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Sustentabilidade comprovada: Alcoa, CBA e Hydro recebem certificação internacional ASI

Alcoa, CBA e Hydro já somam cinco certificados com perspectiva de novos selos até 2020. Empresas de embalagens cartonadas assépticas usam alumínio certificado

A Aluminium Stewardship Initiative (ASI) — organização global sem fins lucrativos que promove o desenvolvimento sustentável, estabelecendo critérios e padrões – criou um programa de certificação voltado para a cadeia de valor do alumínio em 2017. Apenas em 2019, emitiu quase 50 certificados para 19 países, sendo cinco deles voltados para as operações da Alcoa, CBA e Hydro no Brasil.

Fiona Solomon, CEO da ASI, explica que a certificação pode ser emitida para os membros da ASI – empresas produtoras, transformadoras e consumidoras de alumínio – que queiram se submeter ao programa. Para tanto, é necessária a realização de uma auditoria independente sobre um dos padrões ASI: Performance ou Cadeia de Custódia (CoC).

Padrão de Performance: abrange questões ambientais, sociais e de governança para uma variedade de tópicos, incluindo gases de efeito estufa (GEE), biodiversidade, gerenciamento de resíduos de bauxita, administração de materiais, direitos humanos, saúde e segurança e fornecimento responsável;

Padrão CoC: se aplica ao fluxo de alumínio por meio da cadeia de valor, da bauxita até os usuários no downstream (produtos transformados).

“Os padrões da ASI foram desenvolvidos por meio de processos de consulta e consenso de vários stakeholders”, ressalta Fiona Solomon.

A plataforma on-line da ASI, chamada elementAl, sustenta todo o fluxo de trabalho de certificação para os dois padrões, e conta com suporte às empresas durante a fase inicial de autoavaliação. Há a possibilidade da postulante compartilhar informações com o auditor escolhido.  Os auditores, por sua vez, usam o elementAl para apoiar o planejamento de auditoria, verificação e geração de relatórios. Com os dados em mãos, a ASI analisa a conformidade com os procedimentos, antes da aprovação da certificação, que é válida por três anos.

Demonstração de boas práticas
Para Fiona Solomon, a certificação ASI é uma demonstração de práticas responsáveis cada vez mais importantes para clientes e stakeholders. Os padrões da ASI buscam incentivar o compromisso com a sustentabilidade, e as empresas ainda podem comparar as ações e o desempenho com um padrão internacional, identificando possíveis melhorias.

 “A ASI busca criar um legado positivo na indústria do alumínio em termos de impactos e benefícios. É do interesse de todos os participantes da indústria fazer parte de um setor sustentável”, considera.

De acordo com a CEO da ASI, o Brasil é importante mundialmente para a mineração de bauxita, refino de alumina e produção de alumínio primário, bem como para os mercados de transformados.

“A adoção antecipada da certificação ASI no País mostra que as empresas brasileiras desejam se posicionar positivamente”, reforça.

Alcoa: extraindo bauxita com respeito à sociedade

Fábio Abdala, gerente de Sustentabilidade da Alcoa Brasil: para a certificação, é preciso fazer uma autoanálise das operações da empresa (Crédito: Divulgação)

Neste ano, as operações de mineração de bauxita em Juruti (PA) e do refino de alumina em Alumar (MA) receberam a certificação ASI no Padrão de Performance.

Em 2018, a empresa se filiou à ASI e fez um processo-piloto em Juriti, oficializado neste ano. As plantas da empresa também estão em processo de certificação no Padrão CoC, com previsão de emissão até 2020.

Segundo Fábio Abdala, gerente de Sustentabilidade da Alcoa Brasil, é preciso fazer uma autoanálise das operações da empresa, tendo em vista os padrões ASI.

“Olhamos para a nossa gestão, analisamos lacunas e realizamos os investimentos em processos, gestão e tecnologias para atender os requisitos”, explica.

Para conquistar a certificação ASI no Padrão de Performance, a Alcoa Brasil realizou investimentos para incluir visitas técnicas em fornecedores críticos, por exemplo, e para análises screening de todos os fornecedores. A empresa contratou ainda um plano de biodiversidade para a planta da Alumar, instalada em São Luís (MA).

“Dependendo da condição da planta, cerca de 80% dos aspectos já são adequados aos padrões. Nos outros 20%, é necessário cobrir ou adensar”, explica.

Para Abdala, a certificação ASI tem um duplo benefício: tanto para os negócios – sendo um diferencial do produto e atendendo clientes interessados na sustentabilidade – como para a própria responsabilidade corporativa, pois motiva a empresa.

“A certificação tem um impacto muito importante para o setor de alumínio no Brasil. Demonstra que a nossa bauxita respeita os direitos humanos, atende as necessidades naturais e está alinhada com a integridade e técnica nos negócios.”

CBA: certificada de ponta a ponta
Recentemente, a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) foi a primeira empresa brasileira e da América do Sul, filiada à ASI, a receber a certificação internacional nos Padrões de Performance e de Cadeia de Custódia (CoC) em toda a cadeia produtiva. O programa de certificação abrange as três unidades de bauxita da empresa em Minas Gerais; uma refinaria de alumina, salas fornos, produção de anodos, tratamento de resíduos gerados na reforma de fornos, fundição e produtos transformados, além do escritório em São Paulo.

CBA foi a primeira empresa da América do Sul, filiada à ASI, a receber a certificação internacional nos Padrões de Performance e de CoC (Foto: Divulgação)

Leandro Faria, gerente de Sustentabilidade da empresa, conta que antes do lançamento oficial dos padrões da ASI, em 2018, a CBA já havia se associado à entidade global. A partir disso, a Companhia iniciou uma avaliação interna sobre a aderência a cada um dos critérios e possíveis ajustes. Foram realizados investimentos em gestão de pessoas e processos em todo o negócio – da mineração até os produtos transformados.

“A certificação traz uma mudança significativa, porque temos um organismo global, com as melhores regras e padrões de sustentabilidade, que legitima a nossa operação. E reforça, ainda, que o alumínio brasileiro da CBA é social e ambientalmente responsável. O selo nos coloca no mercado competitivo latino-americano e mundial. Também gera valor compartilhado com os empregados, fornecedores e clientes”, afirma.

Hydro: matérias-primas de acordo com padrões internacionais
A Mineração Paragominas e a Alunorte, com operações de bauxita e alumina no Pará, também foram contempladas este ano com a certificação da ASI pela excelência no padrão de desempenho e relevância no desenvolvimento da cadeia de custódia.

Carlos Neves, diretor de Operações da Hydro, explica que a certificação ASI é um reconhecimento importante aos esforços para produzir matérias-primas de alumínio de acordo com os mais altos padrões industriais de responsabilidade e sustentabilidade.

“Significa que nós, enquanto área de negócios, estamos ajudando a companhia a disponibilizar aos clientes produtos certificados dentro dos mais exigentes padrões internacionais da indústria do alumínio, desde o início da cadeia de valor que opera na Amazônia Legal, o que por si só, já é um desafio a mais”, diz.

Carlos Neves, diretor de Operações da Hydro: certificação é um reconhecimento importante aos esforços para produzir matérias-primas de alumínio de acordo com os mais altos padrões (Crédito: Divulgação)

“Na verdade, o que fez toda a diferença na conquista da certificação foi o empenho das equipes da Alunorte, Mineração Paragominas e do sistema de gestão corporativa, que mapearam e organizaram as evidências necessárias para a Hydro conseguir esse reconhecimento.”

Embalagens sustentáveis
No setor de embalagens cartonadas assépticas com película de alumínio, a Tetra Pak, que é uma das fundadoras da ASI, recebeu o reconhecimento pelo Padrão de Performance em novembro do ano passado, na administração de materiais para usuários industriais. Outra empresa do setor, a SIG, recebeu a certificação em 2019.

O certificado demonstra que as companhias estão promovendo o fornecimento responsável ao longo de toda a cadeia de valor dos produtos, a partir da aplicação de alumínio de fontes certificadas pela ASI, na película ultrafina de proteção das embalagens.

O lançamento inicial das embalagens da SIG certificadas pela ASI será em breve, na Bélgica, em parceria com a B-Better, uma startup da Future Platform da Unilever.

Crédito da imagem de abertura: adobe.stock.com

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