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Indústria de embalagens global não é afetada pela pandemia

Consumo de soluções metálicas, incluindo o alumínio, é de US$ 112 bilhões em 2020

O 19º Congresso Brasileiro de Embalagem da Abre, realizado pela Associação Brasileira de Embalagens, de 21 e 23 de setembro, reuniu virtualmente especialistas e executivos de várias empresas para debater o papel dessas soluções nos novos desafios das marcas, com perspectivas nacionais e internacionais. A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) foi uma das participantes dessa edição.

Na abertura do evento, Stephen Harrod, consultor da Smithers, fornecedora multinacional de serviços de teste, informação e conformidade, informou que o consumo global de embalagens foi de US$ 940 bilhões em 2020. As soluções metálicas respondem por 12%, com US$ 112 bilhões.

Em sua palestra — O futuro das embalagens e previsões estratégicas 2030, o especialista afirmou que essa indústria não foi tão impactada pela pandemia da Covid-19, com exceção de algumas cadeias de suprimentos. O comércio eletrônico veio para ficar e a mudança no comportamento favoreceu a compra de produtos embalados.

Com a perspectiva de crescimento e envelhecimento da população, a urbanização, os novos padrões de compra e as tendências de vida saudável, haverá maior demanda pelo uso de embalagens.

“É claro que a recessão econômica mundial que estamos vivendo faz com que exista depreciação dos nossos produtos, mas até 2025 teremos superado isso”, acredita Harrod.

De acordo com o consultor, as megatendências do setor incluem:

  • Sustentabilidade: embalagens mais leves, recicláveis, além do sentimento antiplástico;
  • Consumidores em busca de produtos com maior frescor e conveniência;
  • Legislações sobre a geração de resíduos e emissões de gases de efeito estufa (GEE);
  • Compras de supermercado online;
  • Embalagens inteligentes e personalizadas;
  • Disrupção da cadeia de abastecimento.

“A nossa indústria tem como foco ser mais sustentável, caso contrário será punida pelos consumidores. Precisamos de embalagens funcionais e fáceis de serem recicláveis”, ressalta Harrod.

O e-commerce influenciou as embalagens e a forma de interação com os consumidores, com edições holográficas e QR codes para evitar fraudes. Também cresceu o uso de embalagens convenientes para bebidas no geral, incluindo as frescas e esportivas, com as soluções metálicas como tendência para o futuro.

Novos desafios das marcas
Falando sobre “Os macro movimentos e como eles influenciam o desenvolvimento de embalagens”, Laura Amaral, diretora de Planejamento da Bendito Design, citou que vivemos a era das marcas ativistas, com posicionamento sobre diversas causas.

Na visão da especialista, o conceito The Great Reset, cunhado pelo Fórum Econômico Mundial em 2020 com a proposta de trabalho conjunto entre os países em busca de um futuro mais sustentável, trouxe a ideia da regeneração.

“Não basta solucionar o problema, mas transformá-lo em ações de grande impacto. Na pandemia, começa o olhar para a urgência e as novas formas de fazer. Isso tem um impacto enorme na cadeia de embalagens”, explica.

Laura também mencionou o estudo Meaningful Brands 2021, conduzido pela consultoria Havas Group: 73% dos entrevistados acreditam que as marcas devem agir agora pelo bem da sociedade e do planeta. Além disso, 64% das pessoas preferem comprar de empresas com propósito, enquanto 53% disseram que estão dispostas a pagar mais por uma marca que se posiciona.

“O sistema mudou e o mindset de embalagens tem de mudar. Vai passar do storydoing, que mostra na prática a mensagem que deseja transmitir para público, para o storychanging, que entrega uma mudança de vida”, explica a diretora da Bendito Design.

Reciclagem de embalagens multimateriais
Na palestra sobre “Inovação em reciclagem pós-consumo nas embalagens”, Fernando Wongtschowski, gerente de Estratégia Comercial e Marketing da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), contou que as questões ambientais representam quatro das cinco principais preocupações apontadas no 16º Relatório de Riscos do Fórum Econômico Mundial.

Com as novas tendências relacionadas ao Enviromental, Social and Governance (ESG) e a mudança no comportamento dos consumidores, que querem pagar mais por produtos que protejam o meio ambiente, quase todos os setores estão buscando desenvolver soluções mais sustentáveis. E, para atender essa demanda, as empresas inovam e precisam pensar em todos os elos da cadeia produtiva.

No panorama da reciclagem, a lata de alumínio se destaca com um índice de 97,4% de toda a produção brasileira em 2020, mesmo diante dos efeitos da pandemia da Covid-19. O alumínio é uma matéria-prima importante para as embalagens: infinitamente reciclável, funciona como uma barreira de proteção aos alimentos, elimina o uso de conservantes e está diretamente conectado à demanda. No entanto, o grande desafio é a reciclagem de embalagens de multicamadas.

“Desde 2018, temos uma estratégica clara para 2025, mas queremos avançar mais até 2030, com metas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU). Queremos garantir a oferta de alumínio de baixo carbono, com soluções sustentáveis, influenciando toda a cadeia”, explica Wongtschowski.

Nesse contexto, o projeto Real, patenteado pela CBA, traz uma tecnologia inovadora para fazer a reciclagem de embalagens de multimateriais pós-consumo, com a recuperação do polialumínio – polímero e aluminato que retornam para o processo.

“Temos uma planta-piloto em Campinas e devemos operar na unidade de Alumínio, ambas em São Paulo, em 2023, com capacidade de 25 mil t”, destaca o gerente da CBA.

Os benefícios da iniciativa incluem a redução do consumo de energia e de emissões de CO2, pois o processo gera hidrogênio para ser utilizado no lugar do combustível na refinaria de alumina. Além disso, há diminuição da extração de recursos naturais, como a bauxita, por exemplo, para a fabricação de alumínio. Nos aspectos sociais, o projeto deve fomentar e agregar valor para quem coleta o material.

“É uma tecnologia disruptiva e pode impactar positivamente no futuro”, afirma Wongtschowski.

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