Consumo de alumínio no Brasil cresce 10% em 2018

Em contrapartida, houve queda de mais de 17% na produção de alumínio primário


Publicado em 25 de abril, às 14h25

A indústria brasileira do alumínio registrou, em 2018, aumento no consumo de cerca de 10%, se comparado a 2017, totalizando 1 milhão e 383 mil t. O setor que mais contribuiu com o dado positivo foi o de embalagens, responsável por levar 14% do total. Transportes, com pouco mais de 12%, e eletricidade, com 11%, vêm em seguida. Os dados foram divulgados esta semana pela Associação Brasileira do Alumínio (ABAL).

“Crescemos apesar da greve dos caminhoneiros, de a economia ter patinado e do ambiente político-eleitoral à flor da pele”, comemora Milton Rego, presidente-executivo da ABAL. Para ele, o desempenho mostra que o setor vem retomando o seu dinamismo, mesmo diante da atribulada realidade vivida pelo Brasil.

Produção em queda
Quando o assunto é produção nacional de alumínio primário, a notícia não é positiva: foram fabricadas apenas 659 mil t, queda de mais de 17% em relação a 2017.

O resultado, no entanto, era esperado. A maior fábrica de alumina (insumo necessário para a produção do alumínio) do mundo, a Alunorte, em Barcarena (PA), opera com metade da sua capacidade desde o início de 2018. Somam-se a esse fato pontual questões estruturais da economia brasileira, sendo a principal delas o impacto do alto preço da energia elétrica.

“Hoje, a energia elétrica adquirida responde por quase 70% do custo de produção do alumínio nacional. É um peso brutal, a conta simplesmente não fecha”, diz Milton. Entre 2009 e 2015, lembra o dirigente da ABAL, nada menos do que cinco plantas de alumínio primário deixaram de operar no País.

A ABAL informa, em comunicado distribuído ao mercado, que segue em tratativas com a equipe econômica do governo federal, assim como fez em administrações anteriores, no sentido de encontrar uma solução para o problema.

A entidade é signatária, ao lado de outras catorze organizações de classe, de um documento que propõe a modernização do setor de energia. Milton explica: “Essa é uma questão fundamental para a competitividade não só da cadeia produtiva do alumínio, mas para toda a indústria brasileira”.

Importações preocupam
Com o aumento do consumo e baixa da produção, o déficit foi coberto por compras no exterior, principalmente da China. “A pressão das importações, combinada com a queda da nossa produção de alumínio primário, preocupa”, alerta Milton. “Além de diminuir valor agregado, quando deixamos de produzir alumínio a partir da bauxita brasileira, toda a cadeia perde competitividade. A ABAL entende que a integração da indústria é fundamental para a sustentabilidade do setor”.


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