O Auditório Millenium, na Vila Olímpia, em São Paulo, recebeu ontem, 25 de maio, Dia da Indústria, o painel Selo Verde Brasil: um Marco para a Indústria Sustentável, organizado pela Secretaria de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O encontro reuniu representantes do setor produtivo, autoridades e especialistas para discutir o papel da certificação na construção de uma economia mais limpa e competitiva. Entre os destaques da programação cite-se a participação da presidente da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), Janaina Donas, no painel O Setor Produtivo na Economia Verde. O alumínio é um dos segmentos pioneiros escolhidos para integrar o programa.
Durante o debate, Janaina ressaltou que a indústria eletrointensiva já vem avançando há anos na agenda de descarbonização e sustentabilidade. Assim, o Selo Verde Brasil chega para reconhecer e organizar iniciativas que já fazem parte da realidade de muitas empresas do setor.
“O Selo Verde não está criando sustentabilidade onde ela não existe. Ele vem reconhecer, padronizar e valorizar esforços que já vêm sendo realizados por indústrias comprometidas com essa agenda”, afirmou.
Competitividade e reconhecimento internacional
Por se tratar de uma commodity global, o alumínio já convive com exigências internacionais e certificações voluntárias rigorosas. Ainda assim, Janaina destacou que a nova certificação brasileira representa um importante diferencial competitivo para o setor. Na avaliação da executiva, é um instrumento que facilita o acesso a mercados e ajuda a diferenciar iniciativas realmente comprometidas com critérios sustentáveis.
A presidente da Abal também destacou a influência crescente de clientes dos setores automotivo, de embalagens, construção civil e elétrico, que têm ampliado as exigências por responsabilidade ambiental em toda a cadeia produtiva. De acordo com ela, bolsas de metais e mercados internacionais também já valorizam produtos associados a uma “pegada verde”, mas ainda existe espaço para interpretações divergentes.
Segurança para investimentos
Outro ponto defendido por Janaina foi a necessidade de alinhamento entre as diferentes políticas voltadas à sustentabilidade. Ela lembrou que o setor do alumínio já participa voluntariamente de iniciativas de rastreabilidade, como o Recircula Brasil, e destacou que metas de logística reversa e conteúdo reciclado precisam estar conectadas a sistemas de certificação e taxonomia. Para a executiva, essa integração traz mais segurança para investimentos e fortalece a previsibilidade do mercado.
O programa Selo Verde Brasil inicia sua implementação no mercado do alumínio pelas chapas laminadas. Janaina comemorou o primeiro passo e destacou a relevância do segmento para o mercado nacional.
“Os laminados representam um dos segmentos com maior mercado consumidor no Brasil. A expectativa é de que, futuramente, a certificação avance também para outros elos e equipamentos da cadeia produtiva do alumínio.”
Lideranças e debate técnico
Além das discussões sobre o setor do alumínio, o evento reuniu importantes lideranças ligadas às pautas de sustentabilidade, inovação e desenvolvimento industrial.
O painel de abertura, Economia Verde, Desenvolvimento Industrial e o Programa Selo Verde Brasil, contou com a participação da secretária de Economia Verde do MDIC, Julia Cruz; do presidente da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), Mario William Esper; do gerente de Fomento da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Rogério Dias Araújo; do superintendente de inovação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Roberto de Medeiros Júnior; e da deputada federal Tábata Amaral (PSB-SP), autora da emenda que viabilizou as etapas iniciais do projeto.
Já o painel O Setor Produtivo na Economia Verde, moderado pela diretora do MDIC, Sissi Alves da Silva, reuniu representantes de diferentes segmentos industriais pioneiros no programa. Além da ABAL, participaram André Passos, da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim); Rafael Ribeiro, da Associação Brasileira de Distribuidores e Processadores de Vidros Planos (Abravidro); e Lucien Belmonte, da Associação Brasileira das Indústrias de Vidro (Abividro).
Encerrando a programação, a Apresentação Técnica do Programa Selo Verde Brasil marcou o lançamento da etapa de capacitação conduzida pelo Senai. A mesa foi conduzida por Giselle Viana, coordenadora-geral de Economia Verde e de Impacto do MDIC; Cláudio Guerreiro, gerente de Normalização da ABNT; Ricardo Fermann, coordenador geral de Acreditação do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e Isabella Póvoa, especialista de Desenvolvimento Industrial do Senai.
Fotos: Divulgação ABAL





