A criação do Dia Mundial da Água, comemorado em 22 de março, foi sugerida durante a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992, organizada pela Organização das Nações Unidas (ONU). A data passou a ser celebrada a partir de 1993 e, a cada ano, um novo tema é escolhido. Em 2026, Água e Gênero destaca a água potável e o saneamento como direitos humanos fundamentais e fatores essenciais para a igualdade de gênero.
A celebração aponta para a importância do uso sustentável da água e a urgente necessidade de conservação dos ambientes aquáticos a fim de evitar a poluição e contaminação. Por meio de projetos e iniciativas de conscientização envolvendo seus colaboradores e a comunidade, a indústria do alumínio tem se mostrado atenta à importância da conservação e preservação dos recursos hídricos.
Água da chuva
Recentemente, a Alunorte, refinaria de alumina da Hydro localizada em Barcarena (PA), iniciou a segregação da água de chuva no depósito de resíduos de bauxita. Com o novo sistema de manejo hídrico, a companhia pode direcionar a água da chuva limpa de forma controlada, após análise de parâmetros de qualidade, garantindo o retorno seguro do recurso natural ao meio ambiente e otimizando o uso de recursos hídricos na unidade industrial.

A iniciativa faz parte do processo de encerramento da operação e reabilitação progressiva do depósito. Essa reabilitação consiste na impermeabilização da superfície do depósito, aplicação de solo natural e plantio de vegetação, que isolam completamente o material residual do solo natural. Consequentemente, a água da chuva que incide nessas áreas permanece limpa e não requer tratamento antes de ser restituída ao meio ambiente.
Segunda a empresa, a inovação foi baseada em estudos científicos extensos introduzidos desde o conceito à construção. Isso inclui o monitoramento do funcionamento da segregação durante dois anos de testes.
“Estamos marcando um novo patamar na gestão ambiental da Alunorte. Como o Pará é uma região de chuvas intensas, essa solução, aprovada cientificamente, nos permite lidar com esse cenário de maneira mais eficiente, inteligente e segura. Isso aprimora a eficiência e a segurança de todo o nosso sistema de gestão hídrica, por exemplo, mantendo as estações de tratamento de água mais dedicadas a receber e tratar os efluentes, tornando a operação ainda mais segura. Vamos evitar direcionar para as estações a água de chuva limpa que, por sua natureza, não precisa deste tipo de tratamento”, explica Anderson Martins, vice-presidente-industrial da Alunorte.
Um processo de engajamento com as comunidades, incluindo visitas e explicações detalhadas sobre o projeto, foi realizado, demonstrando a transparência da refinaria em suas operações e esclarecendo dúvidas sobre o sistema. Além disso, a mão de obra contratada para a implementação do projeto é prioritariamente local, gerando empregos e desenvolvimento econômico na região.
Gestão sustentável
A AMG Brasil tem metas estabelecidas para o consumo de água em suas operações para garantir o acompanhamento efetivo. A empresa conta com sistemas de hidrometração individualizada, permitindo o monitoramento contínuo do consumo. Os dados são analisados mensalmente, considerando indicadores como volume consumido e produção, possibilitando a identificação de desvios e a implementação de ações corretivas e de melhoria contínua.
Todos os efluentes líquidos gerados na planta passam por tratamento adequado em uma estação de tratamento de efluentes (ETE), que é parte integrante do processo operacional. Após o tratamento, os efluentes, por um sistema de monitoramento online, que só permite o seu lançamento em corpo hídrico se estiver dentro dos parâmetros estabelecidos, garante o atendimento a padrões legais aplicáveis.
A companhia também investe na conscientização dos colaboradores com programas internos que estimulam a participação ativa na gestão ambiental. Por meio do Programa de Informes de Saúde, Segurança e Meio Ambiente (PIS), por exemplo,os profissionais da empresa podem relatar eventuais desvios e apontar oportunidades de melhoria para os processos internos.
De acordo com a empresa, todas as iniciativas estão alinhadas ao compromisso da AMG Brasil com a gestão sustentável dos recursos hídricos e integram o Programa de Uso Racional e Sustentável da Água, também em conformidade com o sistema corporativo de ESG.
“Acreditamos que os bons resultados alcançados por nossas operações estão diretamente relacionados ao desenvolvimento de processos ambientalmente responsáveis, com foco no uso racional dos recursos naturais e no bem-estar das comunidades onde atuamos. Nesse contexto, adotamos controles ambientais rigorosos voltados à prevenção da poluição e à mitigação de possíveis impactos sobre o meio ambiente” afirma Edmar Castro, gerente-geral da Unidade de Materiais Especiais da AMG Brasil.
A empresa também aposta em tecnologias que favoreçam o uso eficiente da água, incluindo sistemas de recirculação, como torres de resfriamento utilizadas nos fornos e em outros equipamentos do processo produtivo, reduzindo a necessidade de captação de água nova.
Planejamento global
A Novelis opera em Pindamonhangaba (SP), região estratégica da bacia hidrográfica do Rio Paraíba do Sul. Por isso, o aprimoramento da gestão da água em seus processos faz parte de um planejamento global que, ao longo dos anos, tem promovido melhorias e maior eficácia aos métodos de utilização dos recursos hídricos.
A empresa, que estabeleceu o compromisso de reduzir em até 10% a intensidade do consumo de água até 2026, tem procedimentos de boas práticas ambientais que envolvem o treinamento e a conscientização de seus profissionais, a implementação de projetos de otimização e redução do consumo de água com metas anuais, além da recirculação da água utilizada em seu processo de solidificação de placas e reúso de efluentes gerados durante o tratamento da água e chuvas.
Como líder no fornecimento de alumínio laminado de alta circularidade e baixa pegada de carbono, a Novelis busca o protagonismo na transição para uma indústria verdadeiramente sustentável.
“Nossa responsabilidade transcende os muros da fábrica. Mantemos uma gestão ativa da Área de Preservação Permanente (APP) de nossa unidade, o que protege as nascentes e contribui diretamente para o equilíbrio hídrico regional. Recentemente, finalizamos o plantio de 3.600 mudas, recuperando 21.700 m² de área verde e reforçando, na prática, nosso compromisso com a proteção dos recursos hídricos, a conservação da fauna e da flora e a promoção do bem-estar das comunidades do entorno”, conta Nilton Fonseca, diretor de EHS.
Muito além da tecnologia
A Mineração Rio do Norte (MRN) desenvolve operações concentrando esforços e investimentos em tecnologias e práticas para garantir um uso da água de forma responsável. Prova disso é a taxa de recirculação da água no processo produtivo: chegou a 84% em 2025, com reaproveitamento no próprio sistema. Parte desse recurso utilizado na operação vem da captação de águas da chuva, autorizadas pelos órgãos competentes, o que reduz ainda mais a necessidade de novas captações.
“Trabalhamos com metas claras para reduzir a captação e aumentar o reaproveitamento, mesmo em meio à rara disponibilidade de água que a Amazônia oferece. Por outro lado, estamos atentos às mudanças climáticas e às alterações no regime de chuvas. Em 2024, quando houve o menor índice pluviométrico desde 1989, foram captados 21 milhões de m³. Em 2025, com melhorias operacionais e maior eficiência nos sistemas de recirculação, reduzimos para 16,67 milhões de m³, alcançando nosso patamar desejado. Também celebramos resultados importantes, como a restauração ecológica do Lago Batata, em Oriximiná (PA), um caso de recuperação ambiental reconhecido cientificamente com a recomposição de 20 ha de mata de igapó e a retomada da biodiversidade local”, conta Marco Antônio Fernandez, gerente-geral da Área de Licenciamento e Controles Ambientais da MRN.
A empresa sabe que a gestão da água não depende apenas de tecnologia. Por isso, investe na conscientização de colaboradores e das comunidades da região sobre o uso responsável dos recursos naturais. Uma das principais iniciativas é o Projeto de Educação Ambiental (PEA). Em 2025, o programa realizou mais de duzentas atividades, envolvendo, aproximadamente, 3 mil participantes, entre colaboradores, estudantes e moradores de comunidades quilombolas, ribeirinhas e urbanas de Oriximiná. As ações incluem oficinas, cursos, palestras e encontros direcionados à conservação ambiental, ao fortalecimento de práticas sustentáveis e à valorização dos recursos naturais da Amazônia.
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