Stack of Aluminum ingots

Evento ABAL Insights: 2021 deve ser positivo para a indústria do alumínio

Recuperação iniciada no segundo semestre de 2020 pode seguir neste ano, projeta especialista da CRU International

O mercado global de alumínio, os efeitos da pandemia da Covid-19 e os cenários para 2021 foram tema do ABAL Insights, evento on-line realizado pela Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) para os seus associados no dia 7 de abril.

Ross Strachan, analista sênior de Alumínio Primário e Produto Transformado da CRU International, apresentou uma visão geral sobre oferta e demanda, além das vantagens do metal para uma economia mais verde.

“No ano passado, a produção industrial foi menor do que o esperado, dada a escala da crise econômica, com declínio de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. No entanto, a perspectiva é de crescimento de 6% para 2021”, analisou.

Segundo Ross, há forte crescimento da China, mas a saída da recessão no resto do mundo ocorre no formato de “U”, ou seja, de maneira menos acentuada. Isso significa que os níveis de atividade registrados no pré-covid não serão alcançados até 2022.

Demanda pelo metal
Em relação ao consumo de alumínio, a expectativa é de crescimento de 13% ano a ano na comparação do mundo com a China. E, apesar deste cenário, o setor de transportes ainda está quase 2 milhões de toneladas abaixo do nível registrado em 2019.

De acordo com o analista, companhias do setor, como Hydro, Alba, Rio Tinto, Vedanta, UC Rusal e Hindalco, também sentiram a melhora no segundo semestre do ano passado e a tendência é de aumento constante dos resultados nos próximos meses. O mesmo ocorreu nos embarques de produtos laminados da Novelis, Amag, Hydro, Gränges e Constellium.

Alumínio primário
Em relação à produção global de alumínio primário, a projeção é de aumento da capacidade, mas a taxa não será tão alta. Isso vai depender da utilização de metal reciclado, que vem ganhando participação, e da transição de indústrias movidas a carvão para energia elétrica, a fim de atender as metas de geração de carbono, como já ocorre na China.

O preço do alumínio no London Metal Exchange (LME) deve seguir com médias trimestrais acima de US$ 2.100 por tonelada em 2021.  

Economia verde
O consultor da CRU International aponta um futuro promissor para a demanda por alumínio, principalmente no setor automotivo, com os carros eletrificados, e no mercado de energia solar.

Na oferta, há várias iniciativas para incentivar o crescimento do metal reciclado, como por exemplo, as cápsulas de alumínio para os cafés porcionados, algumas já produzidas com pelo menos 80% de alumínio reciclado.

Brasil
Durante o webinar, Augusto Nogueira, coordenador do Comitê de Mercado de Laminados da ABAL e vice-presidente Comercial da Novelis, disse que o mercado nacional se comportou de forma similar à indústria global, com forte impacto por conta da pandemia em todos os segmentos e crescimento rápido no segundo semestre.

Segundo o coordenador da ABAL, a demanda se mantém em 2021, principalmente nos setores de embalagens e construção civil. No entanto, a falta de matéria-prima, como semicondutores, gera apreensão na indústria automobilística, um dos principais consumidores de alumínio.

“O positivismo continua em 2021, até pela nova ajuda emergencial do governo federal e a expectativa de crescimento do PIB, mas há preocupação com relação a novos impactos de lockdowns e possível fechamento de operações”, acrescenta Nogueira.

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