car production line with unfinished cars in a row

Artigo: Rota 2030, híbridos e novos motores

Eduardo Tomanik, da SAE BRASIL, lembra que o extinto 'Inovar Auto' acelerou a introdução de blocos de alumínio nos motores dos carros. 'Rota 2030' deve gerar ainda mais mudanças

Escrito por Eduardo Tomanik

A Toyota lança o primeiro veículo híbrido com motor flex do mundo. Mas, custando mais de R$ 120 mil, mesmo com menor IPI, parece difícil que ele venha a vender volume considerável. Enquanto isso, o mercado brasileiro se adequa ao programa governamental Rota 2030. Tanto para atender suas exigências quanto para fazer bom uso das isenções fiscais e alavancar P&D automotivo no Brasil.

Esse cenário e a relevância do tema devem estimular a engenharia a discuti-los ante as tendências mundiais de propulsores muitas vezes baseadas em conveniências diferentes das nossas.  Qual seria a melhor tecnologia para um país de dimensões continentais, desigualdades estruturais e farto em variadas fontes de energia como o nosso? Que implicações haveria a partir da definição de uma única solução? São tão diversos quanto importantes os aspectos que podem influenciar essa resposta. Dentro deste cenário, os principais temas serão discutidos no Simpósio SAE BRASIL de Powertrain, de 4 a 5 de novembro, em Sorocaba (SP) e que destaco aqui.

Motores e lubrificantes de veículos híbridos
Embora o motor seja muito parecido com o de um veículo convencional, seu uso deve ser bem diferente, já que as baixas rotações e cargas serão motorizadas pelo motor elétrico, cabendo ao de combustão interna sair do desligado/frio a um regime de alta solicitação. Ao lembrar que a viscosidade do óleo a 25°C é quase 10 vezes maior que a 90 °C (habitual para o óleo num veículo convencional), dá para prever que novas soluções serão exigidas para um bom funcionamento do motor de combustão no seu uso em veículos híbridos. Vale lembrar a entrada de novos lubrificantes, como os SAE 0W-16, que chegam por aqui.

Rota 2030
O extinto Inovar Auto acelerou a introdução de motores 3 cilindros, blocos de alumínio, uso de turbocompressor etc. O atual programa Rota 2030 deve trazer mudanças semelhantes e muito mais abrangentes, já que cobre não só as montadoras, mas toda a cadeia de fornecedores. O que podemos esperar? Desafios, oportunidades e inovação.

Manufatura avançada
Pilar para o aumento da competitividade brasileira, tanto internamente quanto para aumentar a exportação, a manufatura avançada, a indústria 4.0 e a manufatura aditiva não podem ficar fora desse contexto. Estamos falando aqui também das novas competências e habilidades que a evolução tecnológica requer para que os profissionais possam lidar com o crescimento exponencial do volume de dados no espaço cibernético gerados por ela, que transformam a tomada de decisões nas organizações. Falamos de grandes mudanças, de uma cultura totalmente nova de aprendizado em relação à que conhecemos até hoje. De uma transição que requer a formação de futuros profissionais e a requalificação dos atuais nessa nova cultura.

Emissões é outro tema que não pode faltar na discussão tendo-se em vista o que vem pela frente: “Real Drive Emissions” (RDE), maior controle sobre emissões a frio do etanol, como medir, como controlar?

Esses e outros assuntos que desafiam a engenharia serão debatidos no 17º Simpósio SAE BRASIL de Powertrain, que reunirá profissionais em apresentações simultâneas dedicadas a motores ciclo Otto e sistemas de transmissões.

*Eduardo Tomanik é doutor em engenharia mecânica e membro da Comissão Técnica de Motores Ciclo Otto da SAE BRASIL (Crédito da imagem: Divulgação)

Veja também:

Opinião: Aplicações do alumínio e um raio-x do mercado para 2021

O alumínio sempre exerceu um papel fundamental na economia brasileira. No passado, o País chegou a ser o 6º maior exportador mundial desse metal, além de suprir toda a demanda interna de produtos. Embora com uma produção menor, atualmente o Brasil demanda um volume de produtos próximo a 1,5 milhão de t de transformados, nas

Opinião: A nova Lei do Gás e a necessária competitividade do gás natural

No dia 1º de setembro deste ano, após mais de sete anos em tramitação, foi aprovada, na Câmara dos Deputados, a Nova Lei do Gás (Projeto de Lei 6407), sob a premissa da promoção de uma reforma do marco regulatório que permita a criação de um ambiente competitivo e eficiente do setor de gás natural,

Opinião: O alumínio brasileiro está pronto para o ‘Great Reset’

Até quando o vírus estará por aí? Quando poderemos circular outra vez sem restrições? De quanto será o tombo da economia? Muitas são as dúvidas desde que a covid-19 tomou de assalto as nossas vidas e colocou o mundo em compasso de espera pela volta ao normal. Que normal será esse, aliás, é só mais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima