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Franklin Lee Feder: norte-americano de alma brasileira, fez história na indústria do alumínio

Executivo atuou por 25 anos na Alcoa, onde alcançou a presidência para América Latina e Caribe

Centenária, a indústria brasileira do alumínio gera fascínio pelas características bastante específicas e inúmeras aplicações do metal. Franklin Lee Feder, um dos executivos do mercado que se apaixonaram pelo negócio, construiu boa parte da carreira na Alcoa Brasil, empresa em que alcançou a presidência para a América Latina e Caribe.

Aposentado desde 2014, Franklin é mais um profissional a ter a sua história contada na série “Personalidades do setor”.

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“Eu sou a indústria do alumínio. Tenho bauxita, alumina e alumínio correndo nas minhas veias. O setor me deu a oportunidade de fazer coisas que nunca sonhei: levar educação e saúde, desenvolver comunidades, ter experiências no país e viajar o mundo todo. Uma vez que você se apaixona pelo negócio, é para sempre. É como torcer por um time de futebol”, relata com orgulho Franklin.

Tudo começou com uma indústria de máquinas de costura
Nascido em Nova York, Estados Unidos, o ainda garoto Franklin chegou ao Brasil com a família em 1955, com quatro anos de idade.

“Meu pai e os irmãos dele fundaram uma fábrica de máquinas de costura, a Elgin Máquinas, originalmente em Milão, na Itália. Posteriormente, a empresa foi instalada no Brasil. Os negócios estavam crescendo e viemos ao país passar um ano. Estamos até hoje.”

Como o sonho da mãe era que o garoto retornasse aos Estados Unidos, Feder e o irmão mais velho estudaram na Graded – The American School of São Paulo, a fim de terem uma educação mais próxima dos padrões norte-americanos. No entanto, aos 17 anos, ao invés de rumar para a América do Norte, Franklin decidiu que permaneceria no Brasil.

Formado em Administração pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV), em 1972, posteriormente cursou Master in Business Administration (MBA) no IMD Business School, na Suíça.

“No 2º ano da faculdade também quis estudar Ciências Sociais. Entrei na Universidade de São Paulo (USP), local em que encontrei a minha atual esposa, Iara, com quem tenho uma filha. Não chegamos a concluir o curso. Minha esposa optou por Psicologia na PUC [Pontifícia Universidade Católica]”, relata Franklin.

Chegada à Alcoa
O início de carreira foi na Adela Investment Company, em 1972. Em 1978, abriu a própria consultoria na área de estudos de mercados industriais.

“Em 1979, recebi um telefonema do Alain Belda, que tinha acabado de ser nomeado presidente da Alcoa. Ele queria importar tampas de alumínio para indústrias de refrigerantes.”

Até 1990, Franklin atuou como consultor da companhia. Dessa época, ele recorda que o Plano Collor, a queda do muro de Berlim e a entrada do alumínio da antiga União Soviética para o mercado ocidental derrubaram o preço do metal.

Em locomotiva da Alcoa em Juruti (PA): da esquerda para a direita, Tiniti Matsumoto, Nilson Souza, Frank Feder e Alain Belda (Fotos: arquivo pessoal)

Foi nesse período que ele foi convidado para trabalhar efetivamente na Alcoa por um período que, a princípio, seria curto. Acabou ficando por 25 anos. Durante esse período, Franklin ocupou vários cargos de liderança até alcançar a presidência para América Latina e Caribe, no período de 2005 a 2014.

Como “alcoano”, assim chamados os colaboradores da empresa, presenciou a inauguração da Alumar em 1981, em São Luís (MA), e, posteriormente, as expansões da refinaria e fundição, além da construção de cinco hidrelétricas. Nos anos 2000, viu de perto a abertura da mina de bauxita em Juruti (PA).

“A minha nomeação para a presidência coincidiu com o maior programa de expansão da Alcoa no mundo, quando a empresa decidiu abrir a mina de bauxita no Brasil e fazer uma série de investimentos na área de transformados”, afirma.

Atuação responsável
Um dos fatos marcantes da carreira ocorreu em 2004, quando se deparou com a Usina Hidrelétrica de Barra Grande, no Rio Grande do Sul, pronta, mas sem licença para operar por conta dos impactos ao meio ambiente e seu entorno.

“Com essa história, comecei a entender a importância da responsabilidade ambiental e social. Depois de um longo processo de negociação, conseguimos a licença. Levamos esses ensinamentos e a importância de se comunicar com as comunidades e atuar de forma responsável para Juruti e todos os outros investimentos.”

 

Inauguração da Usina Hidrelétrica Estreito, no Maranhão, com Dilma Rousseff e Murilo Ferreira, então presidente do país e CEO da Vale, respectivamente

Alto custo de energia
Segundo Franklin, os investimentos previstos pela Alcoa foram se efetivando, mas o preço da energia elétrica começava a ficar cada vez mais caro em relação à média mundial.

“De 2009 a 2014, esse custo crescente tornou a produção de alumínio frágil. Aliado a isso, no contexto mundial, a China começou a emergir como o principal produtor do metal, por meio do carvão, sem controles ambientais e a baixo custo.”

Por conta do Custo Brasil, cinco plantas deixaram de operar no país. A Alcoa, por sua vez, encerrou a unidade de fundição de Poços de Caldas (MG) e suspendeu temporariamente a produção da Alumar, em São Luís (MA).

Conselheiro
Desde que se aposentou, Franklin é membro do conselho de administração de várias empresas, entre elas a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA).

“A indústria do alumínio é uma grande família. São oito anos desde que saí da Alcoa e participo dos grupos do WhatsApp de encontro de Juruti e São Luís, entre outros. Sem contar a CBA, onde nos reunimos a cada dois meses. Todo mundo tem muitas histórias.”

Para o futuro, Franklin espera o uso crescente do alumínio.

“Eu sou extremamente otimista em relação ao setor. O alumínio é um metal precioso que será cada vez mais utilizado, com maior reciclagem, menos intensidade energética e menos emissões de CO2”.

Franklin Lee Feder: “O setor me deu a oportunidade de fazer coisas que nunca sonhei”

 

 

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