Implementos rodoviários têm alta de 45% no consumo de alumínio no 1º semestre

Em recuperação neste ano, segmento apresenta novidades com alumínio na Fenatran, em São Paulo


A produção de implementos rodoviários registrou aumento de 45% no consumo de alumínio no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2018, de acordo com levantamento da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL). Desde o início da recessão econômica no País, o setor tem enfrentado um longo período de recuperação.

Norberto Fabris, da Anfir: ritmo de recuperação está consolidado(Crédito: divulgação)

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), a pesquisa sobre o emplacamento do setor mostrou que, de janeiro a setembro de 2019, foram entregues mais de 88.700 unidades ao mercado, um aumento de 39% em relação a igual intervalo do ano anterior. A projeção é fechar o ano com 110 mil unidades emplacadas.

“Como o ritmo de recuperação está consolidado, acreditamos que no próximo ano o ambiente de negócios tende a melhorar”, afirma Norberto Fabris, presidente da Anfir. Para a entidade, devem colaborar para os negócios em 2020 a expectativa de juros baixos e um programa federal de investimentos em infraestrutura, além das reformas em andamento.

Nutridos dessas informações, fomos até o 22º Salão Internacional do Transporte Rodoviário de Carga, a Fenatran, realizada em São Paulo, para ver como as empresas têm inserido o alumínio em suas soluções. Confira:

No assoalho
Marcelo Kuver, diretor de Compras Corporativas da Randon Implementos e Participações, lembra que o recorde de produção no Brasil foi em 2013, com 74 mil implementos. Em 2015, no auge da crise, foram produzidos apenas 25 mil. A expectativa é fechar este ano com 60 mil semirreboques.

Marcelo Kuver, da Randon: Temos grandes expectativas de que cresça a participação do alumínio nos nossos produtos (Crédito: MScaldo)

“Ainda não retomamos, mas a Randon teve uma melhora de marketing share de 30% em 2013 para quase 40% neste ano”, explica. Isso se deve a algumas montadoras que desapareceram do mercado. Outro motivo, na visão dele, foram os investimentos da empresa na renovação do portfólio de produtos nos últimos quatro anos.

E nessa renovação, o alumínio ganhou espaço. Kuver aponta que muitos produtos do mercado utilizavam o aço inox, cujo preço decolou neste ano. “Isso fez com que o mercado puxasse mais o alumínio”, avalia. Além disso, o metal também tem ajudado a reduzir o peso do produto, proporcionando aumento da carga e melhoras na produtividade.

Ainda de acordo com o executivo, também foram realizados vários trabalhos técnicos de homologação do alumínio no setor, até então inexistentes. A Randon apresentou um implemento na Fenatran 2019 com assoalho 100% de alumínio que vai compor a terceira geração de graneleiros da empresa.

“É uma inovação, mas ainda não está no mercado”, diz. O produto é fruto dos estudos realizados em parceria com a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA). “Temos grandes expectativas de que cresça a participação do alumínio nos nossos produtos.”

De acordo com a CBA, o novo modelo do implemento – feito com chapas e perfis de alumínio – apresentou revisão no design e redução de 500 quilos no peso, cujo assoalho é um dos elementos que contribuem para esse diferencial, somado à melhoria de performance e durabilidade.

Implemento com assoalho 100% de alumínio da Randon, desenvolvido em parceria com a CBA (Crédito: Edevaldo Tadeu)

A Randon também apresentou no evento, o novo tanque com caixa de alumínio polido com 50 metros cúbicos de capacidade de carga. O implemento é fruto da recente parceria da empresa com a Triel-HT. Se comparado a um produto similar fabricado em aço carbono, o ganho de volume alcança 5 mil litros. O produto também traz rodado single e rodas de alumínio que contribuem para o ganho de capacidade de carga.

Em tanques de combustível
Kimio Mori, diretor de Exportação da Noma do Brasil, destacou o aumento da proporção de tanques de alumínio em relação aos de aço. Um dos motivos é o ganho da capacidade de carga. “Outra vantagem é que o tanque de alumínio não produz faíscas em caso de acidentes. O atrito do aço com o asfalto pode causar incêndio”.

Kimio Mori, da Noma do Brasil: tanque de alumínio não produz faíscas em caso de acidentes (Crédito: Tadeu Brunelli)

A Noma também produz a linha basculante — semirreboques e rodotrem — de alumínio (foto que abre esta reportagem), cuja tecnologia existe desde 2011. Neste ano, no entanto, o produto foi apresentado em uma nova versão. “Ela tem capacidade de carga maior e pode transportar cargas corrosivas, desde que compatíveis com o alumínio.”

De acordo com o executivo, a Noma deve fechar o ano em crescimento notável, cerca de 130% em relação a 2018. No entanto, a expectativa para 2020 é mais moderada: espera crescer de 5% a 10%. Além disso, a empresa pretende reativar os investimentos em uma planta em Tatuí, interior de São Paulo, até 2021.

Nas rodas
Segundo Marco Antônio Camargo, diretor de Operações da Librelato, também houve aumento no uso de rodas de alumínio em relação às de aço nos últimos três anos. “Elas são vantajosas, principalmente para o mercado florestal, cujo frete é um dos mais caros. A redução do peso é muito significativa. Neste ramo, o alumínio está vindo forte”, declara.

Com exceção das rodas, Camargo acredita que o consumo de alumínio tem crescido proporcionalmente ao incremento do volume de produção. De maneira geral, a empresa utiliza alumínio nos furgões e no material de revestimento da caixa de carga do graneleiro, além dos protetores de ciclistas. “Uma característica importante do alumínio para o segmento é a redução de peso.”

A Librelato tem previsão de faturamento de R$ 900 milhões este ano, ante os R$ 550 milhões de 2018. “É um crescimento bastante significativo. Estamos investindo R$ 25 milhões nos processos, na ampliação de fábrica e no desenvolvimento de novos produtos”, revela.

Hoje a empresa tem capacidade de fabricar 11 mil implementos — e pretende aumentar essa capacidade para 14 mil em 2020. “Estamos otimistas, mas não imaginamos um crescimento muito grande para o ano que vem.”

A Mercedes-Benz é uma das montadoras que têm adotado cada vez mais o alumínio na produção de veículos rodoviários, tanto para redução de peso como para melhorar a parte estética e garantir durabilidade.

Wilson Baptistucci, engenheiro de produto da empresa, explica que há vários exemplos de aplicação, com destaque para as rodas de alumínio em detrimento às de aço. “É possível reduzir bem o peso, em torno de 15 kg. Isso é uma grande vantagem para um veículo que tem de 10 a 12 rodas.”

Incomum no passado, Baptistucci ainda explica que, nos últimos quatro anos, a procura por caminhões com rodas de alumínio é grande.

Na carroceria
Já Rafael Marinelli Vidoti, gerente Comercial da Facchini, conta que a empresa fabrica, dentro da linha de bebidas, uma carroceria 100% de alumínio. O executivo destaca o aumento desta demanda.

“A Coca-Cola, como uma empresa global, já utiliza esse produto. Ele é mais caro, mas é leve e durável. Com visão de longo prazo, alguns clientes já veem esse produto com uma vantagem.”

O furgão sobre chassis é quase todo composto por alumínio. Já o semirreboque furgão também é um produto que cada vez mais está envolvendo o metal — alguns ainda são híbridos com o aço.

Crédito da imagem de abertura: divulgação


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