No domingo, 17 de maio, o jornal Folha de S. Paulo publicou entrevista com Janaina Donas, presidente-executiva da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL). A executiva falou sobre o crescimento das exportações brasileiras de sucata de alumínio em razão da corrida global pelo metal de menor impacto ao meio ambiente.
De acordo com a reportagem divulgada, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) registra crescimento de 51% no peso exportado nos últimos cinco anos, de 28 mil, em 2020, para 42.400 t em 2025. Na comparação com o ano de 2010, a elevação é de 2.152%. O cenário pressiona a reciclagem. Parte do setor diz notar redução de insumos e defende taxas para restringir o envio ao exterior.
Ainda segundo a Folha de S. Paulo, a geração doméstica de resíduos, principalmente latinhas de alumínio, não é suficiente para atender a demanda interna, e a importação também cresceu no período (29%, chegando a 181.300 t em 2025). Mas para alguns representantes do setor, o equilíbrio entre a entrada e a saída de material no Brasil está sendo rompido.
“Esse balanço parou de existir, porque você tem cada vez mais dificuldade de importar e cada vez mais exportação acontecendo. Todo mundo agora quer alumínio verde, que é a sucata”, disse a presidente-executiva da ABAL.
Janaina Donas destaca que a associação levou ao MDIC a demanda pela taxação das exportações e que o ministério afirmou que o pedido está em análise técnica da Câmara de Comércio Exterior e que mantém diálogo permanente com o setor e as associações envolvidas.
A matéria da Folha de S. Paulo também informa que o alumínio primário, extraído por meio da mineração de bauxita, é intensivo em energia e emite mais gases de efeito estufa. Com a necessidade de combater as mudanças climáticas, as nações evitam essa rota produtiva e investem no alumínio secundário, fabricado com sucata descartada em processos industriais ou após o consumo. O exemplo mais extremo dessa guinada vem da China. Desde 2017, o regime limitou a produção de alumínio primário em 45 milhões de t anuais e vem incentivando a fabricação a partir do material reaproveitado. Para atender a demanda, o país precisa comprar sucata de regiões com cadeias de reciclagem mais estruturadas, como o Brasil.
“O que antes era fonte para a gente [a indústria brasileira], já não é mais, porque México e países da África estão exportando para a China. Não é uma questão que tem a ver com o mercado nacional, mas com o que está acontecendo lá fora, explicou Janaina Donas.
A executiva citou que, apesar da alta nas exportações, a ABAL registrou um aumento no processamento nacional de sucata de alumínio nos últimos anos: em 2024, foram produzidas 912.600l t, um crescimento de 106% em relação a 2010.
Além disso, Janaina ressaltou que os números não contradizem as preocupações do setor. “Sobretudo quando consideramos os investimentos feitos pela indústria brasileira em aumento de capacidade instalada para processar mais do que gera internamente, e que, por essa razão, vem complementando a diferença com importações.”
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