Oportunidades no setor elétrico impulsionam uso do alumínio

Fios e cabos devem ter alta de 18,9% no consumo de alumínio em 2019


A pesquisa sobre desempenho do consumo doméstico de produtos transformados de alumínio, consolidada pela Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), aponta que o setor de fios e cabos deve registrar crescimento de 18,9% neste ano. Segundo o levantamento, o segmento enfrentou queda (-1,2%) no primeiro semestre, puxada pela redução (-50,8%) no consumo de produtos importados. Já a demanda nacional subiu 17,5% no mesmo período em relação a 2018.

Para Giuseppe Bellezza, diretor Comercial da Alubar, o consumo de cabos de alumínio maior que o Produto Interno Bruto (PIB) deu-se em função de projetos represados em passado recente, aliado aos três últimos leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para investimentos em linhas de transmissão. Somado a isso, também houve aumento de consumo de cabos de distribuição, devido à privatização de algumas concessionárias.

O setor elétrico nacional, seguindo Bellezza, vem passando por transformação há algum tempo para que o Brasil possa atingir todo o potencial de crescimento.

“As oportunidades existem desde então, com muitos investimentos em grandes empreendimentos de linhas de transmissão. Belo Monte (PA), Santo Antônio (RO) e Jirau (RO) são algumas das iniciativas, proporcionando que a energia gerada nos mais diversos locais fosse colocada à disposição dos maiores centros consumidores”.

Na visão de Paulo Pedrosa, ex-secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia e atual presidente da Abrace – entidade que reúne as grandes indústrias consumidoras de energia –, o Brasil terá até 10 anos de muitas oportunidades de investimentos importantes na interligação do setor elétrico.

“Com o tempo, ficaremos mais parecidos com o que se observa na Europa e Estados Unidos. Vamos migrar para um modelo de geração mais distribuída e de produção local de energia.”

Giuseppe Bellezza, diretor Comercial da Alubar: “Hoje somos capazes de entregar mais de 100 mil t de cabos elétricos de alumínio por ano (Foto: Divulgação)

Giuseppe Bellezza, da Alubar, conta que a empresa já observa oportunidades para os próximos anos no setor de energias renováveis, como eólica e solar, com grandes áreas nas regiões Norte e Nordeste do País, e a necessidade de investimentos na área de transmissão.

“A Alubar também acredita nesse setor”, reforça. O executivo explica ainda que a empresa se preparou para o momento atual, o de maior demanda do mercado. “Hoje somos capazes de entregar mais de 100 mil t de cabos elétricos de alumínio por ano”, complementa.

Em termos de investimento, a Alubar estuda formas de ampliar a capacidade produtiva, tanto na aquisição de novos equipamentos como de unidades produtivas em outras localidades. Os clientes da empresa são as concessionárias de distribuição e transmissão de energia, companhias geradoras de energia elétrica e investidores que participam dos leilões da Aneel.

Atenta ao crescimento desse mercado, a Nexans firmou um acordo com a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) para a produção de vergalhões a partir de alumínio líquido, compartilhando recursos e custos produtivos.

“Uma das grandes vantagens dessa parceria é a possibilidade de produzir a partir do alumínio líquido, evitando os gastos de fusão de lingotes usados no processo tradicional, gerando ganhos significativos em economia de energia e redução de estoques”, explica José Luís Guaste, gerente Comercial da companhia.

A partir desta parceria, a Nexans, destaca José Luís, visa à manutenção dos custos de produção equilibrados, aumentando a competitividade da empresa no mercado – atualmente a capacidade de processamento é de 30 mil t por ano de metal de alumínio Nu e isolado. Os principais clientes são as transmissoras de energia (Argo, Equatorial, Grupo Alupar/TBE) e as distribuidoras de energia — Grupo Enel, Grupo Neoenergia e Light.

Também atua nesse segmento o Grupo Prysmian, que, recentemente, adquiriu a General Cable, grande produtora de cabos de alumínio, principalmente na área de transmissão de energia.

“Nós adquirimos um grande mercado”, comemora Vagner Rodrigues, responsável pela área Comercial de cabos de alumínio da empresa. “Nossa tendência é esperar o crescimento previsto para o Brasil, o que será fundamental para o setor.”

A Prysmian fornece cabos de alumínio Nu para a área de transmissão aérea, além de serviços complementares e uma gama de outros produtos.

“Tentamos agregar mais valor com fornecimento completo para o cliente que está investindo no leilão”, justifica Rodrigues. Segundo ele, o cabo de alumínio Nu é um dos investimentos mais relevantes da linha transmissão. “Se for longa, acima de 100, 200 km, os cabos podem representar cerca de 20% a 30% do valor da sua construção, excluindo as questões fundiárias e ambientais.”

Distribuição
Enquanto nos empreendimentos de transmissão de energia elétrica no Brasil quem manda são os condutores de alumínio, na área de distribuição a tendência é que o alumínio prevaleça sobre o cobre, em uma proporção de 80% contra 20%. A informação é de Vagner Rodrigues, do Grupo Prysmian. De acordo com o executivo, quando a linha de transmissão chega aos grandes centros urbanos, o impacto visual a impede de ser área.

Vagner Rodrigues, gerente Comercial da Prysmian: tendência é que o alumínio prevaleça sobre o cobre, em uma proporção de 80% contra 20% (Foto: Divulgação)

“A tendência, no mercado de transmissão de energia no Brasil ligada aos grandes leilões, é que tudo que passar para a cidade seja enterrado”, completa. Essa regra se aplica para a classe de tensão de 230 kV e acima, salvo os investimentos privados. Abaixo dessa tensão, passa a ser distribuição. “O cabo enterrado deve ser superprotegido, isolado. É o oposto do cabo Nu”.

Substituição de cabos
Para José Luís Guaste, da Nexans, as distribuidoras de energia estão recapacitando as redes primárias, substituindo cabos de alumínio Nu tradicionais por cabos de alumínio protegido (Rede compacta). O principal objetivo da rede compacta é reduzir as interrupções de energia elétrica em razão do contato eventual, como por exemplo, as resultantes de queda de galhos de árvores e ações de intemperismos.

Além disso, esse sistema possibilita melhor configuração das redes elétricas, devido à menor distância entre as fases, redução do campo eletromagnético e otimização das estruturas — postes e ferragens — para atender o crescimento de demandas de energia.

José Luís Guaste, da Nexans: distribuidoras de energia estão recapacitando as redes primárias, substituindo cabos de alumínio Nu tradicionais por cabos de alumínio protegido (Foto: divulgação)

Vantagens dos cabos de alumínio
A decisão de utilizar cabos de alumínio na transmissão e distribuição de energia é resultado da boa relação de capacidade de condução energética do material, versus a disponibilidade na natureza da matéria-prima, quando comparado ao cobre, que é o principal condutor de energia disponível atualmente.

“Como o cobre é um material mais pesado e caro, quando utilizamos o alumínio com peso menor e capacidade de transmissão de energia, que viabilizam os projetos técnica e economicamente, passa a ser o mais utilizado para transmissão a longas distâncias e distribuição nos grandes centros urbanos”, explica Giuseppe Bellezza, da Alubar.

Ainda segundo Bellezza, em alguns países já vem sendo estudado e mesmo utilizado o alumínio em instalações industriais, comerciais e residenciais para distribuir energia internamente. Mas existe uma tendência de utilizar o alumínio, inclusive onde há a predominância do cobre.

José Luís Guaste, da Nexans, acrescenta que 1 t de alumínio tem o custo em torno de USD 1.800, contra USD 5.800 de 1 t de cobre, elevando ainda mais a competitividade dos cabos de alumínio.


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