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Projeto ELO conecta indústria do alumínio ao meio acadêmico

Iniciativa da ABAL propõe a coorientação empresarial de trabalhos de engenharia com foco no metal

O Projeto ELO, lançado pela Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) antes da pandemia da Covid-19, tem como objetivo aproximar a indústria das universidades para disseminar conhecimento sobre o alumínio. E isso ocorre a partir da coorientação empresarial de trabalhos de conclusão de curso (TCC) ou iniciação científica (IC) na graduação em engenharia.

Como funciona na prática
A ABAL faz a intermediação a partir de temáticas sugeridas pelas empresas associadas. As universidades, por sua vez, buscam os alunos interessados em desenvolver o estudo sobre o alumínio. Coube à associação mapear as plantas industriais de suas filiadas e as instituições de ensino localizadas nas regiões próximas.

 Feitas as conexões, a empresa indica um engenheiro ou profissional para coorientar o TCC ou IC. Além de dedicar 20 horas por ano para o desenvolvimento do trabalho, a companhia deve oferecer ao aluno uma visita técnica à sua planta e disponibilizar o espaço laboratorial para realização de pesquisas e ensaios.

O Projeto ELO também prevê um coorientador da instituição de ensino, cujo papel é garantir o comprometimento dos envolvidos com o trabalho e aprovar a metodologia aderente à realidade da empresa.

Por que foi criado
O objetivo do ELO é elencar as demandas reais da indústria. Estas devem fazer sentido para serem trabalhadas no âmbito da graduação em Engenharia e agregar benefícios a médio e longo prazos.

“Atualmente, há poucos conteúdos e trabalhos acadêmicos sobre o alumínio. Além disso, parte dos profissionais de Engenharia é despreparada para especificar e atuar com o metal”, explica Kaísa Couto, diretora da Área Técnica da ABAL.

A coorientação empresarial busca equacionar essas questões e pode até colaborar com o levantamento de dados de interesse para o setor.

“As empresas têm desafios operacionais de gestão e desenvolvimento que podem ser resolvidos no âmbito da graduação. Esse projeto nasceu como um piloto, mas a ideia é avançar para o mestrado e doutorado, na complexidade dos temas e no grau de inovação e de disrupção tecnológica que essa iniciativa pode propiciar”, destaca Kaísa.

Projetos em andamento
A Prolind propôs um estudo de melhoria para o processo de serra do perfil de alumínio anodizado (atualmente realizado a seco).

“Temos dúvidas se o uso de lubrificante agride a camada anódica do produto. No final do estudo, vamos verificar se é possível promover essa melhoria no processo”, comenta Michel Domingues da Silva, analista de Processos que coordena o trabalho do Projeto ELO na empresa.

 Leonardo Côrrea Branco, aluno do curso de Engenharia de Materiais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), campus São José dos Campos (SP), está desenvolvendo seu TCC com a temática proposta pela Prolind.

“Quando lançaram o formulário de inscrição, me interessei porque tinha acabado de sair de uma empresa de usinagem de alumínio”, conta o estudante.

Segundo Branco, o desenvolvimento do projeto tem sido interessante. A ABAL forneceu materiais técnicos e a Prolind disponibilizou as amostras e o óleo mineral para testes no laboratório da Unifesp.

“O alumínio anodizado tem algumas particularidades. Como a aplicação do produto é para acabamento de elevadores, qualquer tipo de mancha ou risco é considerado um defeito”, detalha o universitário.

Daniele Reis, coorientadora pela Unifesp, explica que a parceria com a ABAL começou há alguns anos com o Projeto Alumínio nas Escolas.

“No ano passado, a entidade entrou em contato com a proposta do ELO e ficamos abertos porque é muito importante para a formação do aluno ter a vivência de uma problemática real da indústria”, afirma.

A Novelis, companhia que atua na área de laminação e reciclagem de alumínio, tem seu estudo sugerido sobre a corrosão em ligas de alumínio e magnésio concluído pelo aluno Gutemberg Rutter, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, campus de Guaratinguetá (SP).

Para Alexandre Sartori, engenheiro e coorientador pela Novelis, o universitário ganhou muito conhecimento sobre o alumínio.

“O Rutter entregou os resultados e, a partir disso, avançamos um pouco mais e estamos desenvolvendo um novo produto para a companhia. Não foi simplesmente um trabalho de graduação. Pela quantidade de resultados gerados, seria possível até sustentar uma tese de mestrado”, testemunha Sartori.

 Histórico
A ideia para criação do Projeto ELO tem origem na Rota Estratégica da Cadeia Brasileira do Alumínio, elaborada pela ABAL em 2018. O roadmap trouxe inputs para a formação de um grupo de trabalho de capacitação que, hoje, integra o Comitê de Tecnologia e Inovação (CTI) da entidade.

Em paralelo, por meio desse Comitê, a ABAL participa da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), grupo coordenado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) que busca o fortalecimento e a modernização dos cursos de Engenharia.

“Ao analisar as boas práticas de parcerias entre empresas e instituições de ensino que construímos dentro da MEI, decidimos fazer uma pesquisa com nossos associados para entender como gostariam de se aproximar do meio acadêmico, além das ações que já desenvolvemos como o Projeto Alumínio nas Escolas”, conta a diretora da ABAL.

A partir desse levantamento, foram selecionados os indicadores de maior relevância e interesse das empresas para criação do ELO:

  • Tempo da empresa investido em alunos;
  • Acesso à infraestrutura empresarial;
  • Participação da empresa em eventos estudantis;
  • Projetos integrados.

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