AdobeStock_203028855

Parceria com startups é estratégica para o setor do alumínio

Com foco na transformação digital, empresas buscam soluções inovadoras para os desafios operacionais

Investir na Indústria 4.0 tem sido um dos grandes desafios atuais. Uma sondagem realizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) aponta queda de 7% no número de empresas que estão desenvolvendo ações com esse objetivo, no período entre 2017 e 2019.

Neste contexto, apenas 8% de um total de 295 startups brasileiras têm recebido investimentos da indústria, de acordo com estudo realizado pela aceleradora Spin e a consultoria de inovação A2C.

O levantamento também mostra que a integração com empresas de base tecnológica é uma das formas mais eficazes de promover a inovação na indústria. E o cenário é promissor: a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) estima que, nos próximos 15 anos, a quarta revolução industrial deve movimentar 15 trilhões de dólares.

Seguindo por esse caminho, as empresas da cadeia produtiva do alumínio têm realizado parcerias com startups para programar ações e sistemas visando à melhoria dos processos, gestão de pessoas, redução de custos, entre outros benefícios.

CBA
A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) iniciou o relacionamento com startups em 2017, com o objetivo de criar iniciativas de controle avançado nos processos da refinaria de alumina.

Luis Carlos Maldaner, gerente de Tecnologia da Informação da CBA (Foto: divulgação)

“A cultura de inovação está cada vez mais presente nos diversos projetos desenvolvidos em toda a companhia, e se tornou um direcionador relevante para agregar valor à cadeia produtiva e aos nossos clientes”, explica Luis Carlos Maldaner, gerente de Tecnologia da Informação (TI).

Segundo o gerente de TI, a companhia procura se inserir em alguns ecossistemas, como o Mining Hub, em Minas Gerais, e a AgTech, em São Paulo. Além disso, a CBA tem se conectado com startups para projetos específicos em logística, desenvolvimento humano, saúde e segurança do trabalho, processos industriais e desenvolvimento de produto.

Um dos projetos que a CBA participa reúne 14 empresas e startups do setor de mobilidade, e tem como objetivo desenvolver um estudo comparativo de juntas de alumínio em estrutura de veículos automotivos, para buscar uma solução inovadora na aplicação do metal nesse segmento. Trata-se de um acordo de cooperação entre a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). A iniciativa é desenvolvida pelo Instituto de Pesquisa Tecnológica do Estado de São Paulo (IPT).

“Para um setor versátil e dinâmico como o do alumínio, a contribuição que essas parcerias trazem estão relacionadas ao olhar externo e para o novo, além de fortalecer nossos processos de co-criação, proporcionando soluções inovadoras de maneira mais dirigida e com maior velocidade”, afirma.

As inovações vigentes na CBA estão presentes em aplicações de simulação virtual, prototipagem rápida com impressão 3D, fornecimento de soluções em alumínio com novas tecnologias, na contratação e gestão de pessoas, treinamento virtual, soluções logísticas e redução do consumo de insumos de produção.

Hydro
Em 2019, a Hydro estruturou o programa Shark River, voltado para a inovação no segmento de bauxita e alumina, em parceria com a Associação Paraense de Startups (Açaí Valley). Nesta iniciativa, duas startups foram contratadas para executar provas de conceito nas operações em 2020: a Ondrone, que oferece serviços de levantamento aéreo; e a Amachains, que atua na rastreabilidade de cadeias produtivas usando blockchain e compliance.

Para Alexandre Bezerra, fundador e CEO da Amachains, o trabalho com a Hydro é colaborativo e com ganhos mútuos:

“O modelo deles é o melhor, pois as tratativas são diretas, sem intermediários, o que também força as startups a subirem o nível de maturidade para atender as expectativas e ao compliance que o processo requer. Estamos muito mais conscientes dos desafios e nos sentimos mais preparados”.

Daniel Moraes, gerente sênior de Transformação Digital da Hydro 

Na visão de Daniel Moraes, gerente sênior de Transformação Digital da Hydro, antes de qualquer movimento, é necessário que os participantes da indústria de alumínio conheçam mais a realidade das startups e consigam estruturar em suas organizações áreas de interfaces entre os dois mundos. Desta forma, a conexão será mais construtiva e assertiva.

Novelis
A parceria com startups faz parte da história da Novelis, como informa Sylvia Sanchez, gerente sênior de TI da empresa.

Sylvia Sanchez, gerente sênior de TI da Novelis

“A partir de algumas startups selecionadas, contamos com a agilidade e especialização dos serviços prestados em casos de sistemas de informação, alinhados com a diretriz estratégica de cada área envolvida. Contamos também com tecnologias inovadoras, desenvolvidas para otimização de processos com o uso de robótica industrial”, diz.

No início da parceria, as startups atuam dentro da Novelis e, posteriormente, podem ou não dar continuidade remotamente: os contratos são os mesmos aplicados aos fornecedores regulares. 

“À medida que as startups se especializam nos processos fabris da produção de alumínio, é possível gerar novas oportunidades de atuação em conjunto, para otimizar ainda mais as atividadesidentificadas ou gerar ideias adicionais que venham a contribuir com as metas de crescimento sustentável dentro da nossa indústria”, explica Sylvia.

Ball
Fabricante de latas de alumínio, a Ball também tem realizado parcerias com startups há algum tempo, como relata Rafael Teixeira, gerente da unidade de Pouso Alegre (MG).

“Temos inovações que são meras adaptações de mercado para o nosso negócio, mas também pensamos em tecnologias disruptivas, que exigem uma grande maturidade de ambas as partes”, explica.

O teste de campo é feito internamente para validação. “Sempre fazemos um NDA [Non Disclosure Agreement], um contrato de confidencialidade para validação dos projetos, pois são necessários dependendo de dados sigilosos”, diz.

A Ball conta com inovação em vários setores, com tecnologias de hardware e software quem auxiliam as operações, desde a rastreabilidade de uma peça, controle de equipamentos de proteção individual (EPIs) até o reconhecimento de padrão visual, entre outras iniciativas.

O gerente da Ball comenta que as startups surpreendem na velocidade das informações e desburocratização de projetos. Além disso, o valor para execução é atraente.

“O ciclo de projeto de uma startup tem que ser ágil, então nos surpreende a quantidade de projetos que conseguimos executar simultaneamente e com a mesma qualidade de uma empresa de grande porte”, avalia.

Inovação aberta
Como forma de incentivar e apoiar as empresas do setor do alumínio que buscam a revolução 4.0, a ABAL realiza parcerias com instituições que promovem ou apoiam a cultura da inovação. Entre elas, a ABDI, Embrapii e a Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), coordenada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Em 2019, a associação aderiu ao Movimento 100 Open Startups, plataforma internacional para a geração de negócios entre grandes empresas e startups. Além disso, lançou o desafio “Rastreabilidade de Produtos de Alumínio” e promoveu encontros de engajamento entre associados e o universo criativo.

Mining Hub
Recentemente, a Mineração Rio do Norte (MRN) se associou ao Mining Hub, projeto lançado em 2019 em parceria com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

Dentro do hub, por meio do programa M-START, mineradoras e iniciativas de inovação aplicada como startups, projetos acadêmicos e empresas de base tecnológica se conectam para alavancar negócios e desenvolver planos de atuação em várias áreas.

“Para MRN, além de facilitar o intercâmbio de boas práticas, também potencializa o desenvolvimento de soluções inovadoras frente aos grandes desafios da empresa. Assim, também reforçamos nosso compromisso na busca de formas inovadoras de operar, reduzindo custos, gerando receitas e fomentando impactos sociais e ambientais positivos”, relata Wvagno Ferreira da Silva, gerente de Gestão Estratégica da empresa.

O hub reúne mais de vinte mineradoras, como a MRN, Alcoa e CBA, além de empresas da cadeia de fornecedores.

Veja também:

De ponta a ponta: multinacionais enxergam com bons olhos a compra de alumínio certificado

O Brasil é o único País do mundo com todas as refinarias de alumina certificadas pela Aluminium Stewardship Initiative (ASI). Em 2017, a organização global criou um programa independente com critérios e padrões, com foco em aspectos ambientais e sociais voltados para a produção, uso e reciclagem do alumínio. A certificação tem dois padrões:Performance: abrange questões

Hydro aumenta número de plantas de extrusão com certificação ASI

A Hydro teve este ano mais 15 unidades de produção certificadas de acordo com o Padrão de Desempenho da Aluminum Stewardship Initiative (ASI), que reconhece a produção, o fornecimento e a administração responsáveis de alumínio. Com isso, a multinacional agora possui 31 instalações de extrusão e fabricação de alumínio com o selo. As unidades recém-certificadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima
Menu