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Entrevista: Trivium Packaging aposta em garrafas de alumínio com rosca no Brasil

Para executivos da companhia, preocupação dos consumidores com a sustentabilidade impulsionará o segmento

A Trivium Packaging, multinacional criada em 2019 a partir da fusão da Exal e do Grupo Ardagh — em sua divisão de alimentos e especialidades —, tem investido no potencial de crescimento das embalagens de alumínio premium e de aerossóis no Brasil.

Em entrevista exclusiva ao portal Revista Alumínio, Flavio Carneiro, presidente da companhia, e Aislan Pereira, diretor Comercial, apresentaram uma visão geral do mercado brasileiro, os impactos da pandemia da Covid-19, as vantagens das embalagens metálicas, além de projeções para os próximos anos.

Segundo os executivos, uma das apostas será no conceito de garrafa de alumínio com rosca, que traz um apelo inovador e sustentável.

“O consumidor poderá reutilizar a embalagem, estimulando o conceito refilável. Isso sem contar o fato de serem infinitamente recicláveis”, explica o diretor comercial.

Flavio Carneiro comenta que o Buying Green Report, pesquisa global realizada pelo Boston Consulting Group, revela que um número grande de consumidores pagaria mais por um produto com apelo sustentável.

“Nesse levantamento, o consumidor sul-americano aparece como um dos mais preocupados com a questão. Por si só, esse atributo já abre uma possibilidade tremenda de crescimento no futuro”, ressalta Carneiro.

Acompanhe a entrevista na íntegra:

 Revista AlumínioDesde quando a companhia opera no Brasil?

 Flavio Carneiro Como Trivium Packaging, desde 2019, quando a multinacional foi criada, a partir da fusão da Exal e o Grupo Ardagh, em sua divisão de alimentos e especialidades. No entanto, iniciamos as operações no país como Exal, em 2014. Desde então, temos alcançado um crescimento sustentável ano após ano. Expandimos nossa capacidade produtiva, adicionando novas linhas para suportar o crescimento estratégico e atender a demanda por aerossóis e embalagens premium de alumínio.

Atualmente, quais são os principais mercados consumidores de aerossóis?

 Aislan Pereira – O mercado de Beleza e Cuidados Pessoais está em primeiro lugar, por conta majoritariamente dos desodorantes. Mas há outros segmentos relevantes e em expansão, além de constantes inovações, como os de espumas de barbear, produtos para os cabelos, farmacêuticos, além daqueles voltados aos cuidados para casa.

Por que o alumínio é um material indicado para este tipo de embalagem? Quais são as vantagens para os consumidores e fabricantes?

 Aislan Pereira – Entre os diferenciais estão a conveniência, sustentabilidade e alto valor agregado. Quanto à conveniência, os produtos em aerossol proporcionam fácil manuseio, aplicação imediata e resultado rápido, seja desodorante, fixador de cabelo, desmoldante de formas de alimento ou sanitizante para as mãos. Além disso, as embalagens não enferrujam, são leves e oferecerem uma barreira interna aos produtos, uma vez que são produzidas como um monobloco (sem risco de ruptura pelo recrave dos componentes).

 No quesito sustentabilidade, vemos as embalagens metálicas com um grande potencial, uma vez que podem ser recicladas infinitas vezes, sem que o alumínio perca suas propriedades mecânicas. Temos optado ainda pelo uso de ligas mais avançadas de alumínio e na redução do peso das embalagens.

 Por fim, os tubos de alumínio têm maior valor agregado quando comparados às outras embalagens, justamente pelas inúmeras possibilidades de formatos e ombros, com impressão em 360º em alta resolução, além de diferentes efeitos que podem ser obtidos com tintas e vernizes especiais. Dessa forma, o produto tem uma aparência única e sofisticada nas gôndolas.

Como esse setor se comportou durante a pandemia em 2020?

 Flavio Carneiro – Vimos que globalmente o mercado de aerossol apresentou uma retração, principalmente no segmento de salões de beleza, como hair styling. Já no Brasil, experienciamos uma queda na metade de 2020 e uma retomada logo em seguida, de modo que nossa operação não teve de ser interrompida. E, para este ano, esperamos uma consistência de nossa demanda.

 Aislan Pereira – Estimamos que o mercado brasileiro de aerossol fechou em torno de 1,4 bilhão de unidades vendidas em 2020, sendo que o alumínio representou 55% desse volume. O metal se destacou em segmentos que demandaram embalagens premium.

Qual é a posição do Brasil neste setor perante os mercados desenvolvidos?

 Flavio Carneiro – O consumo per capita de aerossóis no país é de 7 unidades, muito abaixo de outros países, cuja indústria já está mais consolidada, como a Argentina, que soma 11 unidades por habitante.

Aislan Pereira – Quando olhamos as categorias de produtos, observamos que há aqueles que ainda são inexpressivos no Brasil. Esse é o caso dos desmoldantes e dos azeites em aerossol. Neste último exemplo, existe grande penetração em países vizinhos, como Argentina e Colômbia, por toda sua conveniência de reduzir a quantidade de gordura na comida sem comprometer a eficiência da aplicação no preparo.

Quais são as projeções da Trivium Packaging para os próximos anos?

 Aislan Pereira – No Brasil, o mercado de aerossol para beleza e cuidados pessoais ainda tem muitas oportunidades de crescimento. Mas queremos ir além das opções tradicionais e trazer um novo conceito da garrafa com rosca. Essas embalagens de alumínio terão um apelo sustentável e inovador. O consumidor poderá reutilizar a mesma embalagem, estimulando o conceito refilável. Isso sem contar com o fato de que o alumínio é infinitamente reciclável. Além dos mercados citados, a Trivium também busca atender ao mercado de bebidas com suas garrafas de alumínio, que se estendem para segmentos de cerveja, vinho e águas.

Flavio Carneiro – Quando tratamos de sustentabilidade, destacamos nosso Buying Green Report, pesquisa global realizada pela Boston Consulting Group, que conclui haver um número grande de consumidores que pagaria mais por um produto se ele tivesse conhecimento que sua embalagem é sustentável. E nesse levantamento, o consumidor sul-americano é um dos mais preocupados com essa questão. Por si só, esse atributo já abre uma possibilidade tremenda de crescimento no futuro.

A companhia tem realizado a reciclagem de embalagens no Brasil?

Flavio Carneiro – As latas de aerossol ainda apresentam uma complicação para serem recicladas pois contêm gases propelentes classificados como produto de risco. Sendo assim, a reciclagem das latas precisa ser feita por um procedimento diferenciado.

Há uma iniciativa importante que realizamos na Argentina, em conjunto com a organização de reciclagem Creando Conciencia, para difundir a coleta e reutilização de latas de alumínio em aerossol. Nesta parceria, a organização fará a coleta posterior ao consumo e processará as embalagens para produção de novos recipientes de alumínio. Desta forma, contribuiremos ativamente para uma economia circular. Como aprendizado dessa estratégia realizada na Trivium Argentina pretendemos replicar brevemente no Brasil.

 

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