UFRN cria disciplina sobre metalurgia do alumínio. Fatecs em SP também têm cursos sobre o material

Universidade potiguar é a primeira do Brasil a ministrar um conteúdo exclusivo sobre o metal


Com o objetivo de abordar a metalurgia extrativa, o processamento, as propriedades e as aplicações de ligas de alumínio, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) criou uma disciplina optativa sobre o tema. A iniciativa nasceu dentro da Rede do Pdimat – Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Materiais, que reúne professores e entidades brasileiras, com o apoio da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL).

Segundo Luiz Bismarck, idealizador da disciplina Metalurgia do Alumínio e suas Ligas e professor-adjunto do Departamento de Engenharia de Materiais (Demat) da UFRN, a demanda surgiu porque os alunos ainda possuem déficit em conhecimento de metais e ligas não ferrosas, especialmente sobre o alumínio. Além disso, as pesquisas a respeito do tema no Demat ainda estão crescendo gradualmente. “Trazer o conhecimento teórico pareceu-me uma demanda urgente e necessária para a formação de nossos alunos”, afirma Bismark.

Na opinião do professor, a área de ciência e engenharia de materiais é crucial para o desenvolvimento tecnológico do País. “Conhecer o ‘mundo’ das ligas não ferrosas permitirá ao aluno ter contato com diferentes esferas dentro de engenharia. Setores como transportes, embalagens e construção civil estão inclusos nesse horizonte.”

A iniciativa de criar a disciplina surgiu a partir de uma conversa entre o professor e o presidente-emérito da ABAL, Ayrton Filleti, durante o 6º Encontro do Pdimat, em João Pessoa, em 2018. Conta Bismark: “Senti o entusiasmo dele em difundir as potencialidades do alumínio e suas ligas em todo Brasil. Isso me incentivou a dar continuidade”.

De acordo com Filleti, a ABAL está muito empenhada em colocar o alumínio nos cursos de engenharia de materiais e metalurgia do Brasil. “Estamos há muito tempo trabalhando nisso, dando palestras nas escolas dentro e fora do Estado de São Paulo”, relata o presidente-emérito da ABAL. Quando soube da aprovação da ideia na reunião do colegiado da UFRN, fiquei emocionado e entusiasmado. Logo em seguida, mandei uma mensagem para a rede Pdimat, incentivando as outras faculdades a também adotarem a disciplina.

A ABAL ajudou o professor Bismark a consolidar a proposta final da disciplina, contemplando as particularidades do curso na UFRN. Além disso, a entidade também enviou os guias técnicos de alumínio para a biblioteca da universidade, como material básico de estudo para a disciplina proposta, e materiais didáticos referentes à cadeia produtiva, econômica e tecnológica do alumínio, para dar suporte as futuras aulas.

A ABAL também permitiu a Bismark participar de um curso online voltado para a microestrutura de ligas de alumínio. Por fim, enviou amostras de algumas ligas de alumínio para ele trabalhar a parte de análise metalográfica com os alunos. “Isso tudo será muito proveitoso para o aprendizado”, comemora o professor.

Sobre a disciplina
A disciplina optativa Metalurgia do Alumínio e suas Ligas será ministrada dentro do curso de engenharia de materiais da UFRN, a partir de 2020. Com carga horária de 60 horas, abordará os seguintes conceitos:

  • Mercado e dados estatísticos
  • Um breve histórico da metalurgia extrativa do alumínio
  • Características gerais do alumínio
  • Classificação das ligas e têmperas do alumínio
  • Solidificação e Metalografia de ligas de alumínio
  • Processos industriais do alumínio e suas ligas
  • Tratamentos de superfície do alumínio e suas ligas
  • Reciclagem de alumínio: o ciclo do processo de reciclagem, benefícios e dados estatísticos pertinentes e a relação com o meio ambiente

Fatecs: cursos sobre o alumínio
Considerando que as grades curriculares vêm sendo estruturadas com base no modelo de competências para o mercado consumidor atual, no primeiro semestre deste ano a Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec-SP) também procurou a ABAL para verificar as possibilidades de melhoria nos conteúdos sobre metais do curso de tecnologia dos materiais.

“A análise constatou adequação, pois os conteúdos relacionados pela ABAL, tais como metalurgia do alumínio, já estavam englobados na disciplina sobre tratamentos térmicos e seleção de materiais II (TTSM II)”, comenta o professor-doutor do Departamento de Ensino Geral da Fatec-SP, Marcos Domingos Xavier.

Os conceitos abordados dentro da disciplina TTSM II envolvem o beneficiamento de minérios, metalurgia extrativa, tratamentos térmicos, microestruturas e propriedades, entre outros. “O ensino tecnológico sobre o tema fundamenta-se na formação de alto nível dos profissionais, tendo em vista as propriedades do metal, tais como baixa densidade e as resistências à corrosão e mecânica. Lembrando a enorme produção e aplicação do alumínio e suas ligas em caráter mundial”, reforça Xavier.

A Fatec de Pindamonhangaba também oferece o curso processo metalúrgico, cuja disciplina sobre metalurgia dos não ferrosos, no contexto do alumínio, aborda a extração do minério, bem como os processos de fabricação de ligas de alumínio para os diversos segmentos. Além disso, inclui o processo de fabricação ‘contínuos casting’ e os conceitos metalúrgicos fundamentais para fabricação de chapas de alumínio.

“Como tenho bastante experiência em desenvolvimento de produto, apresento aos alunos vários cases de sucesso, em que já substituí componentes de aço pelo alumínio, com intuito de mostrar o poder do material nas mais diversas aplicações”, diz Alexandre Sartori, professor da Fatec de Pindamonhangaba e engenheiro de desenvolvimento de produto especializado da Novelis.

Crédito da imagem: ©kasto/stock.adobe.com


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