Electric vehicle changing on street parking with graphical user interface, Future EV car concept

Apesar dos desafios, veículos elétricos e híbridos crescem no Brasil

Componentes com alumínio têm potencial para garantir leveza e autonomia

A eletromobilidade é uma tendência mundial que ainda depende de uma política nacional e de medidas de apoio ao transporte sustentável para avançar no Brasil. Por enquanto, há 66 mil veículos elétricos e híbridos circulando pelo país, de acordo com a Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE).

Apesar dos desafios de infraestrutura de recarga e custos, esse mercado tem apresentado crescimento desde 2016. A previsão da ABVE é alcançar 30 mil emplacamentos em 2021, o que representa um aumento de 52% em relação a 2020.

Para dar esse prognóstico, a entidade baseia-se nos dados do Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam) do Ministério da Infraestrutura, os quais incluem veículos híbridos elétricos convencionais (HEV), híbridos elétricos plug in (PHEV) e totalmente à bateria (BEV). Não são considerados ônibus, caminhões e os levíssimos, como bicicletas.

Materiais leves
Na avaliação de Nataly Yoshino, gerente de Inovação e Desenvolvimento de Mercado da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), esse setor deve apresentar crescimento exponencial nos próximos anos e vai demandar o uso de materiais leves, como o alumínio.

O metal propicia redução de peso e boa resistência à corrosão, o que aumenta a vida útil das peças e componentes dos veículos. Outro ponto positivo é a liberdade das formas. 

“Os extrudados de alta resistência proporcionam flexibilidade geométrica, aliada à alta capacidade de absorção de impacto e baixo peso, permitindo infinitas possibilidades. Além disso, o metal dispensa os altos investimentos necessários em ferramentas de estampagem de aço, reduz e até elimina etapas adicionais de processo”, explica Nataly.  

Para aplicações em veículos elétricos e híbridos, o alumínio, por sua baixa densidade, também aumenta a performance e a autonomia das baterias, contribuindo significativamente para a produção veicular sustentável, de alta eficiência energética e baixa emissão de CO2.  

 Visão geral do mercado
De acordo com a ABVE, o país está muito abaixo do seu potencial. No primeiro semestre de 2021, os 732 veículos 100% elétricos (BEV) comercializados representaram apenas 0,07% das vendas totais no mercado doméstico. Na Europa, eles superaram os 8% de market share (porcentagem da relevância de uma empresa diante dos competidores da indústria em que atua) e, na China, ultrapassaram os 13%.

“No entanto, os veículos elétricos, que ainda pagam muitos impostos no Brasil, vêm ganhando espaço no mercado de luxo, basicamente porque a diferença de preço em relação aos movidos à combustão está diminuindo, principalmente agora, com a falta de peças no segmento”, explica Adalberto Maluf, presidente da ABVE, referindo-se à crise de abastecimento de semicondutores, que afeta a indústria automobilística.

A área logística também movimenta o mercado de eletrificação devido à agenda ESG, sigla em inglês que remete a fatores ambientais (enviromental), sociais (social) e de governança (governance), adotada por grandes empresas que buscam aumentar suas frotas limpas.

“Os veículos comerciais leves e pesados estão avançando, mas obviamente a ausência de uma política industrial integrada dificulta a consolidação do setor”, ressalta o dirigente.

Híbridos
Com a vocação do país para os biocombustíveis, os veículos híbridos que contam com motores flex (movidos à etanol e gasolina) ocuparam a maior parte das vendas (7.263) no primeiro semestre deste ano.

Os modelos híbridos combinam um ou mais motores elétricos a outro à combustão, que pode utilizar gasolina, etanol ou diesel. A solução junta a boa autonomia e potência dos motores que utilizam combustível à economia e menor emissão de poluentes dos elétricos. Os propulsores operam simultaneamente ou de modo individual.

Vale destacar que o motor elétrico utilizado nas soluções híbridas também atua como gerador, recarregando a bateria durante as frenagens.

Há ainda os híbridos plug-in, veículos que contam com bateria recarregável por meio de conexão com a rede elétrica.

No Brasil, a Toyota produz utiliza essa tecnologia no Corolla sedã, fabricado na planta de Indaiatuba (desde setembro de 2019) e no Corolla Cross, na fábrica de Sorocaba (desde março de 2021).

Para a montadora, o caminho da eletrificação começa pelos híbridos flex, pois eles têm um dos maiores potenciais de compensação e reabsorção de emissão de CO2 gerado desde o início do ciclo de uso do etanol, extraído da cana-de-açúcar.

“Acreditamos que esse mercado deve dobrar de tamanho no Brasil nos próximos cinco anos e nos orgulhamos de que a nossa tecnologia terá uma contribuição grande nisso. Nossos produtos já representam 58% das vendas de todos os eletrificados no país”, informa a montadora.

Na Toyota, os principais componentes que utilizam alumínio são os blocos e o cabeçote do motor. A escolha pelo material se dá pela redução de peso dos materiais. E isso influencia, principalmente, a redução de consumo, grande vantagem nos híbridos e valorizada pelos clientes, os quais buscam durabilidade e qualidade no produto.

100% elétricos
Atualmente, há três montadoras de veículos 100% elétricos no Brasil: BYD, Eletra e a Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO).

A VWCO lançou recentemente o e-Delivery, caminhão que contou com a colaboração da Eletra. O alumínio está presente, nos motores de tração e auxiliares, caixas de distribuição e tubulações, entre outros componentes.

“Existem muitas oportunidades para esse metal nos veículos pesados, como em chassis, travessas, suportes e estruturas que hoje utilizam o aço. No entanto, o grande desafio é melhorar a relação de peso x custo”, relata Argel Franceschini, gerente de Emobility da VWCO.

Segundo Iêda Oliveira, diretora da Eletra, empresa que desenvolve sistemas de tração para veículos elétricos pesados, a carroceria é um item de peso que já poderia conter partes de alumínio. Um trólebus, que tem cerca de 15 m de comprimento e pesa 20 t, pode ter redução de 10% no peso se fabricado com o metal.

“A indústria de alumínio poderia se aproximar das encarroçadoras e desenvolver estudos que mostrem os benefícios do metal. Isso poderia contribuir para garantir maior competitividade”, sugere Iêda.

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