Em dia com a sustentabilidade

Brasil é um dos países com mais edificações com selo Leed no mundo. Alumínio exerce função importante nos projetos


Hoje, é quase inconcebível que se inicie um projeto de construção sem considerar fazê-lo da maneira mais sustentável possível. Segundo o Green Building Council Brasil (GBC Brasil), entidade que fomenta obras verdes no País, uma edificação pode ser considerada ambientalmente correta quando se atentam a pontos como:

  • Eficiência energética
  • Uso racional da água
  • Consumo de materiais de baixo impacto ambiental
  • Instalação de sistemas de geração de energia renovável
  • Gerenciamento dos resíduos da construção
  • Conforto das pessoas que ocupam o espaço
Remodelado em 2009, a Torre Vargas 914, localizada no Centro do Rio de Janeiro, recebeu o selo Leed Gold por diversos motivos, dentre eles por ter reciclado 20% dos resíduos de obra. Parte desse resíduo reciclado e reaproveitado foi o alumínio, que compõe a fachada

E para quem está acostumado a ver outros países como referência em ações progressistas, uma boa notícia: em um ranking composto por 167 nações, o Brasil é a 4ª com mais prédios com a certificação internacional Leadership in Energy and Environmental Design (Leed), atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia. São 1.321 projetos registrados, sendo que 508 já conseguiram os certificados. “Ou seja, podemos considerar que há cerca de oitocentos projetos discutindo estratégias e buscando melhores soluções e tecnologias para maximizar a eficiência e qualidade com foco em desempenho econômico, mitigação de impactos socioambientais, redução do uso de recursos naturais e melhora da qualidade de vida e bem-estar”, informa Felipe Faria, diretor-executivo do GBC Brasil e presidente do Comitê de Network das Américas do World Green Building Council.

Não é segredo para ninguém que a crise político-econômica vivida pelo País atingiu em cheio o setor de construção civil. Até julho deste ano, o segmento amargava dezessete trimestres de queda — a sangria começou em 2013. Mas isso não foi problema para a “consciência verde” dos projetistas. “Fechamos 2016 com 204 projetos inscritos [para receber o selo do Leed]. Esse número só é menor do que o de 2012, quando o mercado imobiliário estava em plena ascensão”, comemora Faria.

Estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que o aluguel em um edifício com a certificação Leed costuma ser por volta de 40% mais caro que em um local sem o selo — enquanto isso, informa o GBC Brasil, o custo de se fazer uma construção verde pode ser apenas 6% superior ao de uma obra sem compromisso com a sustentabilidade.

Ao encontro das necessidades
O alumínio é visto como um material muito bem-vindo em construções sustentáveis. “Ele é infinitamente reciclável. Para isso, se comparado com a produção do alumínio primário, gastam-se 95% menos de energia elétrica e se emitem 95% a menos de CO₂”, aponta Cíntia Figueiredo, coordenadora de Marketing para Construção Civil da Hydro Extrusions. “Além disso”, complementa, “o alumínio é excelente para a fabricação de dispositivos que contribuem pra a sustentabilidade do edifício.”

Projetado pelo escritório Bacco Arquitetos Associados, o novo terminal de passageiros do aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, leva alumínio nos caixilhos, suporte dos brises e fechamentos com chapas perfuradas

De acordo com o Anuário estatístico 2017, da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), 12,2% de todo o alumínio consumido no Brasil naquele ano foi destinado à construção civil. A arquiteta Magda Reis, consultora técnica da ABAL, lista uma série de aplicações possíveis do material. Ele pode ser usado como perfil, em janelas e portas, fachadas, brises, chapas e telhas, coberturas, revestimentos e também em pisos e forros, com uma vasta possibilidade de acabamentos.

Esquadrias e ACM: aplicações populares
As esquadrias estão entre as aplicações mais comuns do material. Cíntia, da Hydro, explica o porquê: “O processo de extrusão permite a execução de perfis com detalhes refinados, que garantem um excelente desempenho dos produtos.” Ela cita como exemplo a colocação de canais para encaixes perfeitos de perfis e componentes. “Outros pontos importantes são a infinidade de acabamentos superficiais possíveis, por meio de pintura eletrostática e anodização, durabilidade e facilidade de manutenção.” Magda, da ABAL, cita ainda o isolamento térmico proporcionado pelas esquadrias feitas com o material: com a simples instalação de thermal breaks de poliamida, cria-se uma “ponte de ruptura” das ondas sonoras.

Muito aplicado nas fachadas, o alumínio composto (ACM) traz acabamento estético, proteção termoacústica (que ajuda na economia de energia elétrica e no conforto dos usuários) e leveza para o envoltório das construções, dentre outros benefícios. “Destaco também a durabilidade do material — algumas séries têm garantia de mais de trinta anos. Além disso, por não acumular sujeira, tem menos custos de manutenção”, diz Jefferson Lousa, diretor-comercial da Projetoal. Acostumado a atender arquitetos e especificadores, ele conta que esses porfissionais estão sempre procurando materiais inovadores, com qualidade, durabilidade e diferenciais à vida útil da construção. “Normalmente, o diferencial que se busca é a sustentabilidade”, afirma.

Opinião de quem projeta
“As vantagens de utilizar alumínio no envoltório das construções são muitas, como versatilidade, durabilidade, estética e agilidade, principalmente quando trabalhamos com construções industrializadas”, explica Marcelo Barbosa, sócio-fundador do escritório Bacco Arquitetos Associados e vice-presidente comercial da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (Asbea). “O alumínio contribui ainda como estrutura ou moldura de elementos que tornam a edificação mais sustentável, como painéis solares, luminárias de LED e paredes verdes. Ele ainda entra como componente de tintas ecológicas e concreto celular, que dá leveza aos fechamentos e alivia as fundações.”

Na capital paulista, o Edifício Jatobá, projetado pelo escritório Aflalo/Gasperini, ostenta a certificação Leed Gold. Ele tem em sua fachada peças da linha Unit, da Hydro, que auxiliam no isolamento acústico da obra. Nos perfis, foram aplicados vidros insulados. Além disso, a obra conta com ACM na fachada e os brises têm aletas de alumínio

Barbosa chama atenção para o avanço das indústrias que fabricam, usinam e montam materiais de alumínio, seja em chapas, perfis, caixilhos etc. “Elas apresentam várias inovações, muitas totalmente nacionalizadas e que aumentam as possibilidades de uso e aplicação”, enaltece. Para ele, nas décadas de 1980 e 1990, fachadas revestidas com alumínio ficaram marcadas pela pouca diversidade de cores, como o branco e cinza. “Hoje, temos alternativas interessantes que possibilitam cores diversas, texturas complexas e dimensões variáveis.” Cíntia, da Hydro, concorda. “Estamos em constante evolução, apesar de termos tecnologia bem-estabelecida e conhecida. Por esse motivo, o alumínio é tão bem-empregado na construção civil.”

A bela unidade do Sesc, na Avenida Paulista, em São Paulo, tem revestimento de ZCM (formado por uma chapa de alumínio interna, núcleo de polietileno e camada externa de zinco natural). O produto tem resistência à corrosão e escoa totalmente (100%) a água. O prédio está buscando a certificação Leed

As vantagens do alumínio

Magda Reis, consultora da ABAL, apresenta, com base em dados da International Aluminum Association (IAI), características que fazem do metal um aliado imprescindível na construção de prédios verdes. Confira:

  • Durabilidade
    Suas ligas são resistentes à corrosão e intempéries, imunes aos efeitos nocivos dos raios solares ultravioleta. Ou seja, o material pode ser usado em regiões sujeitas à maresia e tem ótimo desempenho por longo período de tempo.
  • Flexibilidade
    Oferece possibilidades ilimitadas para o desenvolvimento de diferentes designs de produtos e projetos. É possível integrar várias funções em um único perfil.
  • Leveza e alta resistência
    Atende necessidades específicas e minimiza despesas na fundação da obra. Além disso, as dimensões reduzidas dos perfis das esquadrias maximizam os ganhos solares. A leveza contribui ainda com menores custos de aquisição, transporte e manuseio; reduz o risco de acidentes; e aumenta a rapidez da obra.
  • Reciclabilidade
    A reciclagem é feita a custos viáveis, gerando economia de recursos e de processos de produção. A energia economizada na reciclagem do alumínio (usam-se apenas 5% da necessária para a fabricação do metal primário) pode ser empregada na produção de outros materiais. Importante: todo alumínio pode ser reciclado, mantendo todas as suas propriedades.
  • Eficiência energética
    As ligas de alumínio têm alta refletividade, ajudando na gestão da iluminação das construções. Também pode ser usado como suporte de coletores solares, gerando energia limpa, e como dispositivo de sombreamento, reduzindo o consumo de ar condicionado.
  • Economia
    Quando usado na sua forma natural, anodizado ou pintado, exige manutenção simples e de baixo custo.
  • Adaptabilidade e adequação
    Oferece grande variedade de acabamentos e cores às edificações. Se não bastasse, alguns acabamentos aumentam a durabilidade do material e sua resistência à corrosão. Perfis finos e resistentes ajudam a maximizar áreas transparentes. Se usados em conjunto com vidros de controle solar, oferecem iluminação e conforto térmico (com economia de energia
    ).

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