O faturamento real da indústria de transformação brasileira – segmento que agrega valor a matérias-primas, como o alumínio – cresceu 0,5% em abril na comparação com março, segundo os Indicadores Industriais divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Apesar do resultado positivo, o avanço foi mais moderado que o registrado nos dois meses anteriores, quando o indicador apresentou altas de 3,7% e 3,9%, respectivamente.
O desempenho, contudo, não foi suficiente para reverter a trajetória de desaceleração observada ao longo do ano. De janeiro a abril de 2026, o faturamento do setor ficou 2,5% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, sinalizando perda de dinamismo da atividade industrial.
Segundo Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI, a combinação de juros elevados, crédito mais caro e maior endividamento de famílias e empresas continua limitando a expansão da produção. Outro fator que preocupa a indústria é o crescimento das importações, o qual tem ampliado a concorrência no mercado interno e reduzido a participação dos fabricantes nacionais em diversos segmentos, incluindo cadeias intensivas em transformação de matérias-primas, como a do alumínio.
Outros indicadores divulgados pela entidade reforçam esse cenário de desaceleração. As horas trabalhadas na produção recuaram 1,3% em abril e acumulam queda de 1,5% nos quatro primeiros meses do ano em comparação com o mesmo período de 2025. A utilização da capacidade instalada também diminuiu, passando de 77,5% para 77,1%, refletindo o aumento da ociosidade no parque industrial diante da redução da demanda.
No mercado de trabalho, o emprego industrial caiu 0,2% em abril e registra retração acumulada de 1,5% no primeiro quadrimestre. Em contrapartida, a massa salarial avançou 5% no período, enquanto o rendimento médio real dos trabalhadores cresceu 5,3% de março a abril, interrompendo uma sequência de três meses de queda.
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