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Alumínio de motores da Toyota se transforma em próteses

Projeto de healthtech gaúcha usou sobras da usinagem de blocos e cabeçotes de alumínio para produzir próteses ortopédicas mais leves, resistentes e duráveis

A Revo, healthtech especializada em soluções de próteses ortopédicas sediada em Porto Alegre, desenvolveu um projeto que aproveita excedentes de alumínio provenientes do processo de produção de motores da Toyota para a fabricação de próteses ortopédicas. 

O alumínio utilizado é originário do processo de usinagem dos blocos e cabeçotes dos motores da Toyota. A iniciativa é fruto de uma parceria entre a fabricante e a Techtools Health, plataforma de negócios que integra serviços e processos da cadeia de saúde – e que é investidora da Revo. 

Segundo a Toyota, embora o processo de fabricação dos motores seja desenhado para o aproveitamento máximo do material, é inevitável que haja uma pequena sobra ao final do processo. Até então, esse alumínio era destinado diretamente para reciclagem, mas agora pode receber um destino mais nobre.

“Utilizamos a liga de alumínio de alta qualidade dos motores Toyota em um propósito novo, que pode gerar impacto social na promoção de inclusão e mobilidade por meio das próteses”, diz Lucas Strasburg Ferreira, fundador da Revo.

Na primeira fase do projeto, que utilizou seis quilos do alumínio que vieram da linha de montagem da Toyota, resultou na produção de seis pés para pacientes amputados, em que componentes de aço inoxidável, fabricados pela Revo, foram substituídos por componentes de alumínio. 

Além de reduzir o peso das próteses, o alumínio também proporciona maior resistência e durabilidade. Segundo Ferreira, caso o projeto tenha continuidade, a próxima etapa prevê a substituição do aço por alumínio em outros componentes metálicos de adaptação protética.

“Com os estudos e tratamentos corretos, aplicando engenharia tanto de nossos projetos quanto às propriedades e aplicações do material, acreditamos que a redução de peso possa ficar entre 20 e 25%, ou até um pouco mais”, complementa o fundador da healthtech.

Os seis pés produzidos são destinados ao uso diário e cotidiano. Quatro deles foram doados para a clínica Pé Ativo, de São Paulo, especializada em órteses, próteses e palmilhas, enquanto os outros dois serão utilizados pelo atleta paralímpico Alan Fonteles, maior velocista paralímpico do Brasil.

“Dar um novo uso ao que poderia ser um resíduo é uma busca constante e, claro, uma satisfação quando dá certo. Poder melhorar a vida de alguém por meio de movimento vai muito além de produzir carros”, disse Viviane Mansi, diretora de Comunicação e Sustentabilidade da Toyota do Brasil.

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