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Consumo de alumínio no Brasil cresce 8,2% em 2019, revela a ABAL

Em contraponto com o aumento tímido do PIB, segmento registra crescimento importante

O Anuário Estatístico do Alumínio 2019, publicação da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), aponta que, ano passado, o setor manteve o crescimento iniciado nos dois anos anteriores, descolado do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, cuja variação foi de apenas 1,1%. O consumo de produtos transformados de alumínio aumentou 8,2% em relação a 2018, com volume de 1.485,6 mil t. O faturamento do setor teve crescimento de 5,3%, alcançando R$ 83,6 bilhões.

Segundo Milton Rego, presidente-executivo da ABAL, a entidade e as empresas associadas agora enfrentam o maior desafio da história: as consequências da pandemia provocada pela Covid-19. Isso significa que, apesar dos bons números registrados, o setor poderá voltar algumas casas no tabuleiro do crescimento.

“É difícil precisar. Tenho certeza, porém, de que a indústria brasileira do alumínio mostrará a sua costumeira resiliência e dará a volta por cima mais uma vez. O meio século de história da ABAL é a expressão dessa força”, comenta Milton, lembrando o cinquentenário da entidade comemorado em maio deste ano.

Apesar do cenário adverso encontrado em 2020, um relatório elaborado pela consultoria CM Group, a pedido do International Aluminium Institute (IAI), revela que, embora seja inevitável a queda na demanda global de alumínio neste ano, ainda há otimismo significativo para as próximas três décadas. A previsão é de que a demanda possa atingir 298 milhões de t por ano até 2050.

“A indústria do alumínio, como todos os setores industriais, ainda enfrenta um futuro desafiador no curto prazo, mas deve haver motivos para otimismo. Precisamos que todos naveguem juntos nesse mar revolto: consumidores, líderes do setor, formuladores de políticas, governos e todas as partes interessadas que contribuem para gerar mudanças positivas”, afirma Miles Prosser, secretário-geral do IAI.

Bom desempenho das chapas
Na indústria de transformados, o Anuário da ABAL aponta que a produção também manteve a alta iniciada em 2017, com crescimento de 6% em 2019, e volume de 1, 422 milhão de t. O segmento de chapas, que representa quase metade do mercado total de alumínio, variou positivamente em 11,5% no período, impulsionado principalmente pelas latinhas.

“A venda de latas de alumínio para bebidas registrou crescimento recorde de 13,7% em 2019. Se levarmos em conta que 2018 também foi bastante positivo, concluímos que esse setor tem se mostrado resiliente em termos de resultados”, avalia Guilherme Superbia, gerente de Excelência Comercial e Marketing da Novelis.

Mesmo com as incertezas causadas pela pandemia, Superbia acredita que o setor poderá surpreender positivamente neste ano, já que a produção de alumínio foi considerada atividade essencial. Por outro lado, o aumento do consumo de alimentos e bebidas dentro do domicílio poderá impulsionar a demanda por latas de bebidas e embalagens descartáveis para delivery de refeições.

“Esses são dois fatores que podem ajudar os resultados da indústria como um todo em 2020”, explica.

Luciano Alves, diretor financeiro da CBA, acrescenta que o desempenho dos setores automotivo, de implementos rodoviários, ônibus urbanos e rodoviários também impactou positivamente a demanda por chapas de alumínio no ano passado.

“Graças a um esforço conjunto de todos os representantes da indústria, é possível notar que o alumínio vem sendo percebido como um metal estratégico para diversos segmentos, sob a perspectiva socioambiental e qualitativa”, alega.

Brasil é o 3º maior produtor mundial de latinhas de alumínio: cerca de 50% de toda cerveja produzida no País já é envasada em latas

Grandes consumidores do metal
Entre os setores que mais utilizam o alumínio no Brasil, o de eletricidade registrou a maior alta (26,9%) no ano passado. Em seguida, ficaram embalagens (8,2%), transportes (4,5%), construção civil (4%) e bens de consumo (4,1%).

O que explica o bom desempenho do setor elétrico, na opinião de Maurício Gouvea, diretor-executivo da Alubar Metais e Cabos, são os investimentos na área de transmissão, decorrentes do início das operações da Usina Hidrelétrica de Belo Monte (PA), cuja energia precisou ser levada para as regiões Sudeste e Nordeste.

“A energia que tem sido gerada no Pará está alimentando novas linhas de transmissão no Tocantins, Bahia, Minas Gerais e outros Estados. E há uma série de novos projetos de parques eólicos no Nordeste que precisarão de linhas de transmissão para conduzir energia. Com o crescimento da geração de energia no Brasil, houve um boom nas linhas de transmissão”, afirma.

Mesmo com a pandemia, o diretor-executivo da Alubar ressalta que não há grandes impactos nesse setor e a produção de cabos de alumínio tem sido mantida.

“Eu entendo que, no futuro, os projetos vão continuar acontecendo da maneira como estavam planejados antes da crise, prevendo uma gradual recuperação da economia, sem diferenças no que já estava programado”, estima.

O setor elétrico registrou aumento de 26,9% no consumo de alumínio (AdobeStock)

Bauxita, alumina e alumínio primário
Em 2019, o volume de bauxita recuou 1,4%, fechando com 31.937,9 mil t. A produção de alumina teve um bom desempenho (11%) devido ao fim do embargo à refinaria Alunorte. A geração de alumínio primário se manteve praticamente estável, com ligeira queda, totalizando 650 mil t contra 659 mil t de 2018.

Rogério Carrilo, diretor de Vendas de Bauxita e Alumina da Alcoa, confirma que 2019 foi bastante desafiador do ponto de vista da oferta.

“Tivemos todas as discussões referentes às barragens de resíduos e questões ambientais”, alega.

Luciano Alves, diretor financeiro da CBA, lembra que a indústria nacional sofreu forte impacto, tanto pelo cenário desfavorável macroeconômico do País como pela importação de metal, com a liderança exercida pela China na produção global.

“Apesar de o Brasil ser detentor de uma das maiores reservas de bauxita do mundo, a indústria vem perdendo competitividade ao longo dos anos, devido ao elevado custo de energia elétrica e gás, insumos essenciais à produção de alumínio primário”, ressalta.

Em junho, a ABAL e outras entidades representativas lançaram uma carta aberta ao Congresso Nacional pedindo urgência na aprovação do Projeto de Lei do Gás (PL 6407/2013). O documento aponta que a indústria do gás natural e os produtos associados podem trazer um aumento de R$ 60 bilhões nos investimentos no País e gerar mais de 4 milhões de empregos.

Balança comercial
Os números da balança comercial do alumínio mostram que o total das importações permaneceu estável em relação ao ano anterior, com US$ 1,9 bilhão em 2019. O Brasil exportou um pouco menos, US$ 3,8 bilhões, contra US$ 4 bilhões em 2018. Como consequência, o superávit da balança comercial diminuiu 11%, para US$ 1,7 bilhão.

Superávit da balança comercial do setor diminuiu 11%, para US$ 1,7 bilhão (AdobeStock)

Na avaliação de Welber Barral, ex-secretário nacional de Comércio Exterior, a indústria de alumínio ainda teve uma contribuição fundamental para a balança comercial brasileira entre 2018 e 2019, mesmo com as medidas protecionistas adotadas nos Estados Unidos e em outros mercados, que não apenas afetaram as exportações no País, mas criaram distorções no fornecimento mundial do produto.

“Com os mercados ainda mais desafiadores e com a queda na demanda mundial, a indústria terá de manter o nível de competitividade e buscar diversificar os destinos das exportações”, considera.

Barral acrescenta que a grande questão, ainda sem resposta, é qual será o ritmo de recuperação dos principais países industriais, grandes consumidores de alumínio.

“O próximo ano pode, sim, trazer uma demanda maior, mas também é possível que pressões nacionais aumentem as medidas protecionistas”, conclui.

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