Nem as turbulências que marcaram 2025 foram capazes de tirar o brilho do alumínio brasileiro. O setor atravessou um ano de tensões comerciais, incertezas geopolíticas e mudanças nas cadeias globais, mas mantendo o ritmo de expansão. O resultado aparece no faturamento: R$ 168,3 bilhões, crescimento de 10,6% em relação ao ano anterior, de acordo com o Anuário Estatístico do Alumínio 2025, publicado pela Associação Brasileira do Alumínio (ABAL).
Os investimentos acompanharam esse movimento, somando R$ 6,8 bilhões em 2025, ante R$ 6,1 bilhões no ano anterior. O resultado demonstra o compromisso das empresas com o aprimoramento de processos operacionais e socioambientais. O setor gerou 508 mil empregos diretos e indiretos (sendo 142.882 diretos e 365.703 indiretos), contribuiu com R$ 34,8 bilhões em tributos e registrou superávit comercial de US$ 3,3 bilhões – o 7º consecutivo e o 2º maior resultado dos últimos dezessete anos.
A produção nacional de alumínio primário cresceu 8,5%, alcançando 1,18 milhão de t, maior volume registrado desde 2013. Em contrapartida, o consumo doméstico de produtos transformados de alumínio apresentou leve retração (0,5%), totalizando 1.883,2 t.
Segundo a presidente-executiva da ABAL, Janaina Donas, o cenário exige atenção redobrada às políticas de defesa comercial e à busca por isonomia tributária. As importações de alumínio e seus produtos cresceram 10,8%, chegando a US$ 2,376 bilhões free on board (FOB) — livre a bordo, em português), com destaque para os produtos chineses, responsáveis por 29% das origens. Para a executiva, o desafio é transformar as tendências da nova economia em desenvolvimento industrial efetivo.
“O País já demonstrou que é capaz de construir uma cadeia competitiva. A discussão que precisamos aprofundar agora é como criar as condições para que ela desenvolva todo o seu potencial, ampliando a geração de valor, fortalecendo a indústria nacional e consolidando o Brasil como protagonista da nova economia de baixo carbono.”
Abaixo, os líderes das principais empresas do setor analisam o desempenho de seus respectivos mercados em 2025 e detalham suas projeções e planos estratégicos para 2026.
Mineração de bauxita
A produção de bauxita no Brasil atingiu 36,8 milhões de t em 2025, sustentando a posição do País como o 4º maior produtor global do mineral. Um dos maiores players de bauxita do País, a Mineração Rio do Norte (MRN) encerrou o ano com produção de 12,8 milhões de t, equivalente a cerca de 35% da produção nacional.

Para Guido Germani, CEO da MRN, a bauxita ganhou novo status estratégico no cenário global. O executivo destaca que o mineral deixou de ser visto apenas como uma commodity destinada à produção de alumínio e passou a ocupar papel relevante na transição energética, na economia de baixo carbono e na segurança das cadeias globais de suprimentos. Nesse contexto, o Brasil reúne reservas expressivas, competitividade e produção realizada sob padrões socioambientais internacionais.
De acordo com Germani, a bauxita ganhou novo status estratégico no cenário global. O executivo destaca que o mineral deixou de ser visto apenas como uma commodity destinada à produção de alumínio e passou a ocupar papel relevante na transição energética, na economia de baixo carbono e na segurança das cadeias globais de suprimentos. Nesse contexto, o Brasil reúne reservas expressivas, competitividade e produção realizada sob padrões socioambientais internacionais.
“As perspectivas para o restante de 2026 permanecem favoráveis, impulsionadas pela expansão da transição energética, da eletrificação, das energias renováveis e da economia de baixo carbono. É nesse cenário que a MRN concentra esforços no Projeto Novas Minas (PNM), uma das principais iniciativas da companhia para os próximos anos”, afirma Germani.
O empreendimento recebeu a Licença de Instalação em abril e prevê R$ 5 bilhões em investimentos nos próximos cinco anos. A expectativa é assegurar a continuidade das operações até 2041, mantendo a produção anual em torno de 12,5 milhões de t de bauxita, preservando 7.500 empregos e gerando outras 2.300 vagas durante a implementação.
“Mais do que sustentar volumes de produção, esse investimento garante previsibilidade no abastecimento de bauxita para as indústrias brasileira e internacional, fortalece a competitividade do Brasil em um mercado cada vez mais estratégico e amplia a geração de renda, oportunidades e desenvolvimento no Oeste do Pará. Nosso compromisso é avançar com disciplina de capital, responsabilidade ambiental, inovação e diálogo permanente com as comunidades, contribuindo para consolidar o Brasil como um dos protagonistas globais da cadeia do alumínio”, destaca Germani.
Alumínio primário
A produção brasileira de alumínio primário, que atingiu 1,18 milhão de t em 2025, tem na Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) um de seus principais players nacionais. A empresa concentra suas operações na planta de Alumínio (SP), que registrou produção de 360.600 t no ano.
No segundo trimestre de 2026, a CBA obteve avanços importantes na produção do metal. O alumínio líquido atingiu 94 mil t no período, recorde para um segundo trimestre. O aumento do volume foi acompanhado por uma significativa redução do custo médio de produção, para R$ 11.891 por t, resultado da normalização das operações da refinaria de alumina e da otimização do uso de insumos e energia.
O desempenho produtivo também sustentou o crescimento comercial da companhia. No trimestre, as vendas totais somaram 131 mil t, alta de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior. Desse volume, o alumínio primário foi o principal destaque, com 73 mil t vendidas, enquanto os produtos transformados responderam por 31 mil t e o alumínio reciclado, por 27 mil t. O desempenho das vendas de alumínio primário contribuiu de forma relevante para o crescimento da receita líquida do negócio de alumínio da CBA, chegando a R$ 2,4 bilhões no período.
Ligas de alumínio
As exportações mundiais de alumínio primário e ligas totalizaram 22,3 milhões de t. Para a fabricante de anteligas e ligas especiais AMG Brasil, 2025 foi marcado pela necessidade de reforçar a competitividade operacional e a eficiência do mix de produtos. Seu CEO, Fabiano Costa, avalia que o mercado de alumínio apresentou sinais de recuperação em relação aos últimos anos, com retomada gradual da demanda doméstica e das exportações. Apesar disso, a empresa considera prematuro falar em uma recuperação consolidada e mantém uma postura de cautela e disciplina.
A AMG registrou volume produzido inferior ao dos anos anteriores, em razão das incertezas e dos impactos do contexto geopolítico. Ao mesmo tempo, a localização e a posição estratégica da companhia permitiram responder adequadamente às condições do mercado. A empresa concentrou esforços na otimização do mix de produtos e na eficiência das operações, além de avançar em iniciativas de redução de custos e melhoria de produtividade. As ações estão alinhadas à estratégia global de ESG (ambiental, social e de governança, em português) do grupo e incluem a ampliação do uso de matérias-primas alternativas e recicladas, o uso de energia renovável e a redução contínua das emissões de carbono nos processos.
A ampla variedade de ligas-mestre e soluções para diferentes segmentos da indústria do alumínio também permaneceu como um importante diferencial tecnológico da AMG Brasil. A empresa atende mercados como os de tarugos e extrusão, chapas e laminados, vergalhões e cabos, rodas e componentes automotivos, ligas secundárias, reciclagem e embalagens. Entre os produtos estratégicos estão os refinadores de grão TiBAl Evolution e TiCAl, utilizados para garantir a qualidade metalúrgica dos processos de fundição e que contribuíram para os resultados alcançados pela empresa em 2025.
“Para o restante de 2026 e os próximos anos, a AMG Brasil mantém uma perspectiva positiva e otimista. A empresa segue focada em garantir os volumes previstos e atender a demanda dos seus clientes, mesmo diante de um cenário de mercado cada vez mais exigente e competitivo. Estamos observando o aumento das demandas provenientes, principalmente, da Europa e da Ásia, mercados que buscam produtos de alta qualidade e elevado desempenho técnico. Esse movimento reforça o reconhecimento da empresa como fornecedora global confiável e competitiva em seu segmento”, destaca Fabiano Costa.
Embalagens
Mesmo com leve retração, alguns segmentos de produtos transformados apresentam bom desempenho em 2025. Destaque-se o de embalagens, que permaneceu como o maior consumidor de alumínio no Brasil. Em 2025, registrou alta de 0,7% e respondeu por 32,6% do consumo total de alumínio, com 614.700 t.
Segundo Daniele Albagli, vice-presidente-comercial da Novelis América do Sul, o desempenho dos produtos laminados – que abastece o setor de embalagens – demonstrou resiliência, apesar das pressões sobre o mercado. Temperaturas mais baixas contribuíram para uma leve redução no consumo de bebidas e, consequentemente, afetaram o mercado de embalagens para latas de alumínio. Mas a empresa enfrentou os desafios climáticos e macroeconômicos do período com uma estratégia dirigida para a proximidade com os clientes e geração de valor.
O mercado de embalagens para bebidas é o principal destaque de desempenho da Novelis em 2025. Apesar da ligeira queda no consumo de bebidas, a lata de alumínio ampliou sua participação frente a outros tipos de embalagem. O avanço foi especialmente expressivo no segmento de cervejas e também no de refrigerantes. A companhia identificou ainda evolução em categorias como energéticos, drinques prontos, águas, sucos e vinhos em lata, reforçando a versatilidade do alumínio e sua conexão com novas ocasiões de consumo.

A economia circular também permaneceu como um dos pilares da estratégia de sustentabilidade da Novelis. A empresa manteve a sucata de alumínio como principal insumo de seu processo produtivo, com conteúdo reciclado da ordem de 80%, contribuindo para a circularidade do metal e para a redução das emissões de carbono. Para o segundo semestre de 2026, a companhia mantém uma perspectiva positiva para o mercado de alumínio laminado, especialmente o de latas para bebidas.
“No principal mercado da companhia na região, o de latas para bebidas, o período tende a ser favorecido por uma sazonalidade naturalmente positiva para o consumo, impulsionada pelo aquecimento do comércio, pelas festas de fim de ano e pelo período de férias. Soma-se a esse cenário a expectativa de um efeito climático relevante associado ao El Niño, com potencial para favorecer temperaturas mais elevadas e estimular o consumo de bebidas de maneira geral, aumentando o giro de latas no varejo e no atacado”, afirma Daniele.
A vice-presidente da Novelis informa ainda que a expectativa da companhia é continuar ampliando o aproveitamento de sua capacidade instalada e avançar na valorização do alumínio reciclado em segmentos de alto valor agregado, como transporte, construção civil e bens de consumo. O movimento reforça que ligas com alto conteúdo reciclado preservam a qualidade do material e atendem as exigências de desempenho técnico desses mercados.
Mercado elétrico
Outro que também merece atenção no mercado de transformação é o de eletricidade, que registrou alta de 10,2% no consumo e absorveu 252.200 l de alumínio em cabos de energia, equivalentes a 13,4% do mercado nacional. O avanço foi impulsionado pelo ciclo de leilões regulatórios e pelos investimentos em linhas de transmissão e distribuição de energia no País. A Termomecanica registrou desempenho positivo nesse mercado.

Alessandro Kleber, superintendente-industrial da companhia, avalia que o mercado de transformados de alumínio se manteve resiliente. Para a empresa, o cenário ainda é desafiador e exige competitividade, eficiência e capacidade de atender demandas específicas. Mas a Termomecanica acompanhou o crescimento do segmento elétrico e ampliou sua participação no mercado, fortalecendo sua posição e buscando novas oportunidades comerciais.
“Para 2026, a Termomecanica projeta perspectivas estáveis e positivas para o segmento, com manutenção de bons volumes e oportunidades de crescimento, especialmente nas exportações. A expectativa acompanha o desempenho do segmento de fios e cabos”, pontua Kleber.
Crédito da imagem de abertura: InfiniteFlow/stock.adobe.com



“Para o restante de 2026 e os próximos anos, a AMG Brasil mantém uma perspectiva positiva e otimista. A empresa segue focada em garantir os volumes previstos e atender a demanda dos seus clientes, mesmo diante de um cenário de mercado cada vez mais exigente e competitivo. Estamos observando o aumento das demandas provenientes, principalmente, da Europa e da Ásia, mercados que buscam produtos de alta qualidade e elevado desempenho técnico. Esse movimento reforça o reconhecimento da empresa como fornecedora global confiável e competitiva em seu segmento”, destaca Fabiano Costa.
“No principal mercado da companhia na região, o de latas para bebidas, o período tende a ser favorecido por uma sazonalidade naturalmente positiva para o consumo, impulsionada pelo aquecimento do comércio, pelas festas de fim de ano e pelo período de férias. Soma-se a esse cenário a expectativa de um efeito climático relevante associado ao El Niño, com potencial para favorecer temperaturas mais elevadas e estimular o consumo de bebidas de maneira geral, aumentando o giro de latas no varejo e no atacado”, afirma Daniele.

