Leveza do alumínio vai ao encontro das necessidades do setor de transportes

Por ser leve e robusto, material deve ganhar espaço dentro do conceito de eletrificação dos carros


Dentro do 8º Congresso Internacional do Alumínio, tanto no painel dedicado à discussão do design e soluções estruturais, realizado na terça-feira (4), como no voltado aos setores automotivo e de transporte, na quarta-feira (5), ficou claro que o alumínio detém características que vão ao encontro da demanda desses segmentos.

Na terça-feira, os engenheiros Marcelo Blois de Aguiar e Walter Luis Pigatin, da Embraer, mostraram o avanço, ao longo dos anos, no uso do metal nas aeronaves não apenas da empresa brasileira, mas também em companhias como Boeing e Airbus. Hoje, o alumínio divide mais espaço com os chamados compósitos, justamente para que as fabricantes de aviões aproveitem ao máximo os pontos fortes de cada material. Desafios e soluções encontradas para a aplicação do metal nos aviões da Embraer também foram apresentadas.

Marcelo Gonçalves, consultor e que atuou no projeto da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) para a produção de uma carroceria de alumínio para chassis de cargas secas, em 2016, mostrou os resultados do projeto: a carroceria do tipo truck feita em parceria com a Noma trouxe melhores resultados, principalmente em economia de combustível, para o conjunto do caminhão — se comparado a carrocerias de aço ou madeira. Isso se deve, principalmente, à sua leveza.

Ainda sobre caminhões, Alcides Braga, sócio-diretor da Truckvan, maior fabricante de unidades móveis do Brasil, mostrou alguns projetos feitos por sua empresa e afirmou que, desde 2017, a empresa aumentou seus investimentos no metal para a produção de baús de alumínio

Eletrificação trará grandes oportunidades
Gerd Götz, da European Aluminium Association (EAA), explicou como o alumínio foi introduzido nas montadoras da região: estudo feito há três anos aponta que, no Velho Continente, os carros levam, em média, 150 kg do material (isso devido à necessidade de menor emissão de gás carbônico. Por ser mais leve que o aço, o alumínio auxilia as montadoras nesse objetivo).

O especialista europeu ainda apontou para um caminho importante: a eletrificação. “Ela é uma grande impulsionadora do uso do alumínio, pois, por ser um material leve, ele ajuda no aumento da autonomia e vida útil das baterias. Haverá uma mudança na maneira como se fabrica e consome carros nos próximos anos e o nosso segmento tem que estar atento às novas oportunidades.”

Raul Fernando Beck, da comissão técnica de veículos híbridos e elétricos da SAE Brasil, também abordou o assunto. Cerca de 20% do peso dos automóveis elétricos corresponde às baterias. Por isso, é necessário que o carro seja repleto de componentes leves. Pelo fato do alumínio ter essa característica e, ao mesmo tempo, ser robusto, deve ter grande espaço.

Giuliano Fernandes, da CBA, foi ao encontro do que disse Götz, incentivando o setor a olhar para as novas plataformas do setor de transportes: além das montadoras tradicionais, há muitas startups investindo em transporte. “A chinesa Didi [principal concorrente do Uber], que recentemente comprou no Brasil a 99, pretende ter mais de 1 milhão de veículos elétricos ligados à sua plataforma até 2020”, afirmou.

Ford, General Motors e Mercedes-Benz enviaram executivos ao painel para debaterem o uso do alumínio pelas montadoras. Eles explicaram que a aplicação no powertrain e em rodas está consolidada e o desafio agora está em reproduzir, em grande escala, a aplicação do alumínio em outras estruturas dos carros. O programa Rota 2030, lançado recentemente pelo governo federal para o setor automotivo, pode impulsionar isso.


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