General Walter - Fotos Vagner Campos/ Divulgação

Economia consciente ganha espaço na gestão

O ano de 2015 trouxe mostras dos efeitos de uma gestão frágil dos recursos hídricos no Estado de São Paulo e o setor industrial foi um dos mais afetados. Na Tubex, indústria de tubos de alumínio para aerossol, a água é responsável pela etapa de processo de lavagem no preparo para aplicação do acabamento final de tintas e vernizes. Segundo Reinaldo Palumbo, gerente de projetos industriais, a crise hídrica impactou o custo operacional com possibilidade de parada de produção pela falta de água: “Foram adotadas medidas de alteração de equipamentos e de produtos utilizados no acondicionamento da água, para reduzir o consumo”, conta.

Já na CDA Metais, a água participa na mesa de têmpera e no processo de extrusão. Além disso, auxilia no processo do acabamento superficial de pintura eletrostática. Todo o consumo é processado numa Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) e enviado a um reservatório para reúso. A crise conscientizou a empresa e o monitoramento passou a ser mais rígido: o resultado foi a redução de 40% do uso de água potável em 2015.

Para a Novelis, a questão se tornou um case de sucesso: investiu na substituição da estação de tratamento de água de sua fábrica em Pindamonhangaba, SP. “O novo sistema possibilitou incremento de performance, levando a um aproveitamento ainda maior do recurso”, diz Douglas Souza, gerente de EHS da Novelis. A empresa adotou a solução “Actifloco”, da Veolia Water Technologies, para reduzir o nível de poluentes e de microalgas presentes na água e diminuir o impacto destas substâncias.

Segundo Souza, a água empregada para a produção do alumínio requer um alto nível de qualidade em diversos parâmetros físico-químicos. Apostar em empresas que são fornecedoras de serviços voltados para melhor gestão do recurso hídrico pode ser uma solução. A General Water implanta e é responsável pela operação e manutenção de estações de tratamento de efluentes. Fernando de Barros, gerente comercial da empresa, descreve o serviço: “Implantamos e operamos, com recursos próprios, sistemas de abastecimento de água e tratamento e reúso de efluentes para nossos clientes”, diz.

A crise hídrica foi um fator relevante na prestação de serviços da empresa, já que muitos clientes buscaram autonomia em relação às concessionárias de água. “Quando um grande consumidor passa a usar uma fonte própria, o risco de desabastecimento cai, aumentando a segurança e a previsibilidade das operações”, afirma. Algumas empresas fornecem soluções que auxiliam nos processos das indústrias.

É o caso da AgSolve, que desenvolve as sondas multiparâmetros, que permite a identificação dos componentes da água. De acordo com Ivanildo Hespanhol, professor da Escola Politécnica da USP, o potencial para o reúso dentro da indústria é muito amplo e tudo depende do tratamento que será feito no efluente. “A utilização e o desenvolvimento de novas tecnologias mais baratas, como a utilização das ultramembranas de filtração, são alternativas para reduzir os gastos”, indica.

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