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Como diferentes elos da indústria do alumínio enfrentam os desafios do momento

Empresas ajustam-se ao cenário atual respeitando os protocolos de segurança

A indústria do alumínio foi incluída na lista de atividades essenciais pelo governo federal em abril, após pleito apresentado pela Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) — em maio, toda a atividade industrial recebeu esse status. A medida garante o abastecimento da sociedade e a segurança jurídica das operações, apesar de os governos estaduais e municipais terem autonomia para determinar o contrário.

Se por um lado o funcionamento das fábricas está respaldado, de outro houve recuo dos mercados consumidores. Logo, a produção do alumínio encolheu, ocasionando inclusive dificuldades para que algumas empresas honrem seus compromissos. Neste contexto, há companhias que se adaptam à nova realidade e empreendem esforços para apoiar não só seus negócios, mas as comunidades das regiões onde atuam.

Milton Rego, presidente-executivo da ABAL, conta que a entidade tem trabalhado para dar suporte às empresas, além de ser o canal de discussão dos problemas e soluções junto aos governos. “A grande discussão é a mudança das atividades e dos protocolos de segurança. A maneira de trabalhar nas fábricas foi muito alterada”, explica o executivo.

Diante de um cenário tão incerto e cheio de desafios, nossa reportagem conversou com indústrias de diferentes elos da cadeia do alumínio para entender a atual situação.

Bauxita, Alumina e Extrudados
A Mineração Rio do Norte (MRN) – que atua no primeiro elo da cadeia produtiva – tem mantido a operação de bauxita no Oeste do Pará, mas diminuiu a oferta por questão de segurança, apesar de ainda não ter sentido o impacto na demanda.

“Tivemos que ajustá-la, reduzindo em um turno nos meses de abril e maio, além de adotar os protocolos de segurança preconizados pelo Ministério da Saúde e a Organização Mundial de Saúde (OMS) para assegurar o bem-estar dos nossos empregados”, conta Vladimir Moreira, diretor de Sustentabilidade da MRN. 

A companhia consolidou um plano de contingência onde prevê uma redução de 25% na produção e de 10% nos embarques em abril e maio. “Consideramos esse cenário razoável, face ao momento delicado que estamos vivendo. Contudo, estamos confiantes de que se retornarmos à normalidade em junho, poderemos ainda recuperar essas perdas durante o ano”, afirma.

Na Hydro, as operações de bauxita e alumina e a unidade de produção de alumínio também estão funcionando dentro da normalidade, mas a empresa observa alta incerteza no mercado. Já as operações de extrudados entraram em férias coletivas ou operam em níveis baixos.

Alunorte, unidade da Hydro em Barcarena (PA): operações seguem dentro da normalidade (Crédito: Hydro)

Na visão de John Thuestad, vice-presidente executivo da Hydro, o reconhecimento como atividade essencial trouxe segurança jurídica para manter as operações regulares, com a adoção das medidas de saúde e segurança recomendadas pelas autoridades de saúde. Dessa forma, a Hydro conseguiu honrar seus compromissos com clientes, fornecedores e a sociedade civil, apoiando diversos esforços de prevenção e combate à Covid-19 nos municípios onde está presente”, explica.

Na Alcoa, que atua em toda a cadeia produtiva do alumínio, as unidades de Juruti (PA), São Luis (MA) e Poços de Caldas (MG) estão operando com qualidade, segurança e adaptadas aos padrões de higiene e distanciamento social para o enfrentamento da Covid-19. Além disso, as plantas seguem as determinações das autoridades da área da saúde e da própria empresa.

“Diante de um cenário em que o mundo enfrenta uma pandemia em nível global, estamos nos readequando. Estamos unidos na luta contra a pandemia, reforçando nossa responsabilidade social junto à comunidade. Adotamos medidas e práticas que proporcionam a continuidade de nossas atividades, de forma a minimizar os impactos humanos, sociais e econômicos decorrentes da atual crise gerada pela Covid-19”, explica Otávio Carvalheira, presidente da Alcoa. 

A companhia também está apoiando o poder público e as entidades da sociedade civil organizada nas localidades onde atua com diversas ações de ajuda humanitária.

Laminados
A Novelis tem procurado ajustar o volume de produção às novas demandas de mercado, com a adequação na escala de trabalho dos profissionais considerados “horistas”, ou seja, que recebem por hora e não por dia trabalhado. Além disso, a empresa tenta eliminar ou reduzir os custos não essenciais, como os de consultorias. As questões têm sido alteradas mediante acordo com o sindicato e a prioridade é a saúde, segurança e o bem-estar dos profissionais e familiares.

“É muito cedo para falarmos dos impactos. É nítido que toda a economia sofrerá consequências, mas estamos trabalhando para que na Novelis esses impactos sejam minimizados”, afirma Eunice Lima, diretora de Comunicação e Relações Governamentais da Novelis.

Para a diretora, o reconhecimento da atividade como essencial pelo governo federal foi importante para a empresa, a cadeia produtiva e a sociedade. “O alumínio é fundamental para o abastecimento e a distribuição nos segmentos de saúde, higiene, alimentos e bebidas. Continuar com as nossas operações é importante para conseguirmos atender a demanda da população”.

Laminados da Novelis: material é usado pelos setores de saúde, higiene, alimentos e bebidas (Crédito: Ivan Pagliarani)

Cabos de energia
O setor de energia, que utiliza o alumínio para a produção de cabos para transmissão e distribuição, concorda com a decisão do governo de manter as operações na indústria. “Essa medida nos assegura a continuidade de suprimento de uma matéria-prima importante”, declara João Carro Aderaldo, CCO Brasil do Grupo Prysmian.

Segundo Aderaldo, não há como falar em normalidade diante da pandemia. “Seguimos com nossas plantas industriais em operação, porém, priorizando a segurança de nossos colaboradores, por meio de protocolos rigorosos de controle e proteção em linha com as recomendações dos órgãos de saúde.”

Para o CCO Brasil do Grupo Prysmian, o maior impacto é o cenário incerto e volátil que a pandemia provoca, dificultando qualquer previsão a curto e longo prazo. “Estamos trabalhando próximos de nossos clientes, fornecedores e parceiros para juntos minimizarmos esses efeitos e acelerarmos a recuperação de nossas atividades”, conta.

No mesmo ramo de atividade, Maurício Gouvea, diretor-executivo da Alubar, reforça que as dificuldades da empresa têm sido as mesmas que todo o País enfrenta. A fábrica continua em operação dentro da segurança sanitária adequada. “Nós não temos grandes impactos comerciais e nem financeiros. Mas é evidente que o mercado do alumínio tem sentido bastante. Existe redução de produção de vários itens, fábricas diminuindo a capacidade de produção ou fechando. Isso reduz drasticamente o consumo do alumínio e interfere em toda a cadeia.”

Cabos de alumínio da Alubar: fábrica continua em operação dentro da segurança sanitária adequada (Crédito: Alubar)

Na visão de Gouvea, a manutenção da cadeia do alumínio em operação também é importante porque o setor apresenta certas particularidades, como equipamentos que não podem ser desligados e operações que devem ser mantidas para evitar um acúmulo de perda significativo.

“Em alguns casos, para retomar as operações após uma parada, seria necessário um investimento tão grande que inviabilizaria a recuperação de algumas plantas”, conclui.

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