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ABAL Insights debate inovação e ESG na indústria do alumínio

No evento promovido pela ABAL, especialista da Fundação Dom Cabral explica como transformar o conceito em novos produtos, serviços e modelos de negócios

No dia 14 de abril, a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) promoveu um evento on-line para debater Enviromental, Social and Governance (ESG) aliado à inovação na indústria do alumínio. O especialista Heiko Hosomi Spitzeck, PhD pela universidade suíça de St. Gallen, professor e diretor do Núcleo de Sustentabilidade da Fundação Dom Cabral, abordou o tema para centenas de profissionais do setor.

O termo ESG surgiu em 2004 no relatório Who Cares Wins (em português, Ganha quem se importa), elaborado pelo Banco Mundial em parceria com o Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) e instituições financeiras.

A expressão serve para medir as práticas ambientais, sociais e de governança de uma empresa – questões que se tornaram fundamentais para análises de riscos e decisões de investimentos. A partir daí, teve início a corrida das organizações para estabelecer, efetivamente, a sustentabilidade empresarial.

Referência
Na ocasião, Otavio Carvalheira, presidente do Conselho Diretor da ABAL e da Alcoa no Brasil, ressaltou que as indústrias do setor do alumínio são referência em relação ao tripé do ESG, cujas práticas estão presentes em diversas ações consolidadas no Manifesto do Alumínio Brasileiro para o Futuro Sustentável, lançado pela ABAL.

Durante a exposição de Spitzeck, ao questionar qual é a primeira empresa que vem à mente quando o assunto é sustentabilidade, os participantes majoritariamente mencionaram a Natura. E o professor confirmou, pois a companhia sempre é citada em suas pesquisas.  

“A linha Ekos trabalha a biodiversidade e o apoio às comunidades da Amazônia, enquanto a linha Sou atua na circularidade e reciclagem de materiais. A Natura está na vanguarda e consegue traduzir os anseios socioambientais em oportunidades de negócios”, explicou.

Lucro sustentável

Segundo o especialista, a grande questão é como isso pode resultar em lucros e demonstrar para as lideranças os benefícios do processo de inovação para transformar o ESG em novos produtos, serviços e modelos de negócios.

Para Spitzeck, há diversas alavancas de valor que podem traduzir essas vantagens. Entre elas, está o maior poder de precificação, como ocorre com o açúcar da marca Native, vendido por um valor maior por conta de sua sustentabilidade.

O especialista destacou também a redução de custos, como fez o Walmart ao inserir claraboias em suas lojas e garantir luz natural — resultou em economia de até 30% no consumo de energia elétrica dos estabelecimentos. Somam-se a isso a atração e retenção de talentos, incentivos fiscais e cofinanciamento.

“A Coca-Cola e Ambev, por exemplo, se uniram para reciclar embalagens por meio de cooperativas. O que pode ser feito em conjunto com outra empresa para uma ação mais efetiva e barata na indústria do alumínio?”, questionou o professor.

As alavancas de valor também incluem a questão da participação no mercado.

“A Michelin parou de vender pneus para o setor de mineração para oferecer serviços. Ela instalou chips nos pneus para medir a distância e temperatura, entre outros indicadores relevantes para o mercado. Nesse modelo, o serviço ficou mais barato para o consumidor do que a compra dos produtos.”

Potencial inovador

Na visão do professor, a indústria do alumínio possui potencial para inovação. Por isso, ele recomendou a elaboração de uma matriz de materialidade para identificar os temas do ESG que afetam a competitividade do mercado, com a publicação de um relatório de sustentabilidade, gerenciamento de riscos e governança.

Segundo Leandro Campos de Faria, coordenador do Comitê Técnico de Sustentabilidade de ABAL e executivo da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), o tema já tem sido trabalhado pela entidade com olhar amplo – desde a etapa de mineração de bauxita até a reciclagem do metal.

“O alumínio terá uma função relevante no futuro da descarbonização, redução de peso e de emissões. A pandemia da Covid-19 também mostrou que o trabalho em parceria será fundamental”, conclui.

 

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