Editorial Fábrica Alumínio Janeiro de 2022 - 034 (1)

Dia da Indústria: a importância do setor produtivo do alumínio brasileiro

Segmento gera mais de 420 mil postos de trabalho e fatura cerca de R$ 88 bilhões

Em 25 de maio comemora-se o Dia da Indústria. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o setor produtivo brasileiro respondeu por 22,2% do Produto Interno Bruto (PIB) e por 71,8% das exportações brasileiras em 2021.

Os dados mais recentes indicam que o setor industrial também representa 68,6% do investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e 32,9% da arrecadação de tributos federais, exceto receitas previdenciárias.

A indústria brasileira do alumínio, especificamente, é a 15ª maior fabricante do metal primário no mundo, além de ocupar a 4ª posição na produção de bauxita. Até 2020, gerava mais de 420 mil postos de trabalho, com faturamento de R$ 88,3 bilhões.

Entre os diferenciais, o alumínio nacional possui baixa pegada de carbono. Um estudo realizado pela Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) em parceria com a Fundação Espaço ECO, mostrou que o total de emissões da cadeia produtiva, considerando desde a mineração até a reciclagem, é de 4,2 t de CO2eq /t AL (equivalente de dióxido de carbono por t de alumínio). O resultado é inferior ao da média mundial, de 9,7 t de CO2eq/t AL. Além de atuar com matriz energética limpa, a sustentabilidade da cadeia é resultado dos constantes investimentos das empresas em autogeração e em fontes renováveis, além da adoção de tecnologias com foco na sustentabilidade.

O país também está entre os líderes mundiais na reciclagem de latas de alumínio para bebidas. Em 2021, registrou recorde de reaproveitamento da embalagem. Do total de 33,4 bilhões de latinhas comercializadas no mercado interno, 98,7% foram recicladas, segundo informações divulgadas pela ABAL e a Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas).

A ABAL é a entidade setorial que congrega as empresas que operam em toda a cadeia do alumínio, da mineração à transformação de produtos, incluindo a reciclagem. Por isso tem buscado o fortalecimento e promoção da competitividade da indústria.

“Nossa atuação tem se pautado na potencialização dos diferenciais competitivos do alumínio brasileiro e o papel estratégico do setor na economia do país. Buscamos participar ativamente dos processos de construção de políticas públicas, aprimoramento de marcos regulatórios, definição de normas e padronização de produtos, além da promoção das melhores práticas de gestão. Para isso, as palavras de ordem são: qualidade e velocidade da informação”, explica Janaina Donas, presidente-executiva da ABAL.

Além do bom desempenho em 2021, com alta do consumo do metal, o setor tem perspectivas de investimentos aproximados da ordem de R$ 30 bilhões para o período entre 2021 e 2025.

O montante disponibilizado pelas indústrias vai incluir uma série de projetos, que vão desde a retomada da produção de alumínio primário que havia sido suspensa há alguns anos; construção de novas plantas e modernização das existentes; expansão de reservas de bauxita; autogeração de energia; modernização e instalação de novos centros de coleta e reciclagem; até os convênios com o meio acadêmico para iniciativas de P&D.

Perfil das indústrias:

Alumínio primário
Localizada em Barcarena (PA), a Albras é a maior produtora de alumínio primário no Brasil e alimenta os mercados interno e externo com lingotes de alta pureza.

Trata-se de uma joint venture. A multinacional norueguesa Hydro é a principal acionista, com 51% das ações. O restante é de propriedade da Nippon Amazon Aluminium (Naac), formada por um consórcio de empresas japonesas, tradings, consumidores e fabricantes de produtos de alumínio. 

Unidade da Albras em Barcarena (PA)

Em 2021, a empresa produziu 426,9 mil t de metal líquido, aumento de 12,67% em relação à 2020. No total, comercializou 422 mil t de alumínio, com lucro de R$ 998,4 milhões. Atualmente, conta com 1.318 funcionários próprios e 1.659 terceiros.

“A Albras prevê investimentos relevantes em gastos de capital para manter a excelência de suas operações e garantir o suprimento das demandas do mercado de alumínio. Comprometida com a certificação ambiental verde, está orientada a suprir a necessidade de energia em fontes diversificadas, livres de carbono”, afirma João Menezes, presidente da Albras.

Segundo o executivo, o mercado de alumínio vive um momento de cautela e reflexão, e toda a indústria avalia se o recente reaquecimento foi pontual — para recomposição de estoques — e qual a demanda para sustentação nos próximos anos.

“A trajetória de preços do London Metal Exchange (LME), os custos de matéria-prima e o comportamento do mercado chinês vão ser determinantes para a competitividade do setor pelos próximos anos.”

Bauxita, alumina, alumínio e transformados
A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) trabalha de forma integrada no país, desde a mineração da bauxita, passando pela produção de alumina e alumínio líquido, até chegar aos produtos primários e transformados. Todos os processos utilizam a energia produzida em hidrelétricas próprias.

No ano passado, a empresa beneficiou 1,9 mil t de bauxita e produziu 345 mil t de alumínio líquido. Ao todo, foram 478 mil t de produtos primários e transformados, com faturamento de R$ 10,2 bilhões. Até o final de 2021, a CBA somou 5.811 profissionais próprios. 

Unidade da CBA em Alumínio (SP)

A companhia também tem investido em reciclagem industrial de alumínio, por meio da Metalex, subsidiária que realiza a transformação da sucata de alumínio em Araçariguama (SP).

Toda essa integração permite que a CBA produza alumínio com mão-de-obra nacional, abrindo espaço para oportunidades de trabalho e desenvolvimento de carreiras. Além disso, garante a oferta de alumínio de baixo carbono e de soluções sustentáveis em parceria com os stakeholders, desenvolvendo as comunidades onde está presente e influenciando positivamente toda a cadeia de valor do alumínio.

Para futuro, a CBA avança com a implementação da sua estratégia de longo prazo, focada no crescimento, na evolução da cultura organizacional e na consolidação dos conceitos ESG [Enviromental, Social and Governance] e digital.

Laminados e reciclagem
A Novelis – integrante do Grupo Aditya Birla, um conglomerado multinacional sediado em Mumbai, na Índia – atua nos setores de laminação e reciclagem de alumínio. A empresa opera em nove países, com 15 mil profissionais, 4 milhões de t de embarques e receita de US$ 17,1 bilhões.

No Brasil, a empresa possui plantas nas cidades paulistas de Pindamonhangaba e Santo André, sendo a primeira sua principal unidade no Brasil. Inaugurada em 1977, é considerada um dos maiores complexos de laminação e reciclagem de alumínio do mundo. A Novelis também mantém 14 centros de coleta de sucata espalhados pelo país.

A companhia tem investido continuamente em suas operações. Hoje, a capacidade instalada na fábrica de Pindamonhangaba é de 680 mil t/ano de laminados e 490 mil t/ano de reciclagem.

Com o novo pacote de mais de R$ 450 milhões em investimentos, a capacidade de produção passará para 750 mil t de laminados por ano com diversas melhorias concluídas até 2024.

Unidade da Novelis em Pindamonhangaba (SP)

Tubos e barramentos
A Termomecanica atua na cadeia de transformação do alumínio primário. A empresa manufatura tubos para os segmentos de refrigeração, linha branca, entre outros; barramentos elétricos, para instalações prediais e industriais; e vergalhões de alumínio, para o setor elétrico e de transformação mecânica.

Esses segmentos têm um papel importante na criação de infraestrutura de energia do país e no desenvolvimento e crescimento da indústria nacional, agregando valor à economia e criando oportunidades de crescimento da mão-de-obra especializada.

“A perspectiva é de crescimento orgânico, especialmente em mercados em que já atuamos, porque há um grau de incerteza econômica muito grande no cenário mundial. No médio prazo, cresceremos também na diversificação com novos investimentos”, explica Paulo Cezar Martins Pereira, superintendente de Vendas e Marketing da Termomecanica.

Revestimento de metais
A Tekno Kroma figura nos primeiros elos da cadeia produtiva, recebe o alumínio das usinas e aplica revestimentos protetivos ou de acabamento para diversos setores.

É uma das pioneiras no processo de pintura coil coating, contribuindo para agregar valor e qualidade para o alumínio brasileiro.  

Atualmente, tem um volume de produção de 100 mil t anuais e fatura R$ 490 milhões. A empresa emprega cerca de 420 colaboradores diretos e 90 terceiros.

“A Tekno Kroma, em conjunto com as usinas produtoras, trabalha diariamente nas possibilidades de conversão de outros metais e matérias-primas para o alumínio, buscando novos mercados e contribuindo para o crescimento do consumo no Brasil e América do Sul. As perspectivas de crescimento de revestimentos de alumínio dentro da empresa são de dois dígitos para os próximos anos”, explica Daniel Guazzelli, diretor Comercial e Novos Negócios do Grupo Tekno.

Queimadores de alumínio
A Wolfer Metalúrgica Indústria e Comercio, localizada em Caieiras (SP), compra lingotes de alumínio e transforma em discos para produção de espalhadores e queimadores de fogões. A empresa fatura anualmente R$ 85 milhões e possui cerca de 250 empregados diretos e indiretos.

“Com experiência de 45 anos no mercado, acredito que exista estabilidade no setor nos próximos dois anos”, comenta Guido de Mathis, diretor da companhia.

Foto de abertura: divulgação CBA

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