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Para a Anfavea, eletrificação de veículos depende de política nacional

Associação defende que os setores público e privado trabalhem juntos

Diferente do que acontece em alguns países do exterior, o Brasil ainda não entrou na chamada rota elétrica da indústria automobilística, quando a matriz que move os automóveis passa a ser elétrica e não à combustão.

Segundo Luiz Carlos Moraes, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), para que isso aconteça, é necessário que exista uma política voltada para a matriz energética.

A mudança da plataforma tecnológica pode alterar a fabricação de veículos nos próximos anos, abrindo oportunidades para a indústria do alumínio. Por ser um material leve, espera-se que o metal aumente a autonomia e a vida útil das baterias – que representam cerca de 20% do peso total dos automóveis – e seja aplicado em outros componentes.

A Anfavea já iniciou o mapeamento da matriz energética para identificar eventuais gargalos, trazer um portfólio de alternativas para a indústria e facilitar o investimento.

“Cada montadora vai decidir o que é melhor para a sua estratégia: apostar no híbrido ou na eletrificação tradicional. Já se discute, inclusive, a eletrificação a partir do etanol, não só para automóveis, como também para veículos pesados. É um grande tema, mas ainda não existe uma visão estratégica no Brasil”, reforça Moraes.

De acordo com o dirigente, a indústria automobilística não pode desenvolver esses produtos isoladamente, sem questões vistas como de Estado.

“Daqui para frente, os setores público e privado têm de trabalhar juntos, como acontece na Alemanha, onde as reuniões do setor sempre contam com a presença de um ministro de Transportes ou de Minas e Energia. Esse debate depende da infraestrutura do País, seja na disponibilidade de energia, ou na questão da distribuição nas rotas.”

O Brasil tem uma característica diferente em relação a outros países, com disponibilidade de energia mais limpa, como a eólica e a solar, além dos biocombustíveis, e isso deve entrar na discussão.

“Não podemos perder nossos ativos, mas teremos de encontrar o melhor caminho sem perder a capacidade de exportação. O País não pode ficar de fora desse jogo. A Anfavea vai liderar o debate e, em breve, discutir com as autoridades que participam desse processo”, diz o presidente da entidade.

 Perspectivas 2021
A indústria automobilística foi fortemente impactada pela pandemia no ano passado, interrompendo um ciclo de três anos de recuperação.

Em janeiro deste ano, o setor apresentou queda de 11,5%, em relação ao mesmo período do ano anterior, e de 29,8% na comparação com dezembro. A falta de alguns insumos, o baixo estoque de veículos e o agravamento da pandemia prejudicaram atividades industriais e comerciais em algumas regiões do Brasil.

Para 2021, a projeção é de crescimento moderado: 15%, no licenciamento de autoveículos; 9%, nas exportações; e 25% na produção – índices ainda insuficientes para recuperar os patamares de 2019.

“Nunca foi tão difícil projetar os resultados de um ano. Desde março do ano passado, quando começou a pandemia, temos uma neblina à nossa frente. Infelizmente, observamos a segunda onda da Covid-19 em países do Hemisfério Norte, que parece ter também chegado ao Brasil. E sabemos que uma imunização pela vacina será um processo demorado, que tomará quase todo o ano, impedindo a retomada mais rápida da economia”, alega Moraes.

Ainda de acordo com o dirigente, somam-se a isso a pressão de custos, as necessidades urgentes de reformas e o aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no Estado de São Paulo, quadro que inspira cautela nas previsões.

Alta carga tributária
Um estudo apresentado pela Anfavea, com base em dados oficiais, revela que a indústria automobilística é exageradamente tributada, pouco incentivada, mas gera grandes retornos ao País.

Segundo o levantamento, enquanto a desoneração fiscal sobre arrecadação tributária de todos os setores econômicos no País foi de 18% na última década, para o setor automotivo foi de 8%.

“É importante frisar que o governo não tira dinheiro do bolso ou dos contribuintes para doar a indústrias. Ele renuncia parte da arrecadação de impostos para compensar algumas deficiências estruturais e estimular regiões ou desenvolvimentos tecnológicos. Na prática, a desoneração beneficia os consumidores na forma de preços mais baixos e de produtos mais avançados, seguros, eficientes e menos poluentes”, explica Moraes.

Em certa medida, acrescenta o executivo da Anfavea, isso serve para restituir a alta carga tributária de 44% sobre o preço do automóvel, o dobro do praticado na maioria dos países da Europa e ainda maior se comparada a Japão e Estados Unidos.

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