão. A partir da coleta e análise de dados históricos quanto ao consumo desse tipo de energia, um computador, por meio de IA, conseguia comandar a eficiência dos queimadores e a operação.

“Com isso, obtivemos economia de gás natural, deixando de gerar emissões ambientais e com resultados positivos em redução de custo”, comenta.

MRN: pessoas são agentes de transformação
A jornada pela Indústria 4.0 da Mineração Rio do Norte (MRN) envolve investimentos contínuos na aquisição de talentos e em novas tecnologias para automatizar e aprimorar processos.

“Nosso maior ativo é o capital humano. Sendo assim, a grande contribuição para a produção de bauxita está em cada empregado que participa da operação. Temos orgulho dessa história, pois construímos uma base sólida sobre o conhecimento de bauxita e estamos sempre nos reinventando para manter a competitividade, a excelência e a qualidade em nossa produção”, declara Rogério Junqueira, diretor de Operações da companhia.

Entre os recentes investimentos tecnológicos citam-se:

  • Trator semiautônomo, que será operado remotamente;
  • Aplicativos de gestão e controle de qualidade;
  • Drones para topografia, monitoramento e inspeções;
  • Inovações na recuperação de áreas mineradas;
  • Novos sistemas que simulam a cadeia produtiva e a qualidade;
  • Plataformas para aprimorar a comunicação e a tomada de decisão mais assertiva;
  • Recursos tecnológicos para geologia e planejamento.

Desde dezembro de 2019, a MRN também participa do Mining Hub, iniciativa que tem como objetivo gerar e compartilhar conhecimento, apresentando soluções para os principais desafios do setor no Brasil.

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