Revolução na locomoção

Equipamentos diversificados de mobilidade dominam as grandes cidades, e o alumínio tem papel-chave nessa eficiência


Quem vive em grandes centros urbanos deve ter visto com mais frequência nos últimos tempos pessoas usando bicicletas ou patinetes para percorrer avenidas extensas e chegar a pontos chave da cidade — se é que o próprio leitor já não vem fazendo uso desses equipamentos. Isso se deu graças ao surgimento das startups (pequenas empresas emergentes focadas no desenvolvimento de modelos de negócios repetíveis e escaláveis) que vêm disponibilizando soluções tecnológicas para facilitar a vida das pessoas por meio de transportes alternativos.

Essas iniciativas são muito importantes para melhorar a mobilidade urbana, e o alumínio é um material que tem muito a oferecer para estas novas soluções.

Necessidade por diversidade
A mobilidade, hoje, é o desafio das cidades em todas as partes do mundo. O grande uso de automóveis gerou uma demanda maior por mais obras viárias, túneis, elevados e alargamentos de vias. E por mais que novas infraestruturas para o trânsito sejam implantadas, em pouco tempo, elas já se enchem com as novas frotas de veículos e o problema do congestionamento retorna. Segundo o portal Mobilize Brasil, voltado para a divulgação de boas práticas de transportes coletivos integrados que melhorem a qualidade dos ambientes urbanos, a frota de automóveis e motocicletas no Brasil teve crescimento de cerca de 400% nos últimos dez anos.

“Ao longo de várias décadas, fomos convencidos de que o automóvel era a melhor solução de mobilidade no País. Ele continua sendo uma boa opção para circulação fora das cidades, para viagens ou emergências, mas é importante entender que não é uma solução universal”, explica Marcos de Sousa, diretor do Mobilize Brasil. Segundo ele, uma mobilidade urbana mais sustentável exige que se invista menos no transporte rodoviário e mais em soluções integradas.

As startups têm contribuído nesse sentido de diferentes formas: aplicativos de caronas permitem que menos pessoas usem os próprios automóveis para se locomover, enquanto serviços de empréstimo de bicicletas e patinetes elétricos facilitam o deslocamento entre distâncias curtas. “Nenhum módulo de transporte vai ser capaz de levar uma pessoa da sua casa até qualquer outro ponto em todos os momentos; assim, essa rede de micromobilidade é uma boa alternativa para a população do centro e para completar viagens feitas com transporte coletivo, como metrôs e ônibus”, avalia Sousa, do Mobilize Brasil.

Material sustentável para solução sustentável
Onde o alumínio entra nessa história? Nos próprios equipamentos de mobilidade! A startup Vela Bikes, por exemplo, usina os tubos e barras das suas bicicletas elétricas a partir da liga 6351 T6, presente na fabricação das carcaças das baterias, nos dispositivos de fixação da parte elétrica e no canote de fixação do selim, entre outras partes. “A maior vantagem que vemos no alumínio está relacionada ao reaproveitamento do material: hoje, mais de 90% do metal descartado durante o processo produtivo da Vela é coletado pelos mesmos fornecedores para que seja fundido e reaproveitado”, destaca Victor Hugo Cruz, fundador e CEO da empresa.

Bicicleta elétrica da Vela Bikes: mais de 90% do alumínio descartado durante o processo produtivo é coletado, fundido e reaproveitado

Esse reaproveitamento vai ao encontro do objetivo da startup, cujo primeiro protótipo surgiu com base na necessidade de Cruz por um veículo de transporte alternativo ao trânsito dos carros. Hoje, são cerca de 1.800 unidades vendidas de seus modelos, que entraram no mercado no final de 2015.

Além de comercializar as bicicletas, a Vela Bikes está fazendo testes com um modelo de locação autônoma por meio do seu aplicativo. “Devemos iniciar um piloto no decorrer dos próximos meses; fora isso estamos constantemente em busca de parceiros comerciais e de publicidade com o objetivo de facilitar o acesso à Vela”, conta o fundador da empresa.

Acessibilidade na mobilidade
Vale salientar que uma boa mobilidade urbana é aquela presente para todas as pessoas: isso inclui cadeirantes, idosos e outros cidadãos que dependem de equipamentos específicos para a locomoção. E, sim, o alumínio também se faz presente neles: “A cadeira de rodas precisa ser o mais leve possível. E, atualmente ,o alumínio é a melhor solução, trazendo leveza com uma boa resistência mecânica e a um baixo custo”, observa Jonathan Hummel, gerente de Engenharia da Ortobras. Praticamente toda a cadeira de rodas na empresa é feita com esse material (no caso, com a liga6061 T6), bem como os parafusos, eixos e outras peças injetadas.

Ele lembra que o País já conta com inúmeras instituições que fornecem cadeiras e outros equipamentos gratuitamente com verba do Sistema Único de Saúde (SUS), bem como doações feitas por iniciativas privadas. Mas ressalta: “A cadeira de rodas sozinha não contribui se os centros urbanos não estiverem de acordo com as normas de acessibilidade”. Pensando nisso, em 2015 foi publicada a Lei Nº 13.146, que obriga todos os governantes a atenderem as necessidades das pessoas com mobilidade reduzida, sob pena de perder o mandato.

Potencial de crescimento

Cadeira de rodas da Ortobras: alumínio confere leveza e resistência mecânica para sua estrutura

Falando em leis, a de Nº 12.587, de 2012, instituiu no Brasil as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana. Nela, estabeleceu-se que deve ser dada prioridade a pedestres, ciclistas, meios leves de transporte e transportes coletivos, e que seja desestimulado o uso de automóveis nas cidades.

Quem apostar nesse nicho pode encontrar grandes oportunidades: “O mundo está olhando para o Brasil, que é um país com cidades grandes e problemas sérios, abrindo um grande potencial para que as ferramentas de mobilidade dessas empresas venham para cá”, aponta Sousa, do Mobilize Brasil. “E existe um enorme espaço para o uso do alumínio nas estruturas de bicicletas, patinetes, barcas e outras soluções, porque o metal garante uma leveza fundamental e uma resistência adequada para esses tipos de veículos. Desta forma, é importante que essa indústria esteja atenta. O Brasil está atrasado em relação ao resto do mundo, mas a oportunidade para recuperar o atraso está bem na nossa frente”.


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