O segundo semestre do ano é marcado por momentos importantes no calendário paraense. Entre eles estão o verão amazônico, a tradicional festa do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, realizada em Belém, e a safra do açaí. Nesse período, o fruto tem queda de preço e aumento de qualidade para os seus consumidores. Enquanto a polpa ganha os lares paraenses e o mundo, o caroço fica no Pará, exigindo soluções inovadoras para evitar a criação de um passivo ecológico.
A partir de uma pesquisa científica em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Hydro começou a estudar a redução do uso de carvão mineral na Alunorte, refinaria de alumina da companhia localizada em Barcarena, dando uma destinação mais adequada ao resíduo gerado pelo despolpamento do fruto no Pará.
Profissionais da academia e da empresa trabalharam juntos na busca por soluções renováveis, demonstrando o potencial calorífico do caroço de açaí como biomassa capaz de alimentar as caldeiras de uma importante etapa da indústria da cadeia do alumínio.
O projeto, anunciado em 2022, evoluiu rapidamente e, atualmente, é uma realidade que avança nas operações da refinaria. A operação consumiu 24 mil t em 2023, volume que subiu para 73.500 t em 2024 e alcançou 104.600 t em 2025. De janeiro a setembro de 2026, a fábrica já absorveu cerca de 75 mil t. No total, desde os primeiros testes, a refinaria processou quase 280 mil t do material.
Segundo Carlos Neves, vice-presidente-sênior/COO da Hydro Bauxita & Alumina, o projeto demonstra a simbiose entre as indústrias do alumínio e do açaí, aliando o suprimento de uma fonte energética para a refinaria e a solução da questão ambiental que é a destinação do caroço do açaí. Principalmente, demonstra como a operação está em grande sinergia com o território, considerando as características amazônicas.
“Ao adotar esse insumo, não estamos apenas gerando uma energia mais limpa para a indústria, mas também estamos fortalecendo a economia circular no Pará, pois evitamos que milhares de toneladas fiquem acumulados sem uso na natureza”, afirma Neves.
Para suportar o fluxo contínuo, a demanda da companhia estimulou o desenvolvimento de uma cadeia local de fornecimento, criando um impacto social direto. Hoje, dois grupos parceiros mantêm alianças locais para organizar a coleta dos caroços pelas cidades do Estado. Essa rede gera renda extra para comunidades que antes lidavam apenas com o caroço do açaí como descarte. A estruturação desse mercado de reaproveitamento fortalece a economia da região, mostrando como a bioeconomia muda realidades na ponta.
Após essa captação, o material segue para as unidades operadas pelas empresas parceiras. Nesses locais, elas realizam todo o beneficiamento e secagem para que a biomassa chegue pronta à Alunorte, servindo imediatamente como matéria-prima para gerar energia. Nos últimos dois anos, esse esforço conjunto conseguiu reduzir a umidade do material de 35% para menos de 25%, otimizando o processo de queima nas caldeiras e garantindo a eficiência energética exigida por uma refinaria de classe mundial.
De acordo com a Hydro, o projeto ainda percorre um caminho de evolução técnica para os próximos anos. Uma das alternativas avaliadas é a substituição de parte das caldeiras para operação apenas com o caroço de açaí, eliminando de vez o uso do carvão.
Foto: Divulgação Hydro




